O Boca Juniors está próximo de escolher seu novo presidente. No próximo domingo (8), mais de 87 mil pessoas irão votar no próximo comandante do clube xeneize que será, também, o líder do "25º estado" argentino.
O Boca Juniors está longe de ser apenas um clube de futebol e sua política tem influência, também, na política nacional. Basta pegarmos como exemplo o atual presidente da Argentina, Mauricio Macri. Entre 1995 e 2007, Macri foi presidente do clube até que foi eleito prefeito da cidade de Buenos Aires, muito por conta de sua influência com La 12, a principal organizada do Boca, aonde ficou até 2015 quando venceu a eleição nacional.
O Boca Juniors tem cerca de 20 milhões de torcedores em um país que, segundo o último levantamento, de 2017, tem 44,27 milhões de habitantes. Ou seja, quase metade da população argentina torce para o Boca. Ser presidente do clube e fazer um bom trabalho é ter o apoio de quase 50% do país.
Para a disputa deste ano são três nomes: Christian Gribaudo, candidato aliado de Daniel Angelici, atual presidente, José Beraldi e Jorge Amor Ameal, este último com Juan Román Riquelme como seu candidato a vice.
A entrada de Riquelme, um dos maiores ídolos da história do clube, na vida política do Boca Juniors também trouxe muitas intrigas. Angelici, revoltado com a presença do Eterno 10 na oposição, atacou Román, disse que o ex-jogador era um "detonador de vestiários", acusou-o de sequer ser torcedor do clube e não ter ética.
As acusações de Angelici refletiram na disputa política: os opositores atacaram questionando a transparência das eleições, fazendo denúncias de que a barra brava estaria pressionando sócios para votarem na situação, houveram reclamações sobre "traições" e acusações de "venda de cargo".
Atualmente, o Boca Juniors conta com 87 mil sócios habilitados a votarem na eleição e a expectativa na Bombonera é de uma presença recorde de votantes. No total, o Boca Juniors conta com 117 mil sócios que geram uma renda de cerca de R$ 28 milhões anuais. Além dos sócios, o Boca tem uma renda anual de cerca de R$ 281 milhões e, segundo o último balanço, fechou o ano com um superávit de R$ 84 milhões.
E não é só isso: para sequer poder se candidatar ao posto de presidente, a pessoa deve apresentar uma garantia de que possui U$ 4 milhões (R$ 16 milhões) para utilizar como respaldo ao clube em caso de má gestão.
Política, poder, milhões e paixão. Tudo está em jogo na eleição deste domingo no Boca Juniors.
