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Presidente diz que Atlético-MG estaria na Série B sem investidores e revela sugestão de Menin que 'colocou' Diego Costa no clube

Presidente do Atlético-MG, Sérgio Coelho foi o convidado da edição #24 do podcast Rolou o Melão e falou sobre como conduz o clube ao lado dos investidores Renato Salvador, Ricardo Guimarães, Rafael e Rubens Menin


A 'matemática' no Atlético-MG é clara: 13 partidas pela frente e mais 39 pontos em disputa para que o clube possa colocar fim a um jejum que já dura quase cinco décadas. Conquistar o Campeonato Brasileiro novamente ficou um pouco mais perto após a vitória de virada contra o Santos, na última quarta-feira (13).

E um dos responsáveis pela missão de tentar encerrar a angustia atleticana é Sérgio Coelho, que desde janeiro de 2021 ocupa a cadeira de presidente do clube.

O dirigente foi o convidado no episódio#24 do Rolou o Melão, podcast original da ESPN Brasil com Gustavo Zupak, Eugênio Leal e Mário Marra, que debate os principais temas do futebol brasileiro.

Vice-presidente nas gestões de Nélio Brant e Ricardo Guimarães, Coelho retornou ao clube em um momento de pujança financeira e com elenco recheado de estrelas. Mas para isso, foi preciso um poder de convencimento nos bastidores atleticanos.

“Saí do Atlético no final de 2006. Fiquei durante oito anos como vice-presidente em um momento muito difícil, a situação na época era complicadíssima. Assumimos o clube com muito pouco experiente em gestão de futebol, e tivemos acertos e erros. Quando saí foi com uma decisão de não voltar mais a lidar com o futebol. Como conselheiro, fazia tudo o que podia fazer, fazendo meu papel como conselheiro, votando”, afirmou Sérgio Coelho, revelando o momento em que entram em cena alguns nomes que nomes que caíram nas graças dos atleticanos nos últimos anos: Renato Salvador, Ricardo Guimarães, Rafael e Rubens Menin.

“Em um determinado momento no ano passado recebi um telefonema do Rubens Menin, que é uma pessoa da minha relação de muito tempo, a gente faz filantropia juntos, dizendo que estava em reunião com o Rafael [Menin], filho dele, o Ricardo Guimarães, Renato Salvador, e outros amigos lá do Conselho, e que eles queriam conversar comigo. Eu nunca imaginava ou havia pensado em ser presidente do clube”.

“Sabia a dificuldade que é a parte financeira. A questão da gestão administrativa, do futebol, isso nunca me preocupou. Mas quando se fala em gestão financeira, eu não tinha a menor capacidade de estar assumindo um clube o qual eu conhecia muito”.

Segundo relatório financeiro do primeiro semestre de 2021, o Atlético-MG tem uma dívida na casa de R$ 1,32 bilhão, mas 'apenas' R$ 120 milhões desse montante são referentes a contas de curto prazo.

“Quando me fizeram o convite eu até assustei. Me deu uma agoniazinha. Pensei: 'Não me vejo como presidente do Atlético e nem me sinto tão preparado devido à parte financeira'. Mas eu senti neles durante algumas conversas a vontade de continuar ajudando Atlético. E para que eles cumprissem com o que estão fazendo hoje, que é ajudar, eles precisavam de uma pessoa que pudesse estar assumindo a presidência. E para achar um presidente dentro do Conselho não é tão fácil. Nosso Conselho tem 370 pessoas, mas a maioria não quer ser o presidente. Outros já estão com a idade um pouco avançada. Cada um tem seu problema, e você vai afunilando muito. Presidente do Atlético não escolhe indo no mercado e contratando”.

“Achei que não poderia ser omisso. Se cabe a mim assumir o Atlético para que eles possam nos ajudar, eu vou aceitar. Mas desde que eles também participassem. E sugeri que a gente fizesse um colegiado, que são os 'quatro erres', eu e meu vice, e que juntos a gente administrasse o clube tomasse a decisões mais importantes através desse colegiado”.

Mas como funciona a divisão das decisões dentro deste colegiado? Há maior peso por parte dos investidores que patrocinam e viabilizam a departamento de futebol do Atlético-MG? Para Sérgio Coelho, a figura do presidente não é uma ‘Rainha da Inglaterra’ no clube, mas todas as grandes decisões passam por este colegiado.

“Tem um ditado popular que diz: 'quem paga a banda escolhe a música'. Onde existe pessoas que têm o mesmo objetivo, que pensam igual, que estão ali para trabalhar e que se proponham a trabalhar esse modelo, não existe dificuldade de lidar. O que se vê de fora não me incomoda nada”, afirmou Coelho, lembrando que a situação do clube poderia ser caótica se não fosse pela intervenção do grupo.

“Eu faço muito questão de dizer que se o clube está hoje na condição que está é por essas pessoas ajudando. Se não tivesse a participação, o Galo estaria entre os clubes com maiores problemas financeiros do Brasil. O Galo estaria esse ano na segunda divisão. Tinha caído do ano passado para cá. Para vocês terem a grandeza do que eu estou falando, em números, nós pagamos quase R$ 100 milhões em dívidas na Fifa durante o meu mandato. Onde iriamos pagar esse dinheiro para pagar? O que eu estou dizendo aqui, o meu antecessor, o Sérgio Sette Câmara, sabe tanto quanto eu. Foi ele o primeiro que disso isso”.

“Eu tenho muito prazer em dizer que eles me ajudam a tomar as decisões. E como eu disse anteriormente, foi uma condição que eu coloquei para aceitar. Não existe quem quer mandar mais do que o outro. Nós resolvemos as coisas conversando, debatendo profissionalmente, como negócio. E aquilo que a maioria achar que deve ser feito, é feito”, afirmou o cartola, que recordou como uma decisão tomada em conjunto foi decisiva para a chegada de um dos grandes reforços do clube em 2021: Diego Costa.

“Nós estávamos para contratar um centroavante. Apareceu o nome, e quando coloquei para o Rafael Menin, o Rafael: 'Sergio, você não acha que a gente precisava de um melhor?'. Eu falei: 'É claro'. Vamos buscar um melhor? Vamos. E trouxemos o Diego Costa. Se eu não levasse aquela decisão a ser tomada, discutida, ele não teria dado a sugestão. Mas nós ali, eu e o Rodrigo [Caetano] estávamos ali achando que seria um jogador caro para o momento do Atlético”.