A partida entre Internacional e São Paulo, nesta quarta-feira (7), no Beira-Rio, marca a volta de Hernán Crespo ao banco de reservas tricolor, após recuperar-se da COVID-19. E também o reencontro de Diego Aguirre, hoje no comando colorado, com o ex-clube.
O uruguaio foi o último estrangeiro a dirigir o São Paulo antes de Crespo, em uma passagem que durou exatos oito meses, de 11 de março a 11 de novembro. Uma curta história, que teve momentos de pura sintonia e, na visão do próprio Aguirre, acabou de forma injusta.
Ex-atacante do clube nos anos 1990, Diego Aguirre foi o primeiro treinador efetivamente contratado pela gestão formada por Raí e Ricardo Rocha, em 2018. Os dois, que haviam atuado com o uruguaio no São Paulo, tiveram também a aprovação total de Diego Lugano, à época diretor de relações institucionais da equipe.
Aguirre pegou o São Paulo na reta final do Campeonato Paulista, acabou eliminado pelo Corinthians na semifinal, nos pênaltis, após um gol rival nos acréscimos do tempo normal, e iniciou o planejamento para o Campeonato Brasileiro. Foi onde seu time viveu o auge.
Com o técnico, o Tricolor chegou a emendar nove vitórias em 11 partidas e liderou a competição por oito rodadas. O time, na época, era estrelado em campo pelo trio Nenê, Everton e Diego Souza, em um trabalho que arrancou elogios da diretoria.
"Ele excedeu a expectativa. É um profissional que tem uma relação limpa e clara com a gente", chegou a declarar o presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, com quem Aguirre tinha um relacionamento próximo e até de muito afeto.
Só que a fase não acabou em conquista. O São Paulo perdeu a liderança na 27ª rodada, após empatar com o Botafogo, no Rio de Janeiro, e nunca mais foi o mesmo após a venda de Eder Militão e as lesões de Everton e João Rojas.
Quem acabou pagando a conta foi Aguirre. Depois de uma sequência com só uma vitória em nove jogos, o técnico perdeu o emprego após empatar com o Corinthians por 1 a 1, na Neo Química Arena. Naquela tarde, o São Paulo jogou o segundo tempo inteiro com um a mais, foi beneficiado por erros de arbitragem e nem assim conseguiu derrotar o rival.
Para a diretoria, foi a gota d'água de um trabalho que já não vivia seu grande momento e que parecia ter chegado ao limite. O argumento dos favoráveis à demissão era que, com mais tempo para treinar, o São Paulo piorou: em dez partidas no espaço de dois meses, o time empatou seis vezes e venceu somente duas, o que poderia evidenciar falta de repertório.
"Foi uma decisão muito difícil, encabeçada por mim, conversada com algumas pessoas que trabalham comigo. Queria deixar muito claro, desde o início, o agradecimento ao Aguirre, seu trabalho, seu profissionalismo e tudo que ele fez no São Paulo, coisas que vão ficar, o seu legado. Reconhecemos a importância dele no momento que ele chegou, o momento ótimo que a equipe teve, isso nos dá condições de lutar por uma vaga na Libertadores", anunciou o executivo de futebol Raí, horas após o Majestoso.
Aguirre saiu, mas a fase do São Paulo não melhorou. Com André Jardine, o time perdeu a vaga direta na fase de grupos da Conmebol Libertadores e, semanas mais tarde, acabou eliminado na fase prévia do torneio para o Talleres.
O uruguaio só comentou a decisão muito depois de deixar o Morumbi. Em entrevista à ESPN, Aguirre não escondeu o sentimento de injustiça que sentiu ao ser dispensado cinco rodadas antes do fim do campeonato e chegou até a criticar a postura de Raí.
"Óbvio que foi ruim, que foi injusto, que não dá para entender, mas isso fica para trás. Eu preferi não falar antes porque estava ferido, mal e poderia falar alguma coisa que poderia me arrepender. Então deixei passar o tempo", disse o treinador.
"O que não deu para entender foi (a demissão) a cinco jogos do fim do ano. Tinha que esperar que acabasse a temporada e aí seria uma situação mais normal. Senti que merecia outro final, acabar o contrato, mas às vezes as pressões ou as decisões fazem coisas como essa", continuou.
"Agora, não entendi o final. Ele (Raí) tinha que ficar firme e falar 'fica 20 dias, vamos acabar com isso'. Se ele tomou a decisão, errado ou não, eu respeito. Se ele não tomou a decisão, não sei o que está fazendo aí. Quero imaginar que foi ele".
Quase três anos depois, Aguirre revê o São Paulo, que vai ao Beira-Rio para tentar a primeira vitória no Brasileiro e tentar chegar próximo do Inter, que ainda não engrenou nas mãos do uruguaio.
