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Champions League: Como Bayern 'invencível' deixa Barcelona e Messi em raro papel de azarão no duelo

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Thiago dá chutão, e Coutinho, metros atrás, percebe bola caindo e a 'coloca para dormir' com matada espetacular (0:09)

Brasileiro mostrou talento durante o treinamento do Bayern de Munique (0:09)

Barcelona e Bayern de Munique reúnem, juntos, todos os títulos entre os remanescentes da fase final Champions League. Enquanto os demais participantes sonham com a primeira conquista, a dupla pode se gabar de ter dez troféus em sua coleção, cinco para cada lado. Mas a posição de equilíbrio talvez acabe aí.

Se são igualmente tradicionais, vencedores e temidos em seus respectivos países e também no continente, Barça e Bayern chegam de maneiras absolutamente diferentes para o confronto desta sexta-feira, às 16h, em Lisboa, na partida que vale uma vaga na semifinal e um passo adiante na busca pelo sexto título da Champions. O ESPN.com.br acompanha tudo em Tempo Real.

O Bayern chega com confiança lá no alto por conta de uma temporada especial. São 40 vitórias em 49 jogos, os títulos da Bundesliga e da Copa da Alemanha, incriveis 147 gols, um Lewandowski em fase iluminada e, se já não era o bastante, 100% de aproveitamento na Champions League. São oito vitórias, média de quase quatro gols por jogo (31) e apenas seis sofridos.

A equipe alemã ostenta ainda 19 vitórias consecutivas e uma série de 28 jogos sem perder. A última derrota foi em 7 de dezembro, para o Borussia Mönchengladbach, pela 14ª rodada do Campeonato Alemão. Motivos suficientes para acreditar em mais uma boa atuação nesta sexta e também levantar a dúvida: seria o Barcelona de Messi a "zebra" do confronto?

Pela temporada, não é absurdo dizer que sim.

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Thiago dá chutão, e Coutinho, metros atrás, percebe bola caindo e a 'coloca para dormir' com matada espetacular

Brasileiro mostrou talento durante o treinamento do Bayern de Munique

Ao contrário do Bayern, o Barça não levantou nenhum caneco nos últimos meses: foi vice-campeão de LaLiga, ao ser atropelado pelo Real Madrid na volta do futebol pós-pandemia, caiu nas quartas de final da Copa do Rei e chegou "somente" à semifinal da Supercopa da Espanha. Está invicto na Champions (cinco vitórias e três empates), mas nem de longe causa o mesmo encanto que o adversário.

Fora isso, há outros problemas a serem considerados. Antes da despachar o Napoli, Quique Setién teve o futuro bastante contestado, após críticas públicas de Lionel Messi e a dificuldade de implantar um futebol mais agradável/eficiente no Barcelona. Soma-se a isso os desfalques do elenco, entre eles o brasileiro Arthur. Negociado com a Juventus, ele decidiu não se apresentar para a reta final da Champions e criou um desgaste com a diretoria nos bastidores.

Todos esses ingredientes colocam o Barcelona em uma posição que raramente esteve em um confronto decisivo. Fazendo o recorte desde o título europeu de 2008-09, o primeiro com o protagonismo de Messi, é difícil lembrar uma partida em que o Barça, seja em grande fase ou momentos irregulares, chegou mais enfraquecido que o adversário.

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De lá para cá, alguns eliminaram o Barcelona na Champions: a Inter de Milão de José Mourinho (2009-10), o Chelsea de Roberto Di Matteo (2011-12), duas vezes o Atlético de Madrid de Diego Simeone (2013-14 e 2015-16), a Juventus de Massimiliano Allegri (2016-17) e também o Liverpool de Jürgen Klopp (2018-19).

Quem pode ter chegado mais perto de ser favorito foi o próprio Bayern, na temporada 2012-13, quando pegou um Barcelona abalado emocionalmente pelo estado de saúde de Tito Vilanova. O técnico ficou três meses internado para tratar um câncer raro, que acabou vitimando-o meses depois.

Com Vilanova no banco, mas sem Messi nas melhores condições (jogou baleado a primeira partida e ficou fora da segunda), os alemãos fizeram 7 a 0 no placar agregado, evitando qualquer chance à equipe de Xavi e Iniesta, que iniciaria uma reformulação para as temporadas seguintes.

Ainda assim, parecia haver um equilíbrio maior por um ou outro fator.

O principal ainda está lá: Messi, o craque que passou a se posicionar sobre os problemas do time e, ainda que solitariamente, não deixou de brilhar em campo. É nele que Setién, o presidente Josep Maria Bartomeu, os companheiros e a torcida depositam a confiança para desafiar o único time que não desperdiçou ponto algum na atual edição da Champions.

É bom lembrar que o Bayern faz parte das vítimas históricas do camisa 10. Como esquecer a vez em que Boateng caiu de costas após um drible seco do argentino, momentos antes de uma cavadinha sobre Neuer na semifinal de 2014-15? Messi pode fazer de novo, ainda mais se companheiros como Griezmann, Suárez, Rakitic, Vidal e outros tantos estiverem na mesma sintonia.

O Bayern fará o possível para evitar isso. Para muitos o melhor time do mundo na atualidade, o gigante alemão tem, talvez pela primeira vez em mais de uma década, o favoritismo nas mãos contra o Barcelona. Mas é bom não se descuidar de Lionel Messi, o craque que, sozinho, tem capacidade para equilibrar as coisas. Ou desequilibrá-las, mesmo que os números mostrem o contrário.