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Ex-Real Madrid, Abner busca recomeço pelo Água Santa no Paulistão: 'Não pensei duas vezes para vir'

Depois de deixar o fantasma das lesões para trás, Abner busca recomeçar a carreira no Água Santa-SP e projetar seu nome no mercado nacional. O ex-jogador do Real Madrid decidiu voltar ao Brasil em 2018 e defendeu Coritiba e Athletico-PR, pelo qual venceu a Copa do Brasil.

"Eu tinha outras ofertas, mas o Campeonato Paulista é muito disputado. É o torneio que mais se aproxima do Brasileirão, é uma vitrine. As equipes do interior sempre montam times fortes e competitivos como o Red Bull e a Ferroviária. Quando o [técnico] Fernando [Marchiori] disse que eu iria jogar, não pensei duas vezes porque preciso de uma sequência de jogos e aparecer no mercado", disse, ao ESPN.com.br.

O time de Diadema encara o São Paulo na estreia do Estadual no Morumbi, nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília).

"Quero ajudar a conseguir os objetivos para o clube: permanecer na Série A1 e brigar pela classificação. Eu encaro essa oportunidade como um renascimento porque me sinto recuperado das lesões. Graças a Deus não sinto nada no meu joelho e nos meus músculos", explicou.

Emprestado até o fim do Estadual para o Água Santa, o lateral-esquerdo de 23 anos renovou contrato com o Athletico-PR.

Do Coritiba ao Real

Nascido em Londrina, no norte do Paraná, Abner foi aos 10 anos para o PSTC, clube especialista na formação de jogadores. Cinco anos depois, ele foi convidado pelo Coritiba para disputar um torneio. Foi tão bem, que acabou ficando.

O bom desempenho levou o lateral-esquerdo à seleção brasileira, na qual atuou nas equipes sub-17 e sub-20. Mesmo muito jovem, já ganhou uma oportunidade no time principal do Coritiba e, aos 17 anos, estreou no empate por 2 a 2 com o Goiás, no Campeonato Brasileiro de 2013.

Pouco depois, ele recebeu sondagens de alguns dos maiores clubes do mundo e seu empresário viajou para a Europa para negociar com a Roma e o Atlético de Madrid. Na Espanha, ele acabou contratado pelo Real Madrid.

"Meu empresário tinha passado na Itália para negociar com a Roma e depois foi para a Espanha negociar com o Atlético de Madrid. Surgiu o interesse do Real Madrid, mas meu empresário não sabia. Foi descobrir isso de uma forma bem curiosa. Na época o Pablo, que hoje está no Atlético-PR, jogava no Real Madrid B. Por ser muito amigo do pai dele, meu empresário foi jantar com eles e acabou perdendo a carteira", disse em 2018.

"Depois, o pai do Pablo foi perguntar ao Real Madrid se poderiam ajudá-lo a achar e disse que o empresário do Abner estava na cidade para conversar com o Atlético de Madrid e perdeu a carteira. Nisso o diretor do Real respondeu que tinha interesse em mim e ele pediu para falar com meu empresário. Eles conversaram também com o Coritiba e, no final, deu tudo certo. Meu empresário achou a carteira e eu fui para o Real Madrid", se divertiu o jogador, ao contar como foi parar na Espanha.

E foi no Real Madrid que Abner conheceu um de seus grandes mentores: Zinedine Zidane, na época técnico do Real Madrid Castilla, o time B do clube e que disputa divisões inferiores na Espanha.

Lá, ele tinha como companheiros, além de seu amigo Pablo, jogadores como Casemiro e Lucas Vásquez, hoje nomes importantes do time principal.

"O Zidane assumiu o Castilla assim que eu cheguei. Na pré-temporada, foi surreal, uma experiência muito boa. Zidane foi um dos grandes jogadores da história do futebol e fundamental na minha carreira. Lembro que a primeira vez que falei com ele foi em um treino que estava fazendo separado dos outros, com o preparador físico. Ele foi me ver e batemos um papo rápido. Me desejou boas-vindas e que eu fizesse sucesso", lembra.

"Ele é bem tranquilo, mas quando começa a trabalhar, cobra muito. É bem participativo. Ele fazia vários treinos com a gente dentro do gramado, dando passes, fazendo jogadas. Ele passa a experiência que viveu no futebol para os jogadores dentro do rachão. E ele dava show, totalmente em forma. A gente brincava muito que o controle dele de bola estava em dia", contou Abner, que chegou até mesmo a treinar com o time principal, que na época era treinado por Rafa Benítez.

Minha mãe com o treinador #ZIDANE .. 👏👏👏⚽️🔝🔝

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E quem diria que um dos maiores jogadores da história do futebol seria praticamente um "anjo da guarda" na vida de um atleta em início de carreira e que sofreu a dor de uma lesão que o fez cogitar até desistir do futebol.

"Quando eu machuquei o joelho pela segunda vez, eu pensei em parar. Eu cheguei no vestiário e disse que ia parar. O Zidane me chamou para falar na sala dele. Chegando lá, eu disse que gostaria de parar de jogar porque já tinha passado por essa situação antes na seleção e sabia como era ruim. O Zidane me disse: 'você tem muito talento, gosto muito de você. É muito jovem e tem muito futuro pela frente'. Ele foi uma peça fundamental na minha carreira. Ele gosta muito de mim e a opinião dele foi muito importante para eu seguir no futebol".

E Abner, pela segunda vez na curta carreira, passou meses fora dos campos para tratar um problema no joelho.

"Isso me atrapalhou bastante por um tempo, mas tive muita ajuda do Real Madrid, que me levou nos melhores médicos do mundo. Tive todo o suporte deles", comemorou Abner, agradecendo o apoio que recebeu do clube espanhol na fase mais difícil da carreira.

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Campeão no Brasil

Recuperado dos problemas físicos, Abner precisava recuperar seu espaço e, mais do que isso, ter ritmo de jogo. Como no clube espanhol a concorrência era grande, ele pediu para ser emprestado ao Estoril, mas não conseguiu uma sequência de jogos.

Em 2018, ele voltou ao Coritiba, pelo qual jogou a Série B.

"A volta foi muito boa porque fui ao Coritiba, clube no qual comecei e tinha um carinho enorme. Eles abriram as portas pra mim. Fiz alguns jogos e fui bem".

Após não renovar contrato com o time alviverde, ele foi para o arquirrival Athletico-PR.

"A rivalidade é muito grande. Não fui o primeiro e nem serei o último jogador a fazer isso. Tinha que pensar em mim e no meu trabalho. O Athletico-PR está muito melhor do que o Coritiba, e conseguir ir para um trabalho com condições melhores você não pode rejeitar", explicar.
No ano passado, ele foi reserva no grupo que venceu a Copa Suruga e a Copa do Brasil.

"Não pensei duas vezes e fui pela grandeza do clube. O segundo jogo da semifinal contra o Grêmio foi especial porque tínhamos perdido por 2 a 0 e a maioria não acreditava na gente. Vencemos e fomos para os pênaltis, quando nos classificamos. Eliminamos o Flamengo no Maracanã com o time muito forte que eles têm, algo muito marcante".