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São Paulo e Daniel Alves anunciam rescisão de contrato, e jogador fica livre no mercado

São Paulo e Daniel Alves anunciaram oficialmente nesta quinta-feira a rescisão do contrato entre ambas as partes, que iria até o fim de 2022.

Dessa forma, Daniel Alves fica livre no mercado para assinar com qualquer clube, tendo até a possibilidade de jogar em outra equipe no futebol nacional, já que só fez seis partidas pela Série A do Brasileirão.

Daniel Alves chegou ao Morumbi diante de 44 mil torcedores no dia de sua apresentação, em agosto de 2019. Com a camisa 10, o lateral teve uma relação de desgaste com a torcida e o clube, que acumulou neste período uma dívida de mais de R$ 18 milhões com ele ao não pagar os cerca de R$ 1,5 milhão mensais que havia comprometido com o atleta.

De acordo com apuração da reportagem de Eduardo Affonso da ESPN, o acordo prevê o pagamento de R$ 18 milhões aos quais Alves já tem direito, mais parte do restante que ele teria para receber até o teórico final de seu contrato, em dezembro de 2022.

Daniel Alves passará a receber o valor a partir de janeiro de 2022, com o montante sendo parcelado em vários anos.

A estimativa é que o São Paulo pague menos do que os R$ 30 milhões que eram especulados no acordo. Esse valor seria condensado em um "bolo" único e dividido em vários anos, com Dani Alves recebendo uma quantia mensal.

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Relembre abaixo a conturbada passagem de Daniel Alves pelo São Paulo:

O sonho de criança

Mesmo quando ainda era um jogador de elite na Europa, Daniel Alves afirmou em algumas ocasiões que era torcedor do São Paulo na infância e que gostaria algum dia de defender o clube. O dia chegou em agosto de 2019, quando ele foi contratado e apresentado diante de 44 mil torcedores no Morumbi, com a presença de ídolos como Kaká e Raí.

Naquele dia, após se ajoelhar e beijar o símbolo do clube na lateral do estádio, o jogador afirmou: "Sabe que hoje estou realizando um sonho de criança, sonhei muito por esse momento. Esse momento chegou, e só tenho a dizer ao São Paulo que hoje eles não estão contratando um jogador, mas um torcedor do São Paulo".

Euforia na estreia e ilusão de parcerias para pagar salário astronômico

No dia 18 de agosto de 2019, na sua estreia pelo clube em pleno Morumbi, Daniel Alves marcou o gol da vitória sobre o Ceará pelo Campeonato Brasileiro. Ali, a relação dava indícios de que poderia render frutos.

Menos de um mês após sua chegada, a torcida se espantou com as quantias de salário comprometidas com o atleta, que giraria na casa dos R$ 1,5 milhão mensais.

"O nosso projeto Daniel Alves, quando a gente assinou o contrato longo com ele, não é para conseguir todos os parceiros nos primeiros seis meses de contrato. Isso pode acontecer ao longo do tempo, com a performance dele, com a ida à Seleção. Às vezes a Copa do Mundo, esse mercado vai estar mais aquecido. Do mesmo jeito que nosso projeto esportivo é longo, esse projeto de arrumar parceiro também é longo. Temos equipes internas e externas trabalhando nisso e temos certeza de que as oportunidades vão aparecer em breve", disse Alexandre Pássaro, gerente de futebol do São Paulo, à época.

O próprio Daniel Alves avaliou seus vencimentos como "baratos". "Sou um jogador barato para o São Paulo. Pela minha qualidade e por tudo o que eu consegui no futebol. Já falei na minha apresentação", analisou, em setembro de 2019.

Indicação de Diniz e 'fiel escudeiro' do técnico

Menos de dois meses no São Paulo e Daniel Alves já viu o seu técnico, Cuca, ir embora. A sucessão de treinador passou literalmente pelas suas mãos, dando a entender a influência do camisa 10 dentro do clube.

“Sabe porque eu saí, boleirão? Porque eu fui efetivado no cargo, aí quatro horas depois disso, o Daniel Alves foi lá pedir o Fernando Diniz. Eles (diretoria) me chamaram e falaram que estavam em dúvida. Falei: 'Ué, se estão em dúvida, vão atrás do Diniz que estou indo embora, tchau'. Foi isso”, disse Vágner Mancini, que era coordenador técnico do clube na época.

Com Diniz, Daniel Alves virou o 'dono' do time em campo. Camisa 10, faixa e ainda atuando na posição onde ele mais queria, no meio-campo, além de quase nunca ser substituído a não ser em casos de lesões.

A relação entre os dois era tão próxima que, na festa do título do Paulistão de 2021, única taça conquistada pelo camisa 10 no São Paulo, Daniel Alves agradeceu a Diniz, demitido quatro meses antes.

"Eu sou suspeito para falar porque o cara virou um irmão meu, mas metade disso aqui o Diniz tem muito, porque o trabalho que ele fez e a potencialização que ele gerou nos jogadores aqui dentro é muito grande. Eu costumo dizer que a vitória às vezes não é um título, é você pegar as pessoas embaixo e colocar elas em cima. Esse é o grande mérito dele e desde aqui eu agradeço: te amo pra cara**. Você é f**!", disse o lateral.

O episódio do batuque

Conforme 2020 chegou, a relação entre Daniel Alves e São Paulo foi piorando, principalmente pela dívida que começou a ser criada na gestão que o contratou (de Pássaro, Raí e Leco), sendo assumida após a chegada de Julio Casares na presidência. Quando Casares desembarcou no Morumbi, a dívida com o atleta já estava na casa dos R$ 10 milhões.

Mas ainda em 2020, o verdadeiro racha com a torcida aconteceu em setembro de 2020. Na ocasião, Daniel Alves se recuperava de uma cirurgia no braço direito após um choque em campo, isso impossibilitou o atleta de viajar para o Equador para o jogo de vida ou morte contra a LDU na Libertadores.

Um dia antes da partida, o jogador apareceu em suas redes sociais em uma roda de samba e tocando instrumentos de percussão com sua mão direita recém-operada. O episódio foi mal visto pela torcida, e o lateral jamais chegou a se desculpar, preferindo a ironia. "Proibido ser feliz", postou.

Em um protesto meses depois na frente do CT, a torcida gritou: Ô, Daniel, quebra meu galho, vai tocar samba lá na casa do c...".

Enquanto isso, o São Paulo tomou de 3 a 1 da LDU e foi eliminado na fase de grupos da Libertadores, aumentando o seu vexame.

O sonho olímpico

O episódio foi o rompimento definitivo da torcida com o atleta. Com o São Paulo na zona de rebaixamento e com duelos decisivos de mata-mata na Copa do Brasil e Libertadores, Daniel Alves preferiu defender a seleção olímpica em Tóquio.

Após a conquistada da medalha de ouro, veio uma cutucada no clube. "O São Paulo falhou muito comigo, e era um momento que eu tinha de escolher pelo São Paulo e por defender meu país, e sempre vou representar meu país e por tabela representar o time. As pessoas falam porque não conhecem minha dedicação, entrega e respeito com o São Paulo, sendo que o São Paulo muitas vezes falhou comigo, e eu não falho com o São Paulo".

O rompimento definitivo

Depois de ser convocado para a seleção brasileira nas eliminatórias para a Copa do Mundo na janela de setembro, Daniel Alves afirmou que só voltaria a se apresentar caso a dívida, que já chegava na casa dos R$ 18 milhões, fosse sanada.

A partir desse momento, o jogador e o clube passaram a trabalhar numa rescisão, que foi acertada na última quinta-feira. Ficou acordado que o São Paulo ainda terá que pagar R$ 30 milhões de forma parcelada ao jogador.