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Estudo divide clubes brasileiros entre 'equilibrados' nas finanças e os que 'vivem no século passado': 'Não dá para ter Ferrari ganhando salário mínimo'

Forma-se, e se torna cada vez maior, um abismo entre os clubes mais equilibrados, com gestões modernas, e aqueles que ainda são administrados de modo quase amador. Esse abismo está acelerando uma verdadeira revolução no futebol do Brasil, que pode fazer clubes tradicionais percam espaço para agremiações “emergentes”.

É o que mostra versão 2020 do estudo anual “Análise Econômico-Financeira dos clubes de Futebol” divulgado nesta terça-feira (28) pelo Itaú BBA.

O estudo destaca, por exemplo, que Flamengo, Palmeiras e Grêmio formam um bloco cada vez mais descolado de seus adversários da Série A.

E que a tendência é que seus rivais históricos e tradicionais como Corinthians, São Paulo, Vasco, Santos, Fluminense e Botafogo percam espaço nos cenários esportivo e econômico para agremiações com menos apelo nacional, como Athletico-PR, Bahia, Ceará, Fortaleza e Goiás.

“A divisão agora passa a ser entre os que entenderam que o equilíbrio financeiro e a gestão eficiente são parte necessária para o desempenho esportivo e o grupo que ainda vive no século passado, repetindo velhas e mal sucedidas práticas”, diz Cesar Grafietti, que liderou o estudo.

A disputa é entre os clubes que projetam e planejam suas receitas a médio e longo prazo X aqueles que pensam em uma conquista num prazo mais curto, mas tendo como efeito colateral fazer gastos acima de suas capacidades de geração de receita.

"Enquanto quem arrumou a casa pode investir, contratar, gastar e se fortalecer, outros tentam a mesma solução mas sem lastro. Não dá para ter uma Ferrari ganhando salário mínimo e vivendo em casa alugada. Só em ficções no cinema. Ao tentar isso no futebol, quem se imagina milionário excêntrico como Tony Stark não viram o Homem de Ferro, mas um boneco de lata enferrujado."

Tal cenário, que já era complicado, torna-se ainda mais difícil com a questão da paralisação devido à pandemia de COVID-19 e suas consequências, como jogadores ganhando direito de deixarem clubes via processos trabalhistas por atrasos e reduções de salários.

No atual ritmo, é possível, imaginar, segundo Grafietti, que alguns clubes podem nem conseguir montar e bancar equipes profissionais para 2021, exceto se algum fato extraordinário ocorrer, como uma venda expressiva de direitos econômicos ou a chegada de um mecenas.

“O futebol é um esporte e clubes desorganizados podem ser campeões e, outros organizados, podem não conquistar títulos, é claro”, pondera o analista.

“Mas a tendência apontada pelo estudo é uma dificuldade cada vez maior”, acrescenta.