Presidente do Fluminense rebate Casares por frase sobre 'subir por cima da regra' e ironiza com foto de Sandro Hiroshi

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Casares responde presidente do Fluminense e pede 'maturidade' no futebol brasileiro: 'É constrangedor' (2:53)

O presidente do São Paulo falou sobre as polêmicas da partida contra o Fluminense no Brasileirão (2:53)

Em postagem no Instagram, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, rebateu fala de Julio Casares, mandatário do São Paulo, e aproveitou para ironizar o dirigente tricolor com uma foto de um ex-atleta do time paulista.

Nesta sexta-feira (4), Casares já havia provocado Bittencourt ao comentar a fala do cartola do Flu sobre o pedido feito pelo São Paulo para anular no STJD o recente jogo entre as equipes pelo Brasileirão.

"Se a gente voltar aos anos anteriores, vamos observar que times subiram para as divisões especiais passando por cima da regra estabelecida", disse o presidente são-paulino.

A frase foi uma clara referência ao fato do Flu ter "pulado" da Série C para a Série A em 2000, sem passar pela Série B, devido à reorganização do Campeonato Brasileiro na Copa João Havelange.

Bittencourt, por sua vez, disse que "lamentou" a fala do são-paulino e afirmou que Casares mostrou "desconhecimento sobre STJD, sobre o Fluminense e o São Paulo".

O mandatário carioca também lembrou o famoso "caso Sandro Hiroshi" (recorde abaixo) para explicar o fato do Flu não ter jogado a Série B em 2000.

Por fim, Bittencourt pediu para Casares" usar menos a mídia e as redes sociais" e "trabalhar pelo futebol brasileiro".

Vale lembrar que, nesta sexta, o presidente do São Paulo foi apontado como um dos dois representantes legais da Libra, ao lado de Rodolfo Landim, do Flamengo.

Veja a postagem de Mário Bittencourt

Lamento a entrevista do presidente do São Paulo. Demonstra desconhecimento sobre STJD, sobre o Fluminense e o São Paulo.

Em entrevista recente, fui perguntado sobre o tema e falei que, do ponto de visto jurídico, achava absurdo o pedido de tentar anular a partida por alegado erro de arbitragem.

Alegado porque, no lance, a falta foi a favor do Fluminense que não se beneficiou. Todos os princípios desportivos foram cumpridos sem interferência no resultado. Esses são os fatos.

Já a memória do presidente Julio, por quem tenho o maior respeito, vou refrescar um pouco.

Em 1996, um escândalo de arbitragem envolvendo outros clubes gerou o não rebaixamento de Fluminense e Bragantino. Por isso jogamos a Série A em 1997.

Em 1999, novo problema envolveu justamente o clube do presidente. Quem não se lembra do São Paulo ter escalado jogador com identidade adulterada (Sandro Hiroshi) para ganhar do Botafogo e depois ver os pontos revertidos ao clube do Rio?

A ação na Justiça comum foi do Gama para que o Botafogo fosse rebaixado, o que gerou a Copa João Havelange. Como os pontos foram dados ao Botafogo, o clube de Brasília foi à Justiça e impediu a realização do campeonato do ano 2000.

Viu, presidente? Por uma irregularidade do São Paulo não houve rebaixamento em19 99 e o beneficiado direto não foi o Fluminense.

Por fim, em 2013, dois clubes escalaram jogadores irregulares na última rodada e foram denunciados pelo STJD. O Fluminense foi terceiro interessado e exigiu apenas o cumprimento da regra, que previa a retirada de pontos dos clubes infratores.

Em nenhum dos casos o Fluminense infringiu a regra. Exatamente como agora, em jogo no qual venceu por 2 a 0, sem nenhum erro que o beneficiasse.

Imagine, presidente Julio, se a moda pega e a cada rodada os clubes adotem medidas como a sua? Terminaremos o campeonato quando? Assim que vamos falar em Liga?

Ao longo de 2023 o Fluminense foi prejudicado diversas vezes, mas não buscou anular partidas no STJD.

Presidente Julio, vamos usar menos a mídia e as redes sociais e trabalhar pelo futebol brasileiro. Você é muito importante para o futuro da Liga.

O caso Sandro Hiroshi

Sandro Hiroshi foi um jogador que esteve nos holofotes no futebol brasileiro em 1999. Na ocasião, o atacante defendia o São Paulo e teve o "gato" (adulteração de idade) descoberto pelo jornal Folha de S. Paulo.

Vice-artilheiro do Paulistão daquele ano pelo Rio Branco, de Americana, ele foi negociado com o São Paulo. Mas a documentação da transferência entre os clubes deflagrou o "gato". O Tocantinópolis-TO, time que Hiroshi defendeu na infância, exigia uma quantia pela transferência.

Nascido em 1979, ele apresentou documento com nascimento para 1980. Foi aí que a CBF reconheceu o erro, mas ainda assim autorizou a utilização do atleta. Em um dos jogos, Hiroshi chegou a marcar pelo São Paulo contra o Botafogo - vitória por 6 a 1.

O Tocantinópolis-TO, time que o jogador defendeu na infância, alertou os cariocas sobre a situação. O Botafogo entrou na Justiça para recuperar os pontos, assim como Inter, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e Guarani. Na época, o Botafogo conseguiu recuperar pontos suficiente para não cair.

Por outro lado, o Gama acabou ocupando o lugar do Botafogo. A equipe do Distrito Federal chegou a entrar na Justiça Comum por conta de todo o imbróglio e ganhou o direito de continuar na elite.

Diante deste cenário, com a CBF impedida de organizar o Campeonato Brasileiro do ano de 2000, o extinto Clube dos 13 foi o responsável por organizar a Copa João Havelange. A competição contou com a participação do Botafogo, do Gama, além de Fluminense, América-MG e Bahia, que estavam na Série B. Esse seria o fato citado por Casares do Fluminense não ter disputado a Série B após ganhar a Série C em 1999.

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