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Pep Guardiola, à ESPN Brasil: 'Futebol é business, eu tenho que decidir e atletas têm que jogar bem'

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Treinador dos Citizens conversou em exclusividade com Natalie Gedra, repórter da ESPN Brasil na Inglaterra (1:26)

Técnico do Manchester City, Josep Guardiola foi direto e disse que não se importa em ter relações próximas ou distantes, boas ou ruins com seus jogadores. Isto em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, concedida na última terça-feira.

Conhecido por ser um treinador extremamente exigente desde quando começou a carreira, no time B do Barcelona, Pep já teve casos de amor e ódio em sua carreira, na qual passou também pelo Bayern de Munique, da Alemanha.

Jogadores como Daniel Alves, hoje no São Paulo, e Rafinha, recém-contratado pelo Grêmio, já exaltaram diversas vezes a boa amizade que tiveram com o catalão.

Já nomes como Zlatan Ibrahimovic foram na direção contrária, criticando muito os métodos de trabalho e relacionamento de Guardiola.

Nesta entrevista, Pep foi extremamente sincero e afirmou que trata o futebol como negócio. Ou business, como ele mesmo gosta de dizer.

Sua opinião é de que ele tem que dar as ordens e os jogadores têm que obedecer. E, se no meio disso tudo der para ser amigo, melhor ainda. Mas se não der, ele não liga.

"Ao longo das temporadas, as relações com os jogadores sempre deixam cicatrizes, mas também deixam muitos aprendizados. Você aprende de tudo. Mas a relação entre o técnico e os jogadores dependem dos jogadores, e não dos treinadores. Há jogadores que merecem ter uma relação muito próxima (com o treinador) e outros merecem ter uma relação mais distante", afirmou.

"Veja, o futebol é um negócio, é um business, que consiste em, no dia em que o árbitro apita e inicia a partida, você ganhe as partidas. Fora isso, se somos amigos, ou menos amigos, isso não importa. O futebol é um negócio. E aqui estou eu, que tenho como objetivo tirar o melhor rendimento dos jogadores, os jogadores têm que jogar bem para o benefício do nosso clube e para que nossos torcedores estejam felizes. Se no meio de tudo isso der pra ter algumas boas relações, é fantástico. Para mim, se é boa ou ruim, é a mesma coisa, pois isso é um business", seguiu.

"Eu tenho que tomar decisões e eles têm que jogar bem. Se jogarem bem, depois têm mais possibilidades de seguir jogando. Caso contrário, não terão (mais chances). Mas a intenção é sempre a melhor. A melhor para que a equipe ganhe. E isso, desde o meu primeiro dia no Barcelona até meu último dia aqui será a mesma coisa", acrescentou.

"No Barcelona, tive relações muito mais próximas com alguns jogadores do que com outros porque há muitos jogadores que pensam com o bem comum, e eu me sinto bem mais próximo deste tipo de jogador do que daqueles que só pensam 'eu, eu, eu'. Estes, quando a gente tem que usar, nós usamos, e quando não temos, não usamos", complementou.

COMO MUDOU O FUTEBOL INGLÊS?

No bate-papo, Guardiola também foi perguntado sobre o legado que deixa ao futebol inglês.

Modesto, ele diz que seria "presunçoso" dizer que mudou a história da Premier League, mas salientou que sempre tentou fazer coisas diferentes do habitual no Campeonato Inglês.

"Isso eu não sei... A história vai julgar e dizer. Acho que seria presunçoso da minha parte dizer que fizemos algo diferente do que já era feito antes. Dá para dizer, sim, que fizemos as coisas da nossa maneira. Isso dá para dizer seguramente. Fizemos da nossa maneira", observou.

"Era um futebol (inglês) muito direto, muito box-to-box, de muitas disputas de bola, e nós não tentamos fazer nada disso. Foi para isso que vim para cá. Senti a sensação depois da segunda vez que vencemos a Premier League que isso estava feito, já conseguimos. Viemos aqui para fazer isso e conseguimos. Mas, quando você se sente bem e acredita em si mesmo e no que fazemos, você pensa: 'Por que não tento levar isso adiante?'", argumentou.

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Questionado sobre o fato de preferir um jogo de mais posse de bola na terra que por anos adotou o kick and rush, Pep salientou que lhe "encantaria" jogar a "200 km/h" e "fazer 200 gols em 10 minutos", mas ressaltou que isso é "impossível".

"Porque para para jogar rápido, você precisa jogar lento primeiro. E para jogar para frente, você precisa primeiro jogar para trás. E porque quando você está um pouquinho mais lento, vê as coisas mais claras. E quando está em um ritmo mais adequadro, que te dá certos movimentos e certas qualidades dos jogadores, a tomada de decisões nas situações mais complicadas, que são nas áreas, são mais claras e nítidas", explicou.

"Claro que me encantaria fazer tudo a 200 km/h e marcar 200 gols em 10 minutos, mas isso é impossível. Então, gosto mais de um jogo... Não lento, mas um pouquinho mais pausado, para que, no momento certo, a gente possa usar as qualidades dos jogadores. E, por sorte, aqui (no Manchester City) temos muitos, e muito bons", complementou.

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