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Do drama à adaptação, Arthur Gomes se reencontra na 'luta para caramba' da Rússia e não esquece o amor pelo Cruzeiro: 'Sempre acompanhando'

O atacante Arthur Gomes passou por um drama em abril de 2025, na primeira temporada com a camisa do Dinamo Moscou. O brasileiro rompeu o tendão de Aquiles e ficou 11 meses fora dos gramados. Ele voltou a atuar no último dia 1º de março. Pouco mais de um ano após a grave lesão, se vê adaptado à Rússia, mesmo que o esporte lá tenha "luta para caramba". Com contrato até 2029, acompanha de longe o futebol brasileiro, com carinho especial pelo Cruzeiro.

"A adaptação aqui é difícil por causa da cultura, que é totalmente diferente. ​No meu primeiro ano, acabei machucando e isso atrasou para me adaptar mais rápido. Mas o time aqui acolhe a gente muito bem. Tem mexicano, paraguaio, uruguaio. A gente está sempre junto. Ter outros jogadores que têm uma cultura parecida com a sua ajuda. Há outros brasileiros também. O país em si tem uma cultura, um clima totalmente diferente do Brasil. Mas agora eu já estou ficando mais adaptado. Minha família também está bem, está feliz. Então a gente passa por cima disso aí. A gente renuncia algumas coisas pra ganhar lá na frente", disse, em entrevista exclusiva à ESPN.

Além de Arthur Gomes, o Dinamo Moscou conta com os brasileiros Rubens, Bitello e David Ricardo. A companhia na equipe facilita a vida tão longe do Brasil.

"Estamos sempre juntos nas folgas. A gente faz alguma coisa, um churrasco. E também na concentração a gente está sempre na resenha, está sempre junto. Isso facilita bastante. A gente se sente mais acolhido assim e se sente mais à vontade. O nosso grupo também é um grupo bom. Os russos também são gente boa. Só que ter brasileiro, pessoas que têm uma cultura semelhante com a sua, te deixa com certeza muito mais confortável", contou.

"Moscou é lindo. Tem vários lugares muito lindos. O clima aqui dificulta um pouco, porque quando está muito frio, não tem como ficar saindo para a rua, não tem como ficar visitando lugares abertos. Mas é muito bonito. E também quando chega o verão, que está perto de chegar, fica mais lindo ainda. Parece que muda totalmente", acrescentou.

"Aqui não tem nada [de guerra]. Quando eu cheguei, a minha preocupação era essa. Estava sempre perguntando para os caras aqui. Mas aqui nunca teve nada assim. Nunca presenciei nada de guerra. É um lugar que vive normal. Claro que tem as sanções, né? Que isso afeta os bancos, fica mais difícil de enviar dinheiro, fica mais difícil de chegarem coisas aqui. Mas de guerra mesmo, de violência, nunca presenciei nada", completou.

'Muita luta'

Arthur Gomes, além de se adaptar a Moscou, também precisou se adaptar ao futebol local, que ele considera muito diferente.

"Aqui é mais luta, sabe? Mais disputas. Todos os jogos são muita correria. Os caras são mais fortes, mais agressivos na marcação também. E no Brasil é mais técnica, é mais jogado, bola no chão. Aqui é muita disputa toda hora. É um contra-ataque do contra-ataque. Então acaba exigindo muito de seu físico. Isso, para nós brasileiros, requer uma adaptação a mais. Por mais que o jogo não se jogue só com a bola, aqui é muita luta. É luta pra caramba. Toda hora tem um marcador no seu pé", analisou.

O jogador tem propriedade para falar do futebol brasileiro. Mesmo de longe, segue acompanhando. Ele se declarou ao Cruzeiro, clube que defendeu entre 2023 e 2024.

"Eu estou sempre acompanhando o Cruzeiro. Eu sempre falo também com o Matheus Pereira. A gente ficou bastante amigo. Às vezes mando mensagem pra ele, desejo um bom jogo, mando parabéns pela partida. Quando não dá pra assistir ao jogo todo, eu assisto aos melhores momentos no dia seguinte. Eu acho que em questão de tempo o Cruzeiro vai estar brigando por títulos, como foi a temporada passada, que quase chegou na final da Copa do Brasil", afirmou.

"É um time que eu tenho muito carinho hoje. No tempo em que eu fiquei lá, fui muito feliz jogando. Foi o time que eu mais joguei, mais tive sequência também. E, assim, é um clube que tem um lugar guardado no meu peito, com certeza".

Apesar do carinho, Arthur Gomes tem contrato na Rússia e evitou comentar sobre uma possível volta ao Brasil.

"Eu quero jogar futebol, quero ser feliz. Eu tenho contato aqui até 2029. Vai depender muito do que o clube também almeja. Claro que eu quero estar participando dos maiores campeonatos, quero estar em visibilidade também maior. Só que eu tenho contrato aqui. O meu futuro até então é aqui no Dinamo".

Menino da Vila

O atacante, hoje com 27 anos, subiu aos profissionais em 2016, pelo Santos. Antes de chegar ao Peixe, treinou na base do São Paulo.

"Eu saí cedo de Uberlândia, da minha cidade. Eu não podia alojar ainda, era muito novo, então, eu ficava dez dias em São Paulo, aí voltava para a Uberlândia, e depois de dois meses voltava para São Paulo. Era muito difícil, porque tinha escola, tinha meus amigos, ficava com muita saudade de casa. Sair do interior de Minas e ir para uma cidade grande como São Paulo, para mim, impactou muito. Não gostava muito de ficar indo para lá. Sentia bastante falta da minha casa, sentia falta dos meus amigos, da minha escola", contou.

"Minha mãe conseguiu um teste para mim no Santos. Quando eu cheguei ao Santos, me sentia em casa. Foi lá que começou toda a minha trajetória no futebol. Passei pelas divisões de base, me tornei profissional, realizei meu maior sonho e sou muito grato ao Santos por tudo que fez por mim e pela minha família também", completou.

No Santos, ainda na base, pôde ver de perto um de seus grandes ídolos: Neymar.

"Via os treinos [do Neymar] da grade, porque o que separava o nosso campo [da base] e do profissional era só a grade do CT. Às vezes a gente via de longe, às vezes eu ficava lá para assistir ao treino do profissional. Tinha esse contato de ver os treinos e os jogos, na Vila Belmiro, o que era espetacular, era um show à parte quando ele jogava", relembrou.

"O Neymar com certeza é um ídolo para mim no futebol, e tem o Ronaldinho Gaúcho também, que eu gosto bastante, que eu sempre gostei. Mas o Ney foi o que eu vi ao vivo tudo que ele fazia. Me marcou bastante quando eu era mais novo", disse, antes de opinar sobre uma possível convocação do atleta santista para a Copa do Mundo.

"Merece ir, o Neymar tem de estar. Se ele estiver, com certeza, a Seleção é olhada com outros olhos, porque o Ney é um craque, um gênio. Por mais que ele não seja o Neymar de dez anos atrás, continua sendo um craque, e para mim ele tem de estar na Seleção, na Copa", finalizou.