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Perícia analisa Botafogo, vê 'estrangulamento do fluxo de caixa' e diz que SAF só sobrevive por dinheiro de terceiros

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Terrorismo, possível venda de Barboza e mais: Eagle ataca Textor e tenta recuperar SAF do Botafogo (1:22)

A petição, à qual a ESPN teve acesso, tem 48 páginas e 211 itens listados (1:22)

Na última segunda-feira (4), os administradores nomeados pela Justiça no caso do pedido de recuperação judicial feito pela SAF do Botafogo enviaram à 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um relatório completo das finanças do clube, além de uma análise contábil feita por um perito.

A conclusão da perícia é que a SAF do Glorioso é "operacionalmente viável", mas enfrenta "grave desequilíbrio financeiro e patrimonial" e tem a recuperação judicial como "instrumento essencial" para tentar recuperar a equipe, que precisa urgentemente de "reestruturação do passivo, preservação do caixa e reorganização da governança".

O relatório, ao qual a ESPN teve acesso, afirma que o Botafogo vive situação de "estrangulamento do fluxo de caixa" e teve sucessivos prejuízos nos últimos anos, o que evidencia que as receitas do clube, apesar de terem crescido, não acompanharam o volume dos gastos. Por isso, a análise é que o time segue sendo extremamente dependende da injeção de dinheiro por parte de terceiros.

"Os índices de liquidez permaneceram abaixo de 1,0, indicando insuficiência de ativos realizáveis para cobertura integral das obrigações. Além disso, o endividamento geral permaneceu acima de 100% em todo o período, evidenciando elevada dependência de capital de terceiros", reportou a perícia.

O documento também mostra preocupação com o "crescimento expressivo das obrigações de curto e longo prazo", especialmente em "fornecedores e contas a pagar, obrigações tributárias e passivo não-circulante".

"O patrimônio líquido permaneceu negativo em todos os exercícios analisados, com deterioração progressiva até 2025, refletindo a acumulação de prejuízos e a manutenção de passivo a descoberto", apontou.

A análise ainda salienta que, em 2025, o Botafogo conseguiu gerar boa receita através da negociação de jogadores, mas que isso foi insuficiente para reverter a "reverter a fragilidade econômico-financeira" da SAF.

"Os elementos analisados indicam crescimento patrimonial concentrado em ativos de menor liquidez, aumento das obrigações, deterioração do patrimônio líquido, operação recorrente deficitária, prejuízos sucessivos e pressão sobre a liquidez. Embora a companhia tenha apresentado geração operacional de caixa e efeitos positivos decorrentes de transações de direitos de atletas, tais fatores não foram suficientes para reverter a fragilidade econômico-financeira observada no período analisado", complementou.

Por fim, os advogados responsáveis pelo caso destacaram a importância histórica e econômica do Botafogo e salientaram à Justiça que enviaram toda a documentação necessária para que a recuperação judicial seja totalmente aprovada e tenha sequência.

"Destaque-se ainda a notoriedade da SAF Botafogo para a história do esporte brasileiro, sua relevância na geração de empregos, pagamento de impostos e produção cultural, bem como o impacto desta pessoa jurídica na vida de milhares de torcedores apaixonados, levando a crer, ao menos preliminarmente, na sólida perspectiva positiva de seu soerguimento", ressaltaram.

Vale lembrar que a 2ª Vara Empresarial deferiu parcialmente a tutela e antecipou alguns dos efeitos da recuperação judicial, como a suspensão das execuções por 60 dias, a manutenção dos considerados "contratos essenciais", a suspensão dos direitos políticos do grupo Eagle e a nomeação de um gestor temporário para a SAF (Durcesio Mello).

Como também mostrou a ESPN nesta terça-feira (5), a Eagle "contra-atacou" e agora tenta recuperar seu poder através do poder judiciário, além de afastar de vez John Textor e Durcesio da SAF.

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