Noel Le Graet, presidente da Federação Francesa de Futebol, pronunciou-se sobre o caso de racismo ocorrido na terça-feira (8), no jogo entre Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir, pela Champions League.
O auxiliar do time turco, Pierre Webó, acusou o 4º árbitro, Sebastian Coltescu, de ter feito uma ofensa racista.
“Gostaria de saudar a atitude das duas equipes, que tomaram uma decisão forte e exemplar ao deixar o campo. Esses incidentes inaceitáveis não têm lugar em um estádio”, declarou ele, de acordo com o jornal L'Equipe.
"A investigação da UEFA deve lançar luz sobre estes incidentes e tomar as sanções necessárias caso sejam feitos comentários racistas", complementou.
A declaração de Graet é feita cerca de três meses depois dele ter afirmado que o racismo não era um problema no futebol.
“Em um jogo, pode haver problemas. Mas temos menos de 1% de dificuldade hoje. Quando um negro marca um gol, todo o estádio aplaude”, disse ele em setembro, ao comentar as acusações de Neymar ao zagueiro Alvaro Gonzalez, do Olympique de Marselha.
“O fenômeno do racismo no esporte, e no futebol em particular, não existe ou quase não existe”, afirmou o dirigente, na ocasião.
A partida entre PSG e Istanbul Basakeshir foi remarcada para esta quarta-feira, às 14h55 (de Brasília). E a Uefa definiu nova arbitragem para o duelo.
O árbitro do jogo será o holandês Danny Makkelie. Os assistentes ser]ao Mario Diks e Marcin Boniek.
Na função de quarto árbitro, Bartosch Frankowsky ocupará o lugar de Coltescu. No VAR, Marco Di Bello, Maurizio Mariani e Jacub Winkler ficarão à disposição dos árbitros de campo.
Entenda toda a confusão:
Aos 14 minutos do 1º tempo, o auxiliar-técnico do Basaksehir, o camaronês Pierre Webó, acusou o 4º árbitro do jogo, Sebastian Coltescu, de tê-lo ofendido com uso de termo racista.
Revoltados, os atletas da equipe turca conversaram por longo período com o árbitro Ovidiu Hategan e, em seguida, abandonaram o gramado no Parque dos Príncipes. O time do PSG se juntou aos protestos durante todo o tempo e também abandonou o gramado. Depois de muita discussão, o jogo acabou adiado para esta quarta-feira.
O atacante Demba Ba foi quem liderou o movimento. As câmeras flagraram a reclamação dele com o quarto árbitro.
"Você nunca diz 'aquele cara branco'. Então por que quando você fala com um cara negro, você tem que dizer 'aquele cara negro'?", disse.
Pelas redes sociais, o time turco foi imediato e direto: "Não ao racismo".
Em campo, o PSG apoiou o movimento desde o começo. Neymar e Mbappé, os dois principais jogadores do clube parisiense foram contundentes em conversa com o árbitro.
"Nós não vamos jogar", disse o Neymar.
"Se esse cara não sair, nós não jogamos", completou Mbappé.
Goksel Gumusdag, presidente do clube turco, chegou a dizer que o time só voltaria ao gramado se o quarto árbitro fosse retirado do jogo.
A Uefa decidiu, então, substituí-lo por um juiz que estava no VAR. E anunciou que a partida voltaria a ser disputada às 18h (horário de Brasília).
Mesmo assim, o Istanbul Basaksehir se recusou a voltar a campo. A Uefa acabou cedendo e anunciado que a partira voltará a ser disputada nesta quarta-feira, às 14h55 (de Brasília), a partir do momento em que foi interrompida.
Pelas redes sociais, a entidade europeia prometeu uma profunda investigação sobre o caso.
"A Uefa está ciente do incidente durante o jogo da Champions League desta noite entre Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir e vai conduzir uma investigação completa. Racismo, e discriminação de qualquer forma, não têm espaço no futebol", postou.
