Analisamos quem se deu bem e quem se deu mal na janela de transferências que se encerrou nesta semana na Europa
Diante dos desafios financeiros da pandemia causada pela COVID-19, a janela de transferências de janeiro foi surpreendentemente movimentada na Europa.
Na Premier League, por exemplo, os gastos na casa de 335 milhões de euros (R$ 2 bilhões) ficaram na segunda posição mais alta nesse período na história, segundo números do site especializado Transfermarkt. Negócios como o do Liverpool por Luis Diaz (por 45 milhões de euros ou R$ 272 milhões) ou do Newcastle por Bruno Guimarães (42,1 milhões de euros ou R$ 254 milhões) foram destaques.
Mas clubes como Tottenham, Everton e Aston Villa também desembolsaram uma boa quantia de dinheiro para se reforçar no meio da temporada, enquanto Manchester City fechou um acordo por Julian Alvarez, do River Plate, e o mandou de volta por empréstimo até o meio do ano.
As equipes europeias gastaram um total de 378 milhões de euros (R$ 2,2 bilhões), com 175 milhões de euros (R$ 1,05 bilhão) no Italiano, 75 milhões de euros (R$ 453 milhões) em LaLiga, 66 milhões de euros (R$ 399 milhões) no Francês e mais 62 milhões de euros (R$ 375 milhões) na Bundesliga.
Destaques para a Juventus, que pagou 70 milhões de euros (R$ 423 milhões) para contratar Dusan Vlahovic, e ao Barcelona, com 55 milhões de euros (R$ 332 milhões) para tirar Ferran Torres do City.

Quem foi bem no mercado
Juventus
Embora a Juventus tenha demorado algumas semanas para começar “os trabalhos”, sua atuação no mercado de transferências foi brilhante. Não apenas os gigantes de Turim contrataram o artilheiro do Italiano, Vlahovic, da Fiorentina, por 70 milhões de euros (mais outros 10 milhões de euros caso metas sejam batidas) à frente de seus rivais, mas também conseguiram o meio-campista Denis Zakaria por 5 milhões de euros (R$ 30 milhões), já que seu contrato com o Borussia Monchengladbach tinha apenas mais cinco meses de duração.
Se isso não bastasse, a Juventus fez uso de sua relação com o diretor do Tottenham, Fabio Paratici, para encontrar uma nova casa para o meia Dejan Kulusevski (empréstimo com uma obrigação de compra em 35 milhões de euros) e o meio-campista Rodrigo Bentancur (19 milhões de euros), enquanto enviou Aaron Ramsey por empréstimo ao Rangers da Escócia.
Vlahovic, no entanto, foi a contratação da janela, e a Juve se saiu incrivelmente bem para descobrir uma maneira de conseguir seu alvo número 1. Só o tempo dirá, porém, se tudo deu realmente certo, considerando que o time corre risco de perder vaga para a Champions League da próxima temporada.
Barcelona
De estar à beira da ruína financeira, incapaz de registrar jogadores em LaLiga como resultado de restrições salariais, até a contratação do atacante Ferran Torres, do Manchester City, por 55 milhões de euros, representa uma reviravolta dramática para os catalães. Com dívidas de 1,4 bilhão de euros pairando sobre eles, o Barcelona não estará propriamente fora de perigo por algum tempo, mas a aquisição do espanhol de 21 anos é um grande avanço.
O retorno do jovem treinado na La Masia Adama Traore, emprestado pelos Wolves, acrescenta objetividade e velocidade pelos lados do campo, o retorno de Dani Alves, de 38 anos, traz liderança ao vestiário, enquanto que uma transferência gratuita do atacante do Arsenal Aubameyang vê uma ameaça de gol relevante no ataque após a triste aposentadoria de Sergio Aguero.
Há dois meses, quase ninguém, além do presidente Joan Laporta, conseguia ver o Barcelona sair da janela de transferências de janeiro com um elenco tão melhorado. Somente o fracasso em negociar Ousmane Dembele foi um ponto negativo (mais sobre isso depois), embora eles tenham finalmente conseguido se livrar dos salários de Philippe Coutinho com um empréstimo ao Aston Villa.
Newcastle
Na sequência de boatos iniciais de que a aquisição do clube apoiada pela Arábia Saudita os iria levar a comprar jogadores como Kylian Mbappe e Erling Haaland, a sua estratégia era de fato de uma natureza mais prudente.
O lateral Kieran Tripper (15 milhões de euros), do Atlético de Madrid, foi uma contratação bastante conservadora, mas sensata, que oferecerá qualidade bem como liderança dentro e fora do campo, enquanto que o atacante ex-Burnley Chris Wood, de 30 milhões de euros - apesar de um desempenho recente pouco convincente em termos de gols - está familiarizado com as exigências de uma luta contra o rebaixamento da Premier League. O mesmo pode ser dito sobre o zagueiro versátil ex-Brighton Dan Burn (20 milhões de euros), que dará ao treinador Eddie Howe opções úteis na defesa.
A aquisição de Bruno Guimarães do Lyon no valor de 42,1 milhões de euros, entretanto, pode estar mais próxima do perfil de jogador que os torcedores esperam mais no futuro. O brasileiro é um meio-campista veloz, seguro na posse de bola, bom em duelos, é criativo nos passes e capaz de encontrar corredores dando profundidade ao time. De fato, com sua capacidade de organizar o meio-campo, o jogador de 24 anos pode ser o elo que faltava e que melhora as chances de permanecer na Premier League.
Christian Eriksen
O retorno do dinamarquês é sem dúvida a contratação mais bem acolhida da janela de transferência de janeiro. Quase oito meses após sofrer uma parada cardíaca em campo durante uma partida da fase de grupos da Euro 2020 contra a Finlândia, Eriksen - que não pôde continuar sua carreira na com a Inter de Milão depois de ter um desfibrilador implantado, já que o aparelho não é permitido no Italiano - tem agora uma maravilhosa oportunidade de jogar na Premier League pelo Brentford. O ex-meia do Tottenham acrescentará visão, inteligência, vasta experiência e sua marca registrada, a capacidade de ajudar os Bees a construir uma temporada de estreia respeitável na Premier League.
Quem foi mal no mercado
Arsenal
Mesmo que os Gunners estejam em sexto lugar na Premier League e tenham mostrado sinais de que podem brigar por competições europeias na próxima temporada, era de se esperar que Edu Gaspar, o diretor técnico do clube, tivesse um ás na manga em janeiro. Em vez disso, o clube não contratou ninguém – a não ser o acordo por Trusty e Turner – e deixou sair vários jogadores do elenco, como Calum Chambers (Aston Villa, grátis), Pablo Mari (Udinese, empréstimo), Ainsley Maitland-Niles (Roma, empréstimo) e Sead Kolasinac (Olympique de Marselha, grátis).
Deixar Pierre-Emerick Aubameyang (Barcelona) sair gratuitamente no último dia, sem contratar um substituto, foi uma aposta arriscada. Mikel Arteta sentiu claramente que não podia trabalhar com o ex-capitão, mas o elenco agora parece incrivelmente curto. Ainda mais impressionante é que as únicas opções de ataque de Arteta, Alexandre Lacazette e Eddie Nketiah, estão ambos com seu contrato chegando ao fim no meio do ano.
A ameaça de gol do Arsenal (eles marcaram apenas uma vez em todo o mês de janeiro) terá agora que vir de jovens meia-atacantes ou pontas como Gabriel Martinelli, Bukayo Saka, Emile Smith Rowe e Martin Odegaard. E os torcedores esperam que não ocorram lesões.
Ousmane Dembele
Depois de uma discussão pública sobre seu novo contrato, o francês pode enfrentar uma espera de cinco meses nas arquibancadas até que seu contrato termine no meio do ano. O Barça pagou 105 milhões de euros (subindo para um potencial de 145 milhões de euros) ao Borussia Dortmund em 2017, mas Dembele não justificou o investimento e esteve em contato com vários clubes, incluindo Paris Saint-Germain, Manchester United, Chelsea e Tottenham.
As tentativas criativas de manter o jogador com novas condições foram em vão, ao mesmo tempo em que o jogador recusou uma transferência para a Premier League no último dia do prazo, disseram fontes à ESPN. Com muitas palavras trocadas entre as partes no processo, é difícil ver um caminho de volta para o jogador de 24 anos, extremamente talentoso, que é tão sujeito a lesões quanto é implacável em campo.
Manchester United
Tendo deixado Van de Beek (Everton, empréstimo) e Anthony Martial (Sevilla, empréstimo) saírem e com Mason Greenwood fora de ação por tempo indeterminado após ser preso por suspeita de estupro e agressão, o United procurou por uma ou duas contratações tarde demais.
Além de não ter contratado novos atacantes, especialmente pontas, o clube também não conseguiu resolver algumas de suas limitações óbvias e antigas no elenco. Uma novidade no centro do meio-campo (um 6 ou um 8) nunca chegou, nem um lateral completo de alta qualidade em ambos os lados. Com o quarto lugar na Premier League ainda em disputa, a falta de investimento no meio da temporada pode voltar para assombrar os Red Devils.
