Na noite da última segunda-feira (16), a FFU constituiu um grupo de negociação para "estudar a viabilidade de formação de uma liga única de clubes". O documento assinado por todos os clubes do bloco falava em "buscar interlocução imediata com Libra e CBF, estabelecendo canais formais de diálogo para identificar convergências e construir os alicerces institucionais de uma liga unificada".
Na quarta (18), foi a vez da Libra afirmar em nota, após reunião mediada pelo Flamengo que buscava a pacificação do bloco, não restar “dúvida de que com o alinhamento interno os Clubes da Libra direcionam a conversa ao rápido avanço na formação de uma Liga Nacional em conjunto com a CBF e com a FFU”.
Eram os passos que faltavam para a CBF entrar no enroscado jogo da tentativa de criação de uma liga unificada no país. Na quinta (19), chamou os 40 clubes das séries A e B para uma reunião no início de abril.
“Acreditamos que a consolidação de uma liga passa, necessariamente, pela participação ativa e colaborativa dos clubes, respeitando suas particularidades, mas também convergindo para um projeto comum que eleve o futebol brasileiro a novos patamares de organização, competitividade e relevância global”, disse a CBF no convite feito aos clubes.
O discurso das três partes é de alinhamento inicial e rara convergência quando o assunto é a tão fala criação de uma liga.
A reportagem do ESPN.com.br ouviu diversos atores envolvidos no caso para entender, por trás dos posicionamentos em documentos elaborados nesta semana, qual o real sentimento em relação ao encontro previsto para as 14h do dia 6 de abril, em um luxuoso hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
Pelo lado da CBF, a expectativa é de finalmente se envolver na criação da liga, assumindo um papel de liderança no processo. Sem entendimento entre os blocos nos últimos anos, a entidade viu a brecha ideal para atuar como moderado neste primeiro momento e, mais para frente, entender como também pode lucrar com a sonhada unificação.
Entre os clubes, uma pequena divisão de entendimento. Se por um lado todos acreditam que, enfim, chegou o momento em que o primeiro passo efetivo pode ser dado, por outro há certa cautela em afirmar que tudo já está perto de ser resolvido. A ampla maioria entende que o caminho ainda será longo.
Entre os blocos, visões distintas. E uma percepção ainda distante de tudo, uma vez que a CBF só convidou clubes para o encontro e não cogitou ter executivos dos grupos na mesa. Na visão da confederação, ela se relaciona apenas com entidades esportivas, enquanto enxerga Libra e FFU apenas como grupos econômicos de intermediação de contratos.
A Libra, após superar o desgaste interno dos impasses com o Flamengo e viver um momento de pacificação do grupo, vê a reunião com otimismo. Já a FFU ainda quer entender o tamanho da ingerência da CBF no assunto e como eventuais cadeiras de um conselho de gestão da sonhada liga unificada serão divididas.
O pontapé inicial para uma nova reunião (quase) geral após anos de discordância foi dado, o cenário está longe de ser pessimista, mas cautela e debates prometem aparecer na mesma proporção.
