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'Virou loucura': ex-jogador relembra o dia em que Diniz começou briga campal contra o Palmeiras

O São Paulo vai encarar o Palmeiras, no Allianz Parque, nesta quarta (30), às 19h30, pelo Campeonato Brasileiro. Será a primeira vez que o técnico Fernando Diniz vai à casa alviverde como técnico do Tricolor Paulista.

O estádio, porém, é velho conhecido dele, desde os tempos em que se chamava Estádio Palestra Itália/ Parque Antárctica.

Além de ter jogado pelo clube entre 1996 e 1997, Diniz protagonizou, como adversário, um momento de que os fãs de esportes mais velhos não se esquecem - e que pode surpreender os mais jovens.

Na tarde de 7 novembro de 2001, o então jogador do Fluminense foi um dos pivôs de uma briga generalizada envolvendo atletas dos dois times e assistida in loco por cerca de 6,5 mil torcedores que também viram o Palestra levar 6 a 2 do Tricolor do Rio.

O Palmeiras já era goleado por 4 a 1, de virada, no 1º tempo, quando o palmeirense Galeano perdeu a cabeça. Capitão do time no jogo, o volante, que jogou como zagueiro, deu um carrinho violento em Diniz, próximo ao círculo central, e levou um pisão em troca.

Os dois ficaram incomodados e foram cobrar um ao outro pela dividida. Galeano devolveu o questionamento com uma cabeçada. O árbitro Héber Roberto Lopes foi avisado pelo bandeirinha sobre a agressão e decidiu expulsar os dois.

Estava armado o cenário para uma pancadaria generalizada. Enquanto se dirigiam para os vestiários, Diniz e Galeano seguiram se provocando e, segundo nota no site do Palmeiras na época, o jogador do Flu chutou o palmeirense.

A partir daí, a briga é geral, com uma profusão de cenas lamentáveis. O ex-meia do Palmeiras Lopes, o Tigrão, titular do Verdão no jogo, se lembra que, mesmo com pouco público, o estádio virou uma panela de pressão.

"Aquela pressão toda e a gente já estava perdendo. Quando começou a confusão, foi todo mundo", conta. "Virou loucura", disse ele ao ESPN.com.br.

Em decorrência do ocorrido, Galeano foi suspenso por quatro jogos. Já Diniz foi absolvido.

Ao fim do jogo, a torcida do Palmeiras, revoltada, dirigia sua ira ao técnico Márcio Araújo, que assumira o time há poucas rodadas, no lugar do demitido Celso Roth. Mustafá Contursi, presidente do Palmeiras na época, também foi alvo de protestos.

JANTAR DA PAZ

"Naquela época, o clima no Palmeiras tinha ficado muito ruim", relembra-se Lopes.

"A torcida não aceitava o jeito que o Palmeiras jogava com o Celso Roth, não importava se a gente estava ganhando", relembra-se. A ira era tanta que Roth deixou o time mesmo tendo liderado várias rodadas do Brasileiro.

"Só que, depois que ele saiu, as coisas pioraram. O Márcio Araújo entrou e não deu certo, nosso time se acomodou um pouco", diz. O Alviverde era o quinto quando Roth caiu.

Aos trancos e barrancos, o Palmeiras terminou em 12º e não se classificou para a fase decisiva da competição - os pontos corridos só seriam adotados como formato em 2003.

Horas mais tarde da briga no estádio, um jantar entre os jogadores selou a paz. O promotor do encontro foi o próprio Galeano.

"Ele ligou para mim, para o Fernando (volante do Palmeiras) e para o Magrão, dizendo que estava com o Diniz e convidando a gente para encontrar com eles em um restaurante em Perdizes", diz.

"Aí, eu chego lá, estão os dois sentado lado a lado. Eu falei: 'Legal, hein Galeano? Você arruma a briga toda e depois fala que é amigo do cara?", conta, entre risos, o Tigrão.

"Um tempo depois, no Cruzeiro, eu joguei com o Régis (no Flu à época) e falamos desse jogo", conta. "Ele dizia: 'eu tentei te segurar, mas não consegui'",diverte-se Lopes.

FUTUROS 'PROFESSORES'

Além do hoje técnico Diniz e de Galeano (que viria a ser auxiliar-técnico no Internacional e supervisor de futebol no Palmeiras, entre outros trabalhos), outros futuros membros de comissões técnicas participaram do conflito.

Pelo lado do Fluminense, estavam no jogo o meia-atacante Jorginho, ex-técnico da Portuguesa e do próprio Palmeiras; Marcão, atual treinador do Fluminense; e Sidney, que foi auxiliar-técnico de Oswaldo Oliveira no Flu em mais de uma passagem. Paulo César, lateral-esquerdo, também tornou-se técnico, tendo comandado o Juventude em 2017.

Por coincidência, Oswaldo, desligado do clube carioca há pouco, também era o técnico tricolor naquela conflituosa tarde de novembro.

Outra curiosidade: técnico do Palmeiras na partida, Márcio Araújo é hoje assistente de Fernando Diniz no São Paulo

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 2 X 6 FLUMINENSE

Estádio Palestra Itália - Parque Antártica
Público: 6.289 pagantes
Renda: R$ 62.490,00
Árbitro: Heber Roberto Lopes (PR). Assistentes: Roberto Braatz (PR) e Rogério Rolim (RJ)

Palmeiras: Sérgio, Alexandre, Galeano e Leonardo; Daniel, Fernando, Magrão (Juninho), Lopes, Pedrinho e Misso (Róbson); Muñoz (Donizete) - Técnico: Márcio Araújo

Fluminense: Murilo, Flávio, André Luís, Régis e Paulo César; Marcão, Sidney, Fernando Diniz e Róger (Jorginho); Roni (Andjel) e Magno Alves (Caio) - Técnico: Oswaldo Oliveira

Cartão amarelo: Daniel (Palmeiras)

Cartões vermelhos: Galeano (Palmeiras) e Fernando Diniz (Fluminense)

Gols: Muñoz (Palmeiras) aos 2 min; Róger (Fluminense), aos 16; Sidney (Fluminense), aos 19; Magno Alves (Fluminense), aos 21 min; Roni (Fluminense), aos 29; e Róger, aos 47 do primeiro tempo. Magno Alves (Fluminense), aos 28 min; e Pedrinho (Palmeiras), aos 36 do segundo tempo.