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Santos: Peres garante que tentou ligar para Jesualdo e diz que idade foi um dos motivos de demissão

Em participação no BB Debate, da ESPN Brasil, o presidente do Santos, José Carlos Peres, respondeu o português Jesualdo Ferreira, ex-técnico do clube, que, em participação no Bola da Vez, chamou o mandatário de "desleal" e criticou seu "sumiço" no dia da demissão.

Na entrevista, Peres garantiu que tentou, sim, falar com Jesualdo por telefone, mas não conseguiu.

Além disso, o dirigente considerou a troca do luso por Cuca como acertada, e salientou que o europeu foi demitido também pela idade avançada (completou 74 anos em maio), o que levou a diretoria a considerar que ele não aguentaria a maratona de jogos do calendário 2020/21 do futebol brasileiro.

"O Jesualdo, como técnico, foi nota 10. O problema que nós analisamos nele não foi deficiência técnica. Era isso que eu queria ter dito para ele, mas ele não me deu oportunidade. Foi o novo cenário, pós-pandemia, jogando vários dias seguidos, o que não é coerente com um técnico de 74, 75 anos. Era isso que eu queria passar para ele, que não tenho nada contra ele. Ele tem meu telefone. Se quiser ligar, a gente tira todas as dúvidas. Mas não consegui falar com ele", afirmou.

"O Jesualdo não vinha com bons resultados, houve uma pressão muito grande (pela demissão), mas nós não trabalhamos com pressão. Segurei o máximo que pude, mas a saída dele não foi só pelos resultados. Foi pensada também pela idade versus o novo cenário do futebol brasileiro. O cenário da contratação dele foi um, o da saída foi outro", seguiu.

"Ele é do grupo de risco, teria que pegar avião. Como ontem, quando nossa equipe foi jogar no Equador, e lá tem um foco muito grande de contaminação. O Flamengo passou por isso, a gente passou por isso. Tínhamos que tomar uma posição. Nós levamos muito mais essa questão futura em conta, além da forma também de um time um pouco mais ousado, mais próximo do futebol para frente, que é uma característica do Cuca", argumentou.

"Pagamos tudo para o Jesualdo, ele ficou sem nada para receber. Ele está magoado não sei por quê... Eu assumo a responsabilidade, mas volto a dizer: nós temos o maior carinho e o maior respeito por ele. Nos dedicamos para que não faltasse nada para ele. Agora, foi uma tomada de posição, porque o cenário mudou e nós temos que enfrentar esse cenário", disse.

"Eu tentei falar com ele, sim. Tenho no meu celular as vezes que tentei ligar. Tentei falar com ele no hotel e não consegui. Aí me disseram que ele tinha ido embora, depois disseram que não tinha. Queria ter essa conversa com ele para não ficar nada no ar, mas ele viajou, foi embora, e não consegui falar", assegurou.

"Não houve de forma alguma desrespeito à figura dele. Nós temos o maior carinho pelo Jesualdo. Ele contribuiu, sim, com a diretoria, foi leal o tempo todo, nos ajudou nos momentos mais difíceis que passamos, inclusive pós-pandemia. Mas é sempre assim, o culpado é o presidente... Ele achou que no momento da demissão eu tinha que estar lá (no CT). Tentei falar com ele várias vezes, está no meu celular", completmentou.

Peres ainda disse que Jesualdo é um "ser humano excepcional" e relatou que os jogadores gostavam dele. No entanto, voltou a defender a demissão.

"O Jesualdo é uma pessoa excepcional, como ser humano e como técnico também. Infelizmente, não deu para segurar. Nosso colegiado avalizou essa nossa atitude, e chegou em um ponto que ia começar o Campeonato Brasileiro. Nós tínhamos que tomar uma atitude. O Jesuadlo era gente boa, boa praça, mas também pela idade dele, e pela forma que mudou o campeonato, que se jogaria domingo, terça, quinta, sábado, e isso está acontecendo agora, todo mundo está vendo. Então, a gente tinha que tomar uma posição", observou.

"Particularmente, muita gente achava que ele não ia aguentar (a maratona de jogos), e ele sabe disso. Ninguém o enganou. Seguramos o máximo que pudemos, e achamos que tinha que fazer a modificação. E fizemos. Essa modificação foi feita, substituímos o treinador e acho que os resultados agora estão dizendo se acertamos ou erramos", finalizou.