Barcelona corre risco de punição por escândalo com ex-árbitro? Entenda cenários e posição de chefão de LaLiga

Escudo do Barcelona em prédio durante treino do time espanhol em 2022 Getty

Javier Tebas, presidente de LaLiga, se manifestou sobre o caso envolvendo o Barcelona e os pagamentos de R$ 7,8 milhões, entre 2016 e 2018, do clube à empresa DASNIL 95 SL, pertencente a José María Enríquez Negreira, ex-árbitro que ocupava o cargo de vice-presidente da Comissão Técnica de Árbitros (CTA). O dirigente explicou que, na esfera esportiva, o clube não será punido.

Isso acontece por que, com base na nova Lei do Esporte da Espanha, aprovada em 2022, mesmo as infrações gravíssimas prescrevem em três anos - as graves, em dois; e as leves em seis meses. Ou seja, uma punição como rebaixamento no Campeonato Espanhol fica mais distante.

"Estamos falando de punições que não podem acontecer porque passaram cinco anos e as sanções se prescrevem em três anos. A nível esportivo, não é possível o Barcelona ser punido", disse o dirigente, em um comunicado em vídeo.

Não quer dizer, porém, que o Barcelona não corra qualquer risco no futuro. Neste momento, o Ministério Público da Espanha ainda investiga o caso e pode decidir por indiciar o clube como pessoa jurídica por um possível crime de corrupção esportiva. E aí caberia sanções.

"O Ministério Público está investigando se pode existir um possível delito de corrupção de manipulação no âmbito esportivo. Vamos ver como termina essa investigação. Vamos esperar e respeitar a investigação. Se o Ministério Público decidir por uma denúncia, tomaremos decisões a partir disso", completou Tebas.

Como o Barcelona poderia ser punido?

Há alguns episódios de corrupção no esporte que foram investigados pela Justiça da Espanha nos últimos anos. O mais famoso deles, talvez, o que ficou conhecido como "Caso Levante-Zaragoza", que apurou uma possível manipulação de resultados em um jogo entre os clubes na temporada 2010/11 de LaLiga.

Assim como aconteceria agora com o Barcelona, na esfera esportiva, o caso já havia prescrito quando aconteceu o julgamento. O Ministério Público, no entanto, entendeu que havia indícios suficientes para indiciar o Zaragoza como pessoa jurídica.

O clube corria risco, por exemplo, de ter seu registro cassado, o que o impediria, caso condenado, de disputar qualquer competição, incluindo o Campeonato Espanhol, claro. Seria uma das penas mais pesadas entre as possíveis - outras seriam sanções econômicas. Acontece, porém, que a equipe acabou absolvida.

Do que o Barcelona é acusado?

O Barcelona está sendo investigado pelo Ministério Público da Espanha pelo pagamento de 1,4 milhão de euros (R$ 7,8 milhões) à empresa DASNIL 95 SL, pertencente a José María Enríquez Negreira, antigo árbitro de LaLiga e que ocupava o cargo de vice-presidente da Comissão Técnica de Árbitros (CTA), entre 2016 e 2018. A informação foi divulgada pela rádio Cadena SER.

A investigação do MP se dá por conta de três possíveis irregularidades na tributação dos exercícios econômicos envolvendo as transações. De acordo com os documentos em que o veículo espanhol teve acesso, o ex-árbitro "não apresentou qualquer documento que comprovasse que era um serviço ao Barcelona".

Em depoimento ao Ministério Público, executivos do Barcelona afirmaram que as faturas eram apoiadas por relatórios técnicos recebidos de Javier Enríquez Romero, filho do ex-árbitro José María Enríquez Negreira e administrador da DASNIL 95 SL entre 2014 e 2019.

Em entrevista à Cadena SER, Enríquez Negreira admitiu ter trabalhado exclusivamente para o Barcelona, mas afirmou que jamais favoreceu os catalães em nenhuma decisão ou nomeação de árbitros e que sua relação com o clube do Camp Nou era apenas de 'conselheiro verbal', uma espéciE de assessoria aos atletas de como se comportarem diante da arbitragem.

Josep Maria Bartomeu, ex-presidente do Barça, afirmou à Cadena SER que os pagamentos ocorriam 'pelo menos desde 2003', quando chegou ao clube, e que foram encerrados em 2018 por conta da política de corte de gastos.

O que disse o Barcelona sobre as acusações?

Poucas horas depois da divulgação das informações pela Cadena SER, o Barcelona emitiu um comunicado oficial em seu site afirmando ter contratado os serviços do ex-árbitro, destacando que a prática é comum em equipes profissionais e que tomará medidas legais caso haja possíveis insinuações contra a imagem do clube.

Veja abaixo:

"Diante da informação veiculada hoje no programa "Què t'hi jugues" do "Ser"Catalunya", o FC Barcelona, ​​​​ciente dos fatos que a Procuradoria está investigando sobre pagamentos feitos a empresas externas, quer deixar claro:

Que o FC Barcelona contratou no passado os serviços de um consultor técnico externo, que forneceu, em formato de vídeo, relatórios técnicos referentes a jogadores de categoria inferior na Espanha para a secretaria técnica do Clube.

Adicionalmente, o relacionamento com o próprio provedor externo foi ampliado com relatórios técnicos relacionados à arbitragem profissional, de forma a complementar as informações exigidas pela comissão técnica do time principal e da subsidiária, prática comum em clubes de futebol profissional.

Atualmente, esse tipo de serviço terceirizado cabe a um profissional alocado na Área de Futebol.

O FC Barcelona lamenta que esta informação apareça justamente no melhor momento esportivo desta temporada.

O FC Barcelona tomará medidas legais contra qualquer pessoa que prejudique a imagem do Clube com possíveis insinuações contra a reputação da entidade que possam surgir como resultado desta informação."