"Se ele foi o mais caro da história do Benfica, com a pandemia não sei, mas talvez seja também o jogador mais caro a sair do Benfica. (...) Este garoto vai ser top no mundo e, infelizmente para mim, vou perdê-lo em pouco tempo."
As declarações de Jorge Jesus ao canal português Sport TV em 22 de outubro mostram como Darwin Nuñez rapidamente encantou o técnico do time lisboeta. Naquele dia, o uruguaio havia anotado um hat-trick no triunfo por 4 a 2 sobre o Lech Poznan, pela Europa League (veja os gols no topo da matéria).
Em 11 jogos disputados na temporada, são cinco gols e cinco assistências que o fazem o vice-artilheiro da equipe (Haris Seferovic tem seis) e principal garçom ao lado de Everton.
O camisa 9 começou imediatamente a dar argumentos para justificar os 24 milhões de euros (R$ 154,5 milhões na cotação atual) que o Benfica pagou para tirá-lo do Almería, fazendo dele o reforço mais caro da história dos Encarnados.
O sucesso rápido é algo que Nuñez já está habituado, uma vez que ficou apenas uma temporada no clube espanhol, pelo qual marcou 16 gols na segunda divisão em 2019-20, depois de ter sido contratado por 7 milhões de euros (R$ 45,1 milhões) junto ao Peñarol, segundo dado do site Transfermarkt.
Tendo ido ao futebol europeu logo após ter completado 20 anos, o atacante mostrou estar pronto para grandes desafios desde cedo, como conta o ex-zagueiro Bressan, que defendeu o Peñarol no segundo semestre de 2016, quando Nuñez tinha apenas 17 anos.
“Era um guri que pela forma como se comportava já tinha uma postura diferente. A qualidade técnica é inegável. Ele não se escondia para jogar entre os profissionais. Às vezes você sobe para o profissional e fica meio acanhado, ele não era assim”, contou o ex-atleta de Grêmio e Flamengo, hoje no FC Dallas, ao ESPN.com.br.
“Os meninos de 17 anos ainda têm muita coisa para se aprimorar, mas nele já dava para ver que era diferente pela idade e tamanho. Não me surpreende ele estar nesse nível e vendo grandes clubes do mundo falando dele com pouco tempo de Benfica”, disse Bressan sobre o atacante que atraiu o interesse do Barcelona.
“Era duro marcá-lo nos treinos, não tinha vida fácil. Como estava surgindo, era a chance dele se firmar na equipe principal do Peñarol.”
Nuñez já não é mais um menino e se confirma cada vez mais como uma realidade no futebol europeu. O grande nível o fez estrear pelo Uruguai em outubro de 2019, ocasião em que marcou em empate por 1 a 1 em amistoso contra o Peru. Chamado novamente na última convocação e na atual, ele fez um belíssimo gol para fechar o triunfo uruguaio sobre a Colômbia por 3 a 0 na última sexta-feira.
Com Luis Suárez virando desfalque por ter testado positivo para COVID-19, Nuñez tem chances de ser titular na partida contra a seleção brasileira nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília) no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Assim, Bressan apresenta as armas do jogador com o conhecimento de quem já conviveu de perto e que pode ser tornar ainda mais famoso entre os brasileiros.
“A parte de movimentação era diferente, porque sempre buscava espaços nas costas dos zagueiros para jogar. Pela altura e força, ele tem uma boa técnica. Finalizava muito nos treinos. Tinha controle de bola.”
