Didier Deschamps fez questão de dar um puxão de orelha em Jules Koundé depois da classificação da França às quarta da Copa do Mundo
O polivalente francês Jules Koundé protagonizou uma cena bastante inusitada no estádio Al Thumama. Inusitada e digna de críticas por parte do técnico Didier Deschamps.
Neste domingo (4), durante o primeiro tempo de França x Polônia, pelas oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar, uma imagem chamou a atenção em Doha. Aos 41 minutos, Jesús Valenzuela parou o jogo, antes de uma cobrança de lateral, para que Koundé tirasse um cordão de ouro do pescoço.
A atitude do árbitro venezuelano tem um motivo: de acordo com a regra número 4 do regulamento da International Football Association Board (IFAB), "é proibido o uso de qualquer tipo de joias (colares, anéis, pulseiras, brincos, fitas em couro ou plástico, etc.)" por parte dos jogadores durante os jogos, uma vez que o artigo está na lista de objetos considerados "perigosos" para a prática do futebol.
Inclusive, a mesma regra diz que, em cada compromisso, "os jogadores devem ser inspecionados antes do início do jogo, e os suplentes antes de entrarem", algo que não aconteceu, uma vez que Koundé, zagueiro de origem e que também faz a vez de lateral-direito, atuou por quase 42 minutos usando o cordão. Não é nem mesmo permitido que tais objetos sejam cobertos com fitas ou outros materiais.
Ainda de acordo com o regulamento, o árbitro deveria ter ordenado, o quanto antes, que o francês retirasse o artigo em questão ou saísse de campo para isto durante uma interrupção, caso o atleta não pudesse tirá-lo com a bola rolando.
O defensor, que atua pelo Barcelona, inclusive correu o risco de ser advertido com o cartão amarelo pelo árbitro, uma vez que seguiu com o objeto mesmo depois do apito inicial da partida. Porém, muito provavelmente, como o uso do cordão só foi percebido posteriormente, isto não ocorreu.
"Sorte que não estava na minha frente"
Depois da vitória da França por 3 a 1 sobre a Polônia, Didier Deschamps foi questionado na entrevista coletiva sobre o cordão de Koundé. E, como um bom professor, fez questão de dar um puxão de orelha no atleta.
"Eu até disse para ele: 'você teve sorte que não estava na minha frente, senão...'. Jogadores não podem usar pulseira ou cordão. Eles não começam jogando com relógio ou óculos de sol também. É proibido. Eu achei que ele tinha tirado, mas aparentemente não foi o caso. Culpa nossa", falou.
Diante dos jornalistas, o técnico ainda explicou que Koundé também costuma usar o acessório nos treinamentos e que o objeto é quase um ícone de superstição do jogador do Barcelona.
O árbitro da partida entre França e Polônia, Jesús Valenzuela, pediu para que o francês retirasse o cordão dourada no final do primeiro tempo. Mas não foi tão fácil. Ele precisou de ajuda de um dos membros da comissão técnica, e o duelo ficou parado por alguns segundos.
