Gianni Infantino concedeu entrevista coletiva neste sábado (19), um dia antes do início da Copa do Mundo 2022
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, concedeu longa entrevista coletiva nesta sexta-feira (19), em Al-Rayyan, e falou sobre diversas polêmicas que cercam a Copa do Mundo 2022.
Em um longo monólogo, que durou quase 50 minutos, ele falou sobre diversas questões envolvendo o Qatar, país-sede do Mundial, como as condições de trabalho de operários imigrantes e as leis restritivas à comunidade LGBTQIA+.
Sobre as questões envolvendo torcedores gays que se sentem ameaçados ou inseguros ao visitar a nação do Oriente Médio, Infantino garantiu a segurança de todos durante a competição e lembrou a situação da Suíça, seu país, para assegurar que haverá evolução no Qatar quanto aos temas delicados nos próximos anos.
Vale lembrar que relações entre pessoas de mesmo sexo são proibidas por lei no Qatar, podendo resultar em até três anos de prisão.
"Venho falando sobre esses tópicos com as maiores lideranças do país várias vezes, não apenas uma. Eles me confirmaram, e eu posso assegurar, que são todos bem-vindos ao Qatar. Se alguém disser o contrário, não é a opinião do país e, certamente, não é a opinião da Fifa", afirmou.
"Esse é um requerimento da Fifa: que todos sejam bem-vindos, qualquer que seja a religião, a crença ou a orientação sexual. Esse é um requerimento da Fifa, e o Governo do Qatar segue esse requerimento", acrescentou.
"Vocês vão me perguntar as legislações (contra LGBTQIA+), que as pessoas vão para a cadeia... Sim, isso existe em muitos países do mundo. Isso existia na Suíça em 1954, quando a Suíça organizou a Copa do Mundo. Então, isso são processos", argumentou.
"Então, o que as pessoas vão fazer sobre isso? Vão ficar em casa falando mal dos árabes, dos muçulmanos, dizendo que eles são malvados porque aqui não é permitido ser gay de maneira pública? Claro, eu, como presidente da Fifa, acredito que deveria ser permitido. Mas eu passei por um processo. Se você perguntasse a mesma coisa ao meu falecido pai, ele provavelmente teria uma resposta diferente da minha. E meus filhos terão respostas diferentes das minhas", seguiu.
"Eu sempre dou o exemplo do voto das mulheres. Sabe quando elas foram autorizadas a votar em todas as regiões da Suíça? Nos anos 90... E não em 1890, e sim em 1990. E porque os homens de algumas regiões foram forçados a aceitar. Essa era a mentalidade na Europa há apenas alguns anos. Então vamos nos olhar no espelho antes e ver para onde estamos indo", pediu.
Ao final de sua coletiva, inclusive, Infantino recebeu o apoio de Bryan Swanson, diretor de relação de mídia da Fifa, que também estava na mesa. Ele disse que é gay e elogiou o ambiente de trabalho da entidade que rege o futebol mundial, classificando como "aberto" e "inclusivo".
"Eu vi muitas pessoas criticando Gianni Infantino desde que vim trabalhar na Fifa, particularmente da comunidade gay. Eu estou sentado aqui em uma posição privilegiada hoje, em um palco global, como um homem gay aqui no Qatar. Infantino recebeu todas as garantidas de que todos serão bem-vindos. Só porque Gianni não é gay, não significa que ele não se importe. Ele se importa muito", discursou.
Questão sobre a presença do Irã na Copa do Mundo
Na entrevista, Infantino também foi questionado sobre a presença do Irã na Copa do Mundo.
Há várias semanas, o país asiático vem testemunhando centenas de protestos contra a obrigatoriedade do uso do hijab (véu) pelas mulheres, além da volta da proibição de pessoas do sexo feminino em estádios de futebol.
Perguntado por um repórter inglês sobre as diretrizes da Fifa, que diz não aceitar qualquer tipo de preconceito ou intolerância por parte das nações associadas, sobre por que a Inglaterra deveria aceitar enfrentar o Irã em seu jogo de estreia no Mundial, Infantino deu sua explicação.
"Porque não serão dois regimes políticos jogando um contra o outro. Não serão duas ideologias jogando uma contra a outra. Serão dois times de futebol", disse.
"Se não pudermos usar nem o futebol para unir, se só quisermos causar divisão, como vamos conseguir unir o mundo?", questionou.
"E se a gente puder fazer um torneio no Irã, deveríamos fazer, porque poderíamos ajudar a melhroar as coisas. O Irã tem 80 milhões de habitantes. Você acha que todos eles são ruins? Que são monstros? Não é assim", finalizou.
