4-6-0: o dia em que Dorival inovou e armou esquema 'inusitado' pelo Inter para enfrentar o São Paulo

Nesta quarta-feira (13), Dorival Júnior comandará o São Paulo contra um rival que conhece bem. O treinador dirigiu o Internacional entre 2011 e 2012, em uma passagem marcada, além dos títulos, justamente por uma partida contra o time em que está atualmente.

No dia 12 de outubro de 2011, o treinador precisou improvisar uma escalação por causa da ausência de Leandro Damião e a má fase de Jô. Por isso, decidiu escalar um time sem atacantes, em um esquema 4-6-0, povoando bastante o meio-campo, mas deixando a equipe sem uma referência mais avançada.

Podemos dizer que a estratégia, até certo ponto, deu certo. Na época, o Inter conseguiu segurar um 0 a 0 fora de casa com o Tricolor, que sonhava com o título do Brasileirão e vinha em um bom momento na temporada. Na partida seguinte, Dorival optou pela volta de Jô, mas foi depois que tirou o atacante de campo que o time construiu o resultado de 4 a 2, com uma grande atuação de D'Alessandro, autor de dois gols e uma assistência.

Na época, o treinador justificou a inusitada escolha.

"Eu perdi o Damião por muitas rodadas e o Jô, que eu gostava muito, seguia oscilando. Contra o São Paulo, lá em Barueri, eu lembro de ter tirado o Dellatorre, porque ele tinha dificuldade de jogar de costas, como pivô. Botei o João Paulo de armador e o D'Alessandro solto na frente. Mesmo sem atacante, tivemos três ou quatro chances claras na frente do goleiro. Depois contra o Avaí eu tomei vaia do Beira-Rio inteiro quando tirei o Jô, mas conseguimos vencer por 4 a 2. Eram situações específicas daquele momento".

De acordo com ele, a vantagem que a equipe adquire quando fica com seis meias em campo é que os zagueiros adversários perdem a referência. "Nós vimos o Tinga dentro da área, o Kleber fazendo gol. Não tendo uma opção, você tem que buscar alternativas".

Apesar da estratégia não ter durado e o Inter ter voltado a atuar com atacantes, dá para afirmar que esses dois resultados foram importantes para impulsionar o time daquele ano, quando alcançou a 5ª colocação no torneio nacional e garantiu uma vaga na CONMEBOL Libertadores do ano seguinte.

Mesmo com o bom rendimento e os títulos da CONMEBOL Recopa e do Campeonato Gaúcho, Dorival foi demitido alguns meses depois. Ao todo, ele comandou o time em 63 partidas, com 33 vitórias, 12 derrotas e 18 empates, um aproveitamento de 61,9%.

Para essa quarta-feira, a situação de Dorival é diferente. Ele tem quase todos os jogadores do São Paulo à disposição, até mesmo os atacantes Calleri e Luciano e deve mandar para o campo o que tem de melhor, já pensando em deixar o time preparado para a primeira final da Copa do Brasil, contra o Flamengo, no próximo domingo.

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