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Compra de Pedro, renovações e mais: o que eliminação precoce na Libertadores causa nas finanças do Flamengo

O Flamengo está eliminado da Conmebol Libertadores. Nesta terça-feira, a equipe empatou em 1 a 1 com o Racing, mas foi desclassificada nas cobranças de pênalti. Além do impacto moral da equipe, que está fora da segunda competição mata-mata em um mês e agora só tem o Campeonato Brasileiro pela frente, o impacto financeiro também será bastante sentido.

É que, diante de um ano altamente impactado pela pandemia de COVID-19, o Flamengo também sofre financeiramente, uma temporada depois de registrar o recorde de faturamento do futebol brasileiro. Todas as metas estabelecidas ainda no fim de 2019 precisaram mudar.

O clube já sabe, por exemplo, que dificilmente alcançará R$ 726,2 milhões em receitas, como previsto inicialmente no orçamento. Até setembro de 2020, o faturamento foi de R$ 509,5 milhões, com quase todas as fontes de entrada de dinheiro abaixo do esperado.

Entre os impactos dentro de campo, a eliminação apenas nas quartas de final da Copa do Brasil teve peso importante, já que um bom dinheiro de premiação ficou pelo caminho. A Libertadores passou, então, a ter ainda mais representatividade pensando nas finanças.

Caso vencesesse o Flamengo garantiria US$ 1,5 milhão (quase R$ 8 milhões na cotação atual) com a classificação às quartas. A meta no orçamento era ir além, até as semis, o que garantiria mais US$ 2 milhões (R$ 10,5 milhões). O título valia US$ 15 milhões (R$ 79 milhões).

A previsão inicial do Flamengo era fazer em 2020 R$ 282,8 milhões com dinheiro de televisão e premiações. O problema é que as competições ainda em andamento só terminarão em 2021, ou seja, o total das receitas só será complementado no próximo exercício fiscal.

No Campeonato Brasileiro, por exemplo, embora o time de Rogério Ceni tenha chances de título, o pagamento final ainda depende, além da classificação na tabela, do número de jogos transmitidos. Assim, a maior parte do dinheiro só chegará aos cofres no próximo ano.

O retorno de público aos estádios também é outro fator improvável para 2020. Entre sócios-torcedores, bilheteria e o Maracanã, o Flamengo chegou a projetar R$ 204,4 milhões no ano. Até setembro, foram apenas R$ 81,1 milhões com essa fonte de receitas.

O único segmento no qual o Flamengo não ficou abaixo do que previu antes da pandemia foi a venda de jogadores. Na verdade, até superou a meta inicial de R$ 80 milhões, fazendo R$ 221,1 milhões até o terceiro trimestre, quase metade de tudo que arrecadou.

O problema é que somente as vendas não foram suficientes para evitar que o Flamengo chegasse aos últimos meses do ano no vermelho, ou seja, gastando mais do que faturou: déficit de R$ 19,8 milhões. As despesas em atividades sociais e esportivas foram de R$ 433,7 milhões – o restante é completado com gastos administrativos.

No futebol, o impacto do momento financeiro já é sentido, por exemplo, na renovação do goleiro Diego Alves, que chegou a encaminhar um acordo com a direção futebol, mas teve o acerto barrado pelos valores envolvidos.

O Flamengo ainda tem outros gastos importantes pela frente, pensando no planejamento de 2021, sendo o principal deles a compra do atacante Pedro, emprestado pela Fiorentina até dezembro. O valor para a aquisição é de 12 milhões de euros (R$ 75,8 milhões).