<
>

Chelsea gastou R$ 1,6 bilhão em reforços e teve alegrias e decepções; veja o balanço

Da mesma forma que a punição que não deixou o Chelsea contratar aliviou as expectativas sobre o técnico Frank Lampard durante sua primeira temporada no cargo, os 220 milhões de libras (R$ 1,6 bilhão, na cotação atual) que o clube desembolsou na última janela são uma das principais razões pelas quais ele agora se encontra sob pressão.

Se tem uma coisa que Lampard aprendeu nos 13 anos em que representou o time azul de Londres, foi que o Chelsea é implacável para qualquer técnico.

Dos 12 homens contratados desde que o proprietário Roman Abramovich comprou o clube em 2003, apenas José Mourinho (212 jogos, em duas passagens), Antonio Conte (76) e Carlo Ancelotti (76) comandaram mais jogos da Premier League pelo Chelsea do que Lampard (55).

A posição e influência de Lampard na era de maior sucesso na história do clube - para não mencionar o fato de ser o maior artilheiro da história do Chelsea - deve dar a ele mais tempo do que a maioria teve, mas esse tempo está passando.

O clube inicialmente respondeu bem depois de deixar o Eden Hazard ir para o Real Madrid por 100 milhões de libras em 2019, com Lampard integrando vários jovens da base do clube para garantir a classificação entre os quatro primeiros na Premier League em sua primeira temporada.

Mesmo assim, a partida deste sábado na casa do Fulham, ameaçado de rebaixamento, é uma chance para Lampard e o Chelsea conseguirem aquela que seria apenas a segunda vitória em sete partidas. Essa sequência ruim fez com que o trabalho do ex-meia fosse questionado, já que os Blues se encontram, agora, a 10 pontos dos líderes do campeonato.

Há uma sensação em alguns setores de que, embora as equipes naturalmente levem tempo para se acertar, um técnico mais experiente estaria obtendo mais resultados de um grupo montado de maneira tão cara no curto prazo.

Mas considerando que 220 milhões de libras foram gastos em seis jogadores nesta janela, vamos ver como cada um deles se saiu até agora...

Kai Havertz, meia (71 milhões de libras, Bayer Leverkusen)

O jogador de 21 anos chegou com uma boa reputação e um preço ligeiramente abaixo da maior contratação da história do clube (71,5 milhões de libras gastos com o goleiro Kepa Arrizabalaga em 2018), mas Havertz ainda não mostrou todo esse potencial em Londres.

Existem fatores atenuantes, não apenas o ajuste a uma nova liga, mas também o fato de ele ter pego coronavírus em novembro, perdendo várias semanas de treinamento. Mas as dificuldades de Havertz aparentemente resumem o enigma que Lampard está tendo dificuldades para resolver até agora.

Os clubes invariavelmente não gastam uma quantia tão grande com um jogador e depois o testam em várias posições, mas Havertz talvez tenha sido experimentado em diferentes funções mais do que qualquer outro jogador. É algo com o qual ele está acostumado, alternar entre papéis como falso 9, jogar como um verdadeiro 10 ou aberto pela direita, já que fazia isso no Leverkusen. Mas a história na Premier League é outra.

A troca de formação do 4-2-3-1 para o 4-3-3 remove a posição do camisa 10 e adiciona mais um jogador no meio-campo. Isso não está ajudando muito o caso de Havertz, até porque requer que ele desempenhe funções mais defensivas. O alemão é agora a peça mais cara de um quebra-cabeça que Lampard está tentando resolver. Isto é, como encaixar todos os jogadores no mesmo time e, ainda assim, formar uma unidade coesa.

O tempo está ao lado de Havertz para se desenvolver como jogador, mas é responsabilidade de Lampard ajudar a criar a melhor oportunidade para ele prosperar.

Ben Chilwell, lateral (50 milhões de libras, Leicester City)

Chilwell foi sem dúvida a mais bem-sucedida das chegadas da última janela, perdendo os primeiros quatro jogos em todas as competições devido a lesão, mas sempre presente na Premier League desde 3 de outubro.

A posição de lateral-esquerdo foi rapidamente identificada por Lampard como um problema com Marcus Alonso e Emerson Palmieri ambos inconsistentes; Cesar Azpilicueta se adaptou bem a uma mudança de posição, mas como jogador destro com habilidade, digamos, limitada no terço final, ele não foi capaz de prover a ameaça ofensiva que Lampard deseja para o seu time em ambos os lados.

Chilwell tem dois gols e quatro assistências em 14 jogos na Premier League e mesmo na derrota para o Manchester City em 3 de janeiro, o jogador de 24 anos ainda mostrou empenho suficiente para fazer mais cruzamentos em jogo (seis) do que qualquer outro jogador do Chelsea.

Ele costuma ser a maior ameaça do Chelsea, e fontes disseram à ESPN que Chilwell se tornou rapidamente um membro popular do time, com Lampard elogiando sua relação com os colegas no vestiário.

Timo Werner, atacante (47,7 milhões de libras, RB Leipzig)

Houve um certo grau de desconfiança em torno de Werner durante uma série de 12 jogos sem gols que finalmente terminou contra o Morecambe na Copa da Inglaterra no último fim de semana. Quem cita o jogador de 24 anos como um fracasso esquece o bom início de temporada que ele teve, com oito gols e três assistências nos primeiros 12 jogos.

Werner recusou a chance de jogar pelo Leipzig nas quartas da Champions League para que pudesse começar a vida em Londres o mais cedo possível, com esse esforço dando frutos inicialmente. No entanto, a má fase do atacante, recheada de gols perdidos, o fazem parecer nada mais do que uma sombra do que era no Leipzig: um dos atacantes mais promissores do futebol mundial.

Talvez seja aqui que Lampard deva assumir alguma responsabilidade. A melhor fase de Werner foi como centroavante, mas ele tem sido cada vez mais escalado na esquerda. Embora Werner naturalmente caísse para a esquerda quando jogava de centroavante, ele raramente era escalado como ponta no Leipzig.

O alemão admitiu ter dificuldades com a intensidade do futebol da Premier League, mas foi titualr em todos os 17 jogos do Chelsea na competição, exceto um. Quer uma pausa seja necessária ou não, Lampard precisa encontrar uma maneira de reacender o homem que inicialmente parecia mais propenso a revigorar seu ataque.

Hakim Ziyech, meia (36 milhões de euros, Ajax)

Ziyech foi uma figura-chave na série de nove jogos sem derrota do Chelsea na Premier League, antes de sua ausência por lesão coincidir com a atual queda de rendimento da equipe. "Não é uma coincidência", disse Lampard. "Não podemos depender só dele. Ele foi muito eficaz na criação de jogadas. Nos ajudou muito até a lesão acontecer”.

Ziyech jogou 64 minutos contra o Manchester City e, embora o jogador de 27 anos não tenha conseguido conter o declínio da equipe, seu retorno dará a Lampard a esperança de que melhores dias se aproximam. A capacidade de Ziyech de deixar companheiros em boas posições para marcar é quase indefensável quando ele está em forma.

O modesto Morecambe testemunhou isso em primeira mão no confronto da terceira rodada da Copa da Inglaterra, no fim de semana passado, mas ele precisará repetir isso contra oponentes mais qualificados nas próximas semanas.

Lesões prejudicaram o progresso de Ziyech, já que ele machucou o joelho em um jogo de pré-temporada contra o Brighton e ficou restrito a um total de apenas nove partidas em todas as competições. No entanto, um eventual retorno do marroquino seria motivo de empolgação em Londres, e com motivos para tal.

Edouard Mendy, goleiro (20 milhões de libras, Rennes)

Mendy inicialmente trouxe uma sensação de calma para uma posição que parecia cada vez mais calamitosa quando Kepa Arrizabalaga estava jogando. Mendy chegou desesperado para recuperar o tempo perdido ao mais alto nível, temendo em 2014 que a sua carreira tivesse acabado depois de ter sido dispensado pelo Cherbourg e passado um ano sem clube. O goleiro da seleção de Senegal ficou logo de cara três jogos da Premier League sem sofrer gols e se estabeleceu como o titular do Chelsea, com Kepa fazendo apenas duas partidas desde 17 de outubro.

Mendy já soma seis jogos sem sofrer gols na Premier League ao todo - um recorde só superado nesta temporada por Emiliano Martínez (8), do Aston Villa, Alex McCarthy (7), do Southampton, e Éderson (7), do Manchester City.

O lendário goleiro do Bayern de Munique, Manuel Neuer, elogiou muito o novo goleiro do Chelsea no passado, mas erros surgiram em seu jogo ultimamente: sair do gol muito rápido contra o Leeds, quando no final das contas não importou, já que o Chelsea venceu o jogo, mas também contra Everton, quando custou a derrota.

Ele ainda representa uma melhora em relação a Kepa, mas Lampard deve esperar que sua queda de rendimento não seja duradoura.

Thiago Silva, zagueiro (grátis, Paris Saint-Germain)

Contratar Thiago Silva foi uma espécie de aposta, já que ele completou 36 anos em setembro. Ninguém duvidava da sua experiência, tendo vencido sete títulos da Ligue 1 no Paris Saint-Germain e somando 88 convocações pelo Brasil, mas havia inevitavelmente dúvidas sobre sua capacidade de lidar com a velocidade do futebol da Premier League nesta fase final de sua carreira.

Essas preocupações aumentaram quando um erro terrível em sua estreia na liga ajudou o West Brom a chegar ao placar de 3 a 0, mas assim que o Chelsea se recuperou de um início ruim para empatar em 3 a 3, Silva rapidamente se estabeleceu como uma presença influente na defesa do time comandado por Lampard.

O Chelsea tem sofrido muitos gols nos últimos tempos, mas Thiago Silva ainda sai da primeira metade da temporada com crédito, até porque ele ajudou o colega de zaga Kurt Zouma a descobrir um novo nível de consistência ao seu lado.

Tem-se falado que o Chelsea vai querer manter Thiago Silva por uma segunda temporada - uma indicação clara do respeito que o brasileiro desperta - mas, em última análise, ele será julgado pelo histórico defensivo da equipe e há muito espaço para melhorias após a recente sequência de resultados do time.