Protagonizado por Jules Koundé, o episódio, considerado raro no futebol atual, estampou capas de jornais pelo mundo todo. Afinal, que cordão de ouro é esse?
O polivalente zagueiro francês Jules Koundé protagonizou uma cena bastante inusitada no estádio Al Thumama. E digna de críticas por parte do técnico Didier Deschamps.
No último domingo (4), durante o primeiro tempo de França x Polônia, pelas oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar, uma imagem chamou a atenção em Doha. Aos 41 minutos, o árbitro Jesús Valenzuela parou o jogo antes de uma cobrança de lateral para que Koundé tirasse um cordão de ouro do pescoço.
O episódio, considerado raro no futebol atual, estampou capas de jornais pelo mundo todo. Mas, afinal, como e por que o jogador entrou em campo com o artigo no pescoço? E que tipo de cordão de ouro é esse?
A ESPN explica.
Quanto custa?
A "correntinha polêmica" é de uma marca norte-americana de streetwear criada em 2011. No site oficial, o artigo é vendido por US$ 70 dólares - que, convertido em real, fica em R$ 365,34.
O dono da empresa que vende o acessório de luxo se chama Tyler Gregory Okonma, que é mais conhecido pelo seu nome artístico: Tyler, The Creator. Ele é um rapper e compositor nascido na Califórnia, EUA.
Inclusive, um dos garotos-propaganda da marca do rapper norte-americano é o lateral-direito Héctor Bellerín, companheiro de Koundé no Barcelona.
Banhado a ouro 18k, o cordão, pivô da cena inusitada do último domingo, faz parte do outfit de Koundé e costuma aparecer com frequência nas fotos publicados por ele em suas redes sociais.
O francês, inclusive, faz referências ao mundo do rap em suas redes sociais, incluindo publicações com citações a outros rappers, como o canadense Drake.
Objeto "perigoso", diz regra
De acordo com a regra número 4 do regulamento da International Football Association Board (IFAB), "é proibido o uso de qualquer tipo de joias (colares, anéis, pulseiras, brincos, fitas em couro ou plástico, etc.)" por parte dos jogadores durante os jogos, uma vez que o artigo está na lista de objetos considerados "perigosos" para a prática do futebol.
A mesma regra diz que, em cada compromisso, "os jogadores devem ser inspecionados antes do início do jogo, e os suplentes antes de entrarem", algo que não aconteceu, uma vez que Koundé atuou por quase 42 minutos usando o cordão. Não é nem mesmo permitido que tais objetos sejam cobertos com fitas ou outros materiais.
Ainda segundo o regulamento, o árbitro deveria ter ordenado, o quanto antes, que o francês retirasse o artigo em questão ou saísse de campo durante uma interrupção, caso o atleta não pudesse tirá-lo com a bola rolando.
O defensor, que atua pelo Barcelona, inclusive correu o risco de ser advertido com o cartão amarelo pelo árbitro, uma vez que seguiu com o objeto mesmo depois do apito inicial da partida. Porém, como o uso do cordão só foi percebido posteriormente, isto não ocorreu e o jogador se livrou de qualquer punição.
Puxão de orelha
Depois da vitória da França por 3 a 1 sobre a Polônia, o técnico Didier Deschamps foi questionado na entrevista coletiva sobre o cordão de Koundé. E, como um bom professor, fez questão de dar um puxão de orelha no atleta.
"Eu até disse para ele: 'você teve sorte que não estava na minha frente, senão...'. Jogadores não podem usar pulseira ou cordão. Eles não começam jogando com relógio ou óculos de sol também. É proibido. Eu achei que ele tinha tirado, mas não foi o caso. Culpa nossa", falou.
Diante dos jornalistas, o técnico ainda explicou que Koundé também costuma usar o acessório nos treinamentos e que o objeto é quase um ícone de superstição do jogador do Barcelona.
Acessório banido
Irritado com o acontecimento, Deschamps decidiu banir qualquer tipo de joia até durante os treinamentos. Koundé, então, só vai poder usar o seu cordão de ouro característico fora do campo.
