<
>

Bastidores do início turbulento do Corinthians: ex-Flamengo ativo, alertas para mudança de discurso e foco no mercado

Augusto Melo, presidente do Corinthians, o técnico Mano Menezes e Fabinho Soldado, executivo de futebol do clube Rodrigo Coca/Ag.Corinthians | ArteESPN

Da promessa de “fim da farra” à derrota para o São Paulo, que colocou fim ao tabu de quase uma década diante do rival dentro da Neo Química Arena, o Corinthians encerrará um longo mês de janeiro à beira de uma nova crise. Ainda em busca de um rumo em meio à profunda reformulação do elenco promovida pela diretoria liderada por Augusto Melo, o clube trabalha agora para encurtar a distância entre expectativa e realidade para 2024.

Segundo apurou a ESPN com pessoas com trânsito nos bastidores do clube, a contratação de Fabinho Soldado para o cargo de executivo de futebol, ainda que com atraso, surtiu impacto imediato nos bastidores do CT Dr. Joaquim Grava, que viveu dias de ruído interno e adaptação às mudanças de estilo e profissionais após a saída de Duílio Monteiro Alves.

Gerente desde 2021 no Flamengo, a nova peça na engrenagem alvinegra assumiu a posição de profissional do mercado procurada pelo novo presidente para estabelecer processos dentro de departamento.

Entre as “dores de cabeça” que, segundo ouviu a ESPN, não aconteceriam com um executivo profissional da área à frente do futebol do Corinthians estão os casos do lateral Matheuzinho, que participou de um treinamento aberto à torcida enquanto o clube ainda negociava seu empréstimo junto ao Flamengo, a inscrição do zagueiro Lucas Veríssimo no Paulistão sem que o contrato de compra definitiva com o Benfica estivesse assinado e as novelas pelas chegadas do defensor Félix Torres e do meia Rodrigo Garro.

Ele também contribuiu para “blindar” o centro de treinamento profissional. Segundo apurou a reportagem, houve desconforto no início da temporada com pessoas “fora do futebol” que passaram a frequentar os bastidores do clube, algo que não foi bem visto por elenco e comissão técnica.

Além da atenção com o ambiente e aos processos e trâmites do departamento, Fabinho Soldado também passou a atuar diretamente nas negociações por reforços, algo visto como prioridade máxima para que a tranquilidade possa voltar ao CT alvinegro.

Os únicos acréscimos do elenco que estão à disposição da comissão técnica são Félix Torres, Hugo e Raniele. O equatoriano Diego Palácios, que estreou no duelo diante do São Bernardo, sofreu uma lesão no tendão do músculo posterior da coxa direita e só deve voltar ao grupo no início de março.

O clube ainda anunciou as contratações de Gustavo Henrique e Rodrigo Garro, mas que ainda não vestiram a camisa alvinegra. O zagueiro aprimora a forma física, enquanto o meia espera a regularização na CBF para estar liberado para estrear.

O Corinthians ainda corre para acertar as contratações de outros atletas: Matheuzinho, agora em definitivo, e o centroavante Pedro Raul.

Ainda que estes nomes não estejam no mesmo patamar daqueles especulados anteriormente como Gabigol, Soteldo e Luiz Henrique, o entendimento é de que a urgência é por um elenco mais encorpado, ainda que sem grandes estrelas.

É uma mudança de postura que tem a ver também com alertas feitos internamente tanto por Mano, quanto por Fabinho a Augusto Melo. Os dois entendem ser necessário que a rota seja ajustada publicamente com o torcedor, para que a expectativa por um time estrelado, brigando por títulos, não resulte em frustração e mais pressão sobre um elenco em reformulação.

O próprio Mano voltou a tocar nesse ponto em sua entrevista pós-clássico. “As perspectivas foram grandes, se sonhou bastante alto. Vejo todo dia que as pessoas que assumiram o Corinthians continuam sonhando, mas a realização das coisas está dentro da realidade que o clube atravessa”, disse.

A demora para a remontagem do elenco, inclusive, foi um ponto de discordância inicial entre o que planejava a comissão técnica e o que foi proposto pela nova diretoria. Mesmo sabendo que muitos nomes deixariam o Corinthians após o Campeonato Brasileiro de 2023, a ideia do técnico Mano Menezes era contar com alguns atletas experientes para suportar a pressão de uma reformulação profunda.

Como a ESPN soube ainda em dezembro, o desejo do treinador era de que o meia Giuliano permanecesse no grupo em 2024 para ser esse pilar aos jovens e novos reforços.

Sem propostas para renovar com o Corinthians, o jogador de 33 anos acertou com o Santos e já soma dois gols nesta temporada, mesmo número de bolas na rede anotadas pela equipe do Parque São Jorge.

Segundo apurou a ESPN, o entendimento nos bastidores do clube é de que a distância entre o planejamento traçado pela comissão técnica para a busca de reforços e aqueles idealizados pela diretoria de futebol está “alinhada” após tentativas frustradas por nomes de peso como Gabigol e Luiz Henrique, que tomaram tempo e energia do departamento.

Ainda sem muitos reforços, a comissão técnica precisou recorrer à categoria de base para completar o elenco nas primeiras rodadas do Paulistão como o goleiro Matheus Roger, o zagueiro Rafael Venâncio, o lateral-direito Guilherme Pellegrin e o volante Yago, todos da categoria sub-17.

“A matemática não mente”, disse o técnico Mano Menezes em entrevista coletiva após o revés por 2 a 1 diante do São Paulo. “Mas tenho acompanhado o trabalho de todos, temos o Fabinho (Soldado) trabalhando 24 horas por dia para resolver essas questões. Estamos no caminho de alguns acréscimos”.

E o Mano?

À frente de duas reformulações importantes de elenco na história recente do Corinthians, em 2008 e 2014, Mano Menezes entende que a turbulência inicial desta temporada estava dentro do previsto, principalmente pela chegada de tantos novos profissionais ao dia a dia do clube.

Segundo apurou a ESPN, o treinador não considera entregar o cargo em meio à pressão por resultados, e entende que pode repetir na terceira passagem pelo Timão um trabalho similar à reformulação recente conduzida no Internacional, vice-campeão brasileiro em 2022.

Esse entendimento, inclusive, passa pelo ambiente do CT Joaquim Grava. Ainda que não fosse o chamado “plano A” de Augusto Melo para comandar o Corinthians, o técnico tem construído uma relação próxima e de confiança com o novo presidente do clube.

O técnico tem contrato com o Corinthians até dezembro de 2025, com multa integral dos salários em 2024 em caso de rescisão unilateral até o fim do ano.

Essa quantia cai para três salários a partir de janeiro de 2025.

Próximos jogos do Corinthians: