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Brasileiro do Istanbul Basaksehir explica ato de insulta racial e decisão de não jogar: 'Chega de racismo'

O duelo desta terça-feira entre PSG e Istanbul Basaksehir pela Champions League foi adiado por conta de ofensas racistas do 4º árbitro, o romeno Sebastian Coltescu, a um membro da comissão técnica do time turco. Em áudio enviado à ESPN, o brasileiro Giuliano deu mais detalhes do que aconteceu e da decisão do Basaksehir de não voltar ao gramado.

“Infelizmente hoje a gente teve esse episódio triste vindo do 4º árbitro. Ele foi ofensivo em relação a um membro da nossa comissão técnica, se referiu a ele como “negro”. Foi muito claro, muita gente escutou, inclusive nosso treinador que estava do lado. Isso causou um constrangimento muito grande”, disse Giuliano.

“Ao final, nós como equipe e entidade, resolvemos protestar porque isso é inadmissível. O racismo tem que acabar. Já está na hora que as pessoas entendam que não existe cor, não existe gênero, somos todos iguais. Foi um gesto louvável das duas equipes de sair do campo e a gente espera que com isso a gente chame mais a atenção das pessoas, para que elas entendem que chega de racismo. Está todo mundo cansado disso, a gente precisa viver em um mundo livre. Eu fico satisfeito porque a gente tomou uma postura que eu acredito que foi a mais correta. Vamos ver se com isso a gente consegue diminuir esses acontecimentos”, completou.

Giuliano estava no banco de reservas do Basaksehir nesta terça-feira.

A ofensa teria sido em direção a Pierre Webó, auxiliar-técnico da equipe turca. Imediatamente, o atacante reserva Demba Ba começou o movimento para que as equipes deixassem o campo.

"Você nunca diz 'aquele cara branco'. Então por que quando você fala com um cara negro, você tem que dizer 'aquele cara negro'?", disse.

Em campo, o PSG apoiou o movimento desde o começo. Neymar e Mbappé, os dois principais jogadores do clube parisiense foram contundentes em conversa com o árbitro.

"Nós não vamos jogar", disse o Neymar.

"Se esse cara não sair, nós não jogamos", completou Mbappé.

Goksel Gumusdag, presidente do clube turco, chegou a dizer que o time só voltaria ao gramado se o quarto árbitro fosse retirado do jogo.

A Uefa decidiu, então, substituí-lo por um juiz que estava no VAR. E anunciou que a partida seria voltaria a ser disputada às 18h (horário de Brasília).

Mesmo assim, o Istanbul Basaksehir se recusou a voltar a campo. A Uefa acabou cedendo e anunciado que a partira voltará a ser disputada nesta quarta-feira, às 14h55 (de Brasília), a partir do momento em que foi interrompida.

Pelas redes sociais, a entidade europeia prometeu uma profunda investigação sobre o caso.

"A Uefa está ciente do incidente durante o jogo da Champions League desta noite entre Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir e vai conduzir uma investigação completa. Racismo, e discriminação de qualquer forma, não têm espaço no futebol", postou.