<
>

Conheça o VF4, time de Victor Ferraz que já enviou mais de 60 atletas para o Brasileirão e que começa a crescer no futebol feminino

’Menina dos olhos’ de Victor Ferraz, o VF4 se firmou na Paraíba como um clube formador de jovens na Paraíba


Todo jogador percorreu um longo caminho até chegar ao futebol profissional. Com Victor Ferraz não foi diferente. Hoje, o experiente lateral tenta ajudar novos jovens com o seu próprio clube, o VF4, na Paraíba.

“A gente começou o projeto há quatro anos. Mas eu saí da Paraíba com 11 anos, para tentar a vida de jogador. Aqui, sempre tivemos muita dificuldade com base, formação de atletas. Hoje, está até melhorando, mas sempre foi um sonho meu de ajudar a molecada da minha região. A forma que a gente achou foi de iniciar o projeto, inicialmente só com o masculino”, disse em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

“A gente estava muito embrionário, aprendendo como crescer, e tivemos a oportunidade de começar no feminino. Agora, o projeto vem crescendo bastante, vamos inaugurar o centro de treinamento nos próximos meses, dar mais condição de trabalho para todo mundo. Eu não achava que iria ter um crescimento tão grande em tão pouco tempo”, completou.

Atualmente, o clube opera alugando um campo e fazendo parceria com academias para conseguir dar estrutura aos atletas, dividindo o horário de cada categoria. Um centro de treinamento, porém, será inaugurado com estrutura própria.

Ao todo, mais de mil jovens já passaram pelo projeto. Em 2021, o clube mandou 60 atletas para as categorias de base de equipes do Brasileirão e da Série B, onde foram avaliados.

Clubes como Atlético-MG, Grêmio, Flamengo e Fluminense são alguns que já captaram atletas, tanto no masculino, como no feminino.

“O feminino é muito recente, a gente iniciou no ano passado, fomos campeões paraibanos na nossa primeira disputa, ganhamos do Botafogo, que dos últimos sete campeonatos tinha ganho seis. A gente foi campeão, dentro da casa deles, foi bem dramática. Mas agora tivemos a Cidiele indo para o Fluminense, é uma volante de 17 anos, com muita capacidade, muito talentosa”, contou.

Se não tiver uma lesão grave, não se perder no meio do caminho, é jogadora para nos representar na seleção brasileira. Tivemos outra atleta indo para o Red Bull Bragantino, outra com o Cruzeiro procurando. E é preocupante, porque eu estou ficando sem time (risos). Mas a gente fica muito feliz, e o VF4 é para isso”.

O time feminino é, inclusive, um braço recente do clube. Mesmo assim, em seu primeiro ano, a equipe profissional conquistou o estadual e garantiu vaga na série A3 do Brasileirão, algo que trouxe ainda mais visibilidade. Mas a procura de meninas por vagas no time já existia há mais tempo.

“Quando a gente abriu o feminino, contratamos algumas garotas através de vídeos e indicações de empresários, outras vieram pelo treinador e o resto encontramos em peneira. E a procura era muito grande, para 300, 400 garotas. A gente vai aprendendo que, no feminino, a procura também é muito grande. Foi só a gente se organizar e ter a estrutura para elas”, afirmou.

“As meninas foram que abriram o CT. Tínhamos os campos prontos e um vestiário médio pronto. A gente decidiu iniciar com as meninas, e os meninos ficaram com raiva. ‘Po, a gente está aqui há quatro anos, elas chegaram agora e já estão sentando na janela’. Eu falei para segurarem, que eles são molecada ainda (risos). A gente fez dessa forma e foi coroado com o título”, brincou.

A criação do time feminino foi um desejo que surgiu em Victor no período em que atuava no Santos, quando teve contato com as Sereias da Vila e mudou até mesmo sua visão sobre o assunto.

“O futebol feminino, eu criei uma ligação com as meninas por causa do Santos. Eles têm as Sereias da Vila, e eu tinha muito contato com as meninas. O Santos sempre foi um clube que investiu bastante e eu sempre achei muito legal. Abriu muito minha cabeça sobre isso. Lembro das primeiras vezes que fui ver as Sereias treinando fiquei muito impressionado, porque a gente vai com um pensamento preconceituoso e vê um profissionalismo absurdo, muito talento”, relembrou.

E a surpresa não foi exclusividade sua. Victor afirmou que, quando levava outras pessoas para assistirem aos jogos, todas se impressionavam com a qualidade do futebol apresentado.

“A gente viu isso na Paraíba, porque, quando abrimos o futebol feminino, eu consegui acompanhar a preparação e o campeonato. Eu estive presente em todos os jogos. E todas as pessoas que eu levava, que poderia ser potenciais patrocinadores, tinham a mesma reação quando viam um jogo nosso. O time era bom, muito organizado, todos ficavam: ‘Victor, eu não sabia que era assim’. É questão de tempo para todos os clubes serem assim. A sociedade pede isso, que cada vez as coisas sejam mais iguais”, finalizou.