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Clube europeu dispensa nove jogadores que recusaram corte salarial durante crise do coronavírus

O clube suíço FC Sion demitiu nove jogadores do time principal após eles se recusarem aos cortes salariais por conta da pandemia do novo coronavírus. Em meio a decisão, Lucien Valloni, chefe da União dos Jogadores Suíços (SAFP), chamou as demissões de “ultrajes”.

Assim como o futebol ao redor do mundo, a Liga Suíça foi provisoriamente suspensa, tirando a renda que a maioria dos clubes receberiam nos próximos meses. Sion demitiu nove jogadores, falando em um email, que os atletas se recusaram a trabalhar por meio período, como havia sido determinado pelas diretrizes do governo suíço.

“Não é aceitável se comportar desta forma”, afirmou Lucien Valloni, presidente da SAFP.

“Se uma crise aparecer, você precisa cuidar de seus empregados e não colocar uma arma na cabeça deles, dizendo que eles precisam aceitar em 24 horas a redução (salarial) ou não. E, se eles falarem não - o que é o direito deles - você os demite. Isso é realmente ultrage”, complementou.

Valloni afirmou que é prematuro considerar cortes salariais e que os clubes deveriam procurar soluções mais abrangentes.

“Eu acredito que foi um sinal ruim, um sinal errado e não um sinal de solidariedade”, afirmou o presidente da SAFP. “Antes mesmo do Sion fazer isso, estavamos procurando uma solução para todos, e os jogadores estavam preparados em ajudar os clubes. Mas redução salarial é uma decisão prematura.”

O presidente do Sion, Christian Constantin, afirmou depois da demissão que “não havia motivo manter jogadores que não querem fazer um esforço, enquanto todas as outras pessoas fazem um esforço.”

“Eu disse para eles que o salário (reduzido) é o equivalente ao de duas ou três enfermeiras se esforçando para salvar vidas”, adicionou.

Constanti empregou cerca de 40 técnicos diferentes (incluindo ele mesmo por um curto período) durante seu mandato como presidente do clube, que começou em 2003.

O Sion chegou a ser expulso da Europa League de 2011 por colocar um atleta ilegível a campo e, em 2018, foi banido por um ano de competições europeias por conta de dívidas com outro clube. Neste mesmo ano, Constantin foi banido por 14 meses (pena que foi reduzida posteriormente para nove meses) por ter dado um tapa em um especialista da televisão suíça.

“Eu fiquei chocado e os jogadores ficaram chocados também, mesmo que tenha sido o Sr. Constantin e o FC Sion...isso foi algo que superou tudo que havíamos visto antes”, afirmou Valloni.

Ele também comentou que os jogadores estão trabalhando diariamente, mesmo que as partidas estejam canceladas.

“Eles tem treinos individuais programados, então trabalham de casa. Mas ainda estão trabalhando, então porque não merecem ser pagos?”, questionou Valloni.