Lenda do futebol alemão, Lothar Matthäus concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br e falou sobre diferentes temas, como o 7 a 1, a passagem de Philippe Coutinho no Bayern de Munique, o nível do futebol alemão e muito mais.
O ex-jogador de 59 anos foi o capitão da seleção alemã na conquista da Copa do Mundo de 1990, mesmo ano em que faturou a Bola de Ouro. No seu currículo, constam sete títulos da Bundesliga (todos pelo Bayern), um Campeonato Italiano pela Inter de Milão, entre outras taças.
Posteriormente, ele trabalharia como técnico, tendo passado pelas seleções da Hungria e da Bulgária, Athletico-PR e outros clubes. Atualmente, ele é comentarista de futebol.
Confira os principais tópicos da entrevista abaixo:
Philippe Coutinho
O brasileiro foi emprestado ao Bayern de Munique nesta temporada, com opção de compra fixada em 120 milhões de euros. O jogador até soma oito gols e seis assistências em 22 jogos com a camisa 10 do clube na Bundesliga, mas não encantou, e os bávaros não exerceram a opção de compra do atleta, que atualmente se recupera de uma cirurgia no tornozelo.
“Talvez não tenhamos a posição correta para ele no Bayern de Munique. O estilo do Bayern é diferente do estilo do Barcelona e da seleção brasileira. Ele é um ótimo jogador e jogou bem quando estava no campo mas, talvez, o técnico esperasse algo diferente de seus jogadores”, declarou Matthäus.
7 a 1
O que explica a vitória da Alemanha sobre o Brasil por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2014? Com a palavra, Lothar Matthäus.
“Acho que o time do Brasil, desde o começo, não estava no caminho certo para jogar um grande torneio. O mesmo aconteceu no primeiro jogo, o time tinha vários problemas", disse Matthäus. "Todo mundo só falava do Neymar. E aí o Neymar se machucou. Acho que o problema do time foi sentir muita pressão do lado de fora, da torcida, porque a torcida aceita apenas o título da Copa do Mundo e, talvez, para esse time jovem, era muita pressão.”
Copa de 2018
No Mundial seguinte, a Alemanha decepcionou e fez sua pior participação na história do torneio, caindo na fase de grupos ao perder para México e Coreia do Sul e vencer a Suécia. O ex-jogador deu sua opinião sobre o que causou a queda precoce na competição.
“Eu acho que o Joachim Löw estava acreditando muito nos jogadores de 2014, que o ajudaram a vencer o título de 2014, no Brasil. Ele manteve a maioria dos jogadores e jogou a Copa do Mundo seguinte com eles, e eu acho que não foi uma boa decisão da parte dele. Nós tínhamos jogadores experientes, mas não tínhamos velocidade”, afirmou.
Athletico-PR
O ex-líbero ficou conhecido no Brasil também por sua rápida passagem pelo Athletico-PR no primeiro trimestre de 2006, mas acabou deixando o clube por motivos pessoais. Foram apenas oito jogos, sendo seis vitórias e dois empates.
“Se eu pudesse mudar alguma decisão na minha vida, seria essa decisão, quando deixei Curitiba após dois meses. Eu tive alguns problemas familiares na Alemanha”, disse o alemão. “Não acho que tenha sido correto da minha parte e, por isso, eu digo 12 ou 13 anos depois: Me desculpe, Athletico-PR, por ter deixado vocês após dois meses”.
Erling Haaland
Alguns dos nomes mais promissores do futebol mundial estão na Alemanha. Entre eles, Erling Haaland. Contratado pelo Borussia Dortmund no começo do ano, o norueguês de 19 anos soma 13 gols em 13 jogos pela equipe aurinegra.
“Acho que ele tem que ficar um pouco em Dortmund, na Bundesliga, jogar em um nível superior ao austríaco, jogar com companheiros melhores no Borussia Dortmund. Eu tenho certeza de que, daqui a pouco, ele será um jogador do Barcelona ou do Real Madrid”, declarou.
Jogadores alemães
E entre os alemães, quem você destacaria, Matthäus?
“O Kai Havertz é, para mim, o maior talento do futebol alemão hoje em dia. Temos outros jovens jogadores também. [Leroy] Sané, que está jogando no Manchester City. Muita velocidade pelo lado esquerdo, sabe marcar gols, pode dar o último passe para o seu companheiro. É a mesma coisa, um jovem jogador. Joshua Kimmich do Bayern de Munique, mesma coisa, 23 ou 24 anos. Ele vai ser um líder no futuro, não apenas no Bayern de Munique, mas na seleção da Alemanha.”
Bola de Ouro
Mesmo com grandes nomes de destaque, a Alemanha não tem um Bola de Ouro desde que Matthäus ficou com o prêmio em 1990. O que justifica esse cenário?
“A razão? Nos últimos 12 anos, tivemos Messi e [Cristiano] Ronaldo. Antes disso, tivemos o seu Ronaldo também, o brasileiro. Não é coisa dos alemães, é que tivemos muitos grandes jogadores no mundo. Você viu, nós vencemos a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, mas quem foi o melhor do mundo? Ronaldo ou Messi”, afirmou Matthäus.
Melhor do mundo pós-Messi e Cristiano Ronaldo
Mas quando Cristiano Ronaldo e Lionel Messi não estiverem mais no topo do futebol mundial, quem é o grande candidato a sucedê-los?
“Eu acho que quando o Mbappé estiver jogando em outro clube, maior que o Paris, ele terá uma grande chance quando vencer títulos com este clube, de ser o próximo Messi ou Ronaldo.”
‘Matthäus de hoje’
O ex-líbero e meio-campista ainda falou sobre qual jogador dos tempos atuais mais o faz lembrar dele mesmo em campo. E a resposta está no próprio Bayern de Munique.
“Acho que o Leon Goretzka. Ele é um camisa 8, é um jogador box-to-box. Um pouco diferente de mim, porque eu ia para o outro lado do campo com a bola nos pés. Ele faz boas corridas e entra na área para marcar gols”, disse Matthäus.
Neymar
O ícone do futebol alemão também foi questionado sobre Neymar, a quem classificou como um dos melhores do mundo.
“Acho que ele tem que apenas jogar futebol. É o melhor que ele faz para ele mesmo, jogar o seu jogo. Ele é muito rápido, ele sabe fazer gols, ele tem bons dribles, ele dá bons passes, ele pode jogar como camisa 10, pode jogar aberto pela esquerda. Eu acho que não precisamos que ele faça um showzinho. Ele tem que focar no futebol, e foi isso que o tornou um dos melhores jogadores do mundo”, disse.
