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Cruzeiro topou pagar R$ 53 milhões em 'operação Rodriguinho' com garantia 'curiosa', salários e comissão, diz jornal

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Via YouTube/Cruzeiro Esporte Clube | Jogador conversou com Sérgio Santos Rodrigues na 'Live do Presidente' (1:33)

A contratação do meia Rodriguinho pelo Cruzeiro em janeiro de 2019 chamou a atenção geral não apenas pela qualidade do jogador que estava regressando ao Brasil após um semestre no Pyramids, do Egito, e sim pelos valores envolvidos. Mas ninguém podia imaginar naquela época que eles chegavam a R$ 53 milhões e em condições tão incomuns dentro do futebol.

Segundo reportagem do jornal “SuperEsportes” desta quarta-feira (8), o valor total da operação inclui aquisição de direitos econômicos (R$ 26,3 milhões), remuneração ao longo dos 36 meses (R$ 14 milhões), direito de imagem (R$ 9,3 milhões) e comissões a intermediários (R$ 3,4 milhões).

A publicação explica que não necessariamente tudo foi pago porque Rodriguinho, que inicialmente tinha contrato de três anos, foi para o Bahia no início da atual temporada. Aliás, ele deixou a Toca da Raposa com muitos vencimentos atrasados.

Mas a operação não estava fixada em R$ 53 milhões. Podia ser muito mais se o meio-campista conquistasse Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e Mundial de Clubes nos três anos de contrato. Tudo porque havia uma cláusula de bônus de R$ 650 mil (para título ou se ele estivesse em campo em 70% dos jogos feitos pelo Cruzeiro em cada um dos torneios).

Os salários também tiveram cifras elevadas. Aos 30 anos, ele recebia R$ 650 mil por mês, sendo R$ 390 mil na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e R$ 260 mil de imagem.

Muito mais do a curta passagem de Rodriguinho pelo time celeste, a operação mostrou-se um fracasso porque o Cruzeiro nem sequer honrou o que ficou acertado com o Pyramids.

A reportagem diz que o valor da compra foi fechado em 7 milhões de dólares livres de impostos, o que significava na cotação da época R$ 26,3 milhões. Sem ter o dinheiro em caixa, a diretoria do então presidente Wagner Pires de Sá dividiu em sete parcelas.

Foi feito um primeiro pagamento no valor de R$ 3,85 milhões em 25 de janeiro de 2019. As demais parcelas jamais foram cumpridos. Elas estavam previstas para novembro de 2019 (500 mil dólares), fevereiro de 2020 (500 mil dólares), maio de 2020 (1 milhão de dólares), agosto de 2020 (500 mil dólares), novembro de 2020 (500 mil dólares) e janeiro de 2022 (3 milhões de dólares).

Ficou acertada uma multa de 10% em caso de atraso, além de juros de mora (atraso) de 6% ao ano até a data do pagamento. Ou seja, os 6 milhões de dólares restantes já valem muito mais nos dias de hoje.

Mais "curiosa" foi a garantia dada pela diretoria de Pires de Sá aos egípcios caso não honrasse as parcelas. Por meio de um Instrumento de Garantia de Cessão, concedeu ao Pyramids o repasse de 20% dos direitos econômicos do zagueiro Murilo, do atacante Raniel e do atacante Vinícius Popó.

Como lembra bem o jornal, Murilo foi negociado com o Lokomotiv, da Rússia, por R$ 11 milhões, em junho de 2019 (20% representa R$ 2,2 milhões), e Raniel foi vendido ao São Paulo por R$ 12,9 milhões, no mês seguinte (20% representa R$ 2,58 milhões).

Os intermediadores da negociação ainda receberam a promessa de uma comissão de R$ 3,4 milhões em um acordo entre Eduardo Maluf, dono da Dut’s Marketing Esportivo, que representa o Pyramids no Brasil, e Luís Paulo Santarelli, dono da Santarelli Sports e empresário de Rodriguinho. Assim, diz o jornal, o Cruzeiro teria de pagar R$ 1,8 milhão para Maluf em três parcelas (janeiro, fevereiro e março do ano passado), mas que ele recebeu R$ 1,27 milhão.

Rodriguinho deixou o Cruzeiro neste ano com salários e direitos de imagem atrasados. Saiu após não aceitar o acordo da nova diretoria para redução dos vencimentos. Ao longo de uma temporada, acabou marcado por lesões, com duas cirurgias na região lombar, somando 20 partidas e oito gols. Ainda entrou em campo duas vezes pelo time celeste em 2020 até sair para o Bahia.