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Luiz Phellype, do Sporting, confirma que teve sondagem do Flamengo: 'Seria uma honra enorme, mas fico feliz de estar aqui'

Sensação do Sporting no final da temporada passada, Luiz Phellype foi apontado pela imprensa portuguesa como alvo do Flamengo no meio deste ano. O atacante de 26 anos, revelado pelo Desportivo Brasil, não teve uma carreira convencional.

Em sua trajetória no futebol, ele chegou a jogar a 4ª divisão do Campeonato Paulista, passou por um ano pela Bélgica e morou até mesmo em Angola antes de ser sondado pelo clube da Gávea.

"No começo desta temporada, logo que o Jorge Jesus foi para lá, o Flamengo fez uma sondagem para o Sporting. Perguntou valores para alguns representantes meus, mas não houve uma proposta oficial. Acho que ele tinha outros alvos. O valor que o Sporting pediu eu acho que o Flamengo não poderia ou não queria pagar. Mas eu fiquei tranquilo também. Defender o Flamengo seria um honra enorme, mas fico feliz de estar no Sporting que é um clube grande. Estou tranquilo e feliz. O que tiver que acontecer será sem pressa...", disse, ao ESPN.com.br.

Na atual temporada, o brasileiro marcou três gols em oito jogos pelo time português.

O contrato de Luiz Phellype com o Sporting vai até 2024, e a cláusula de rescisão é de 60 milhões de euros (R$ 277,8 milhões). Na última semana, ele conseguiu a cidadania portuguesa e pode defender a seleção local.

Veja a entrevista com Luiz Phellype:

Como você começou no futebol? Onde fez testes até conseguir jogar?
Eu comecei no futebol aos cinco anos e logo fui para uma escolinha. Aos 13, eu fui chamado pra fazer parte da seleção de São José dos Campos. Fiz um teste no Corinthians em 2007, mas fui mandado embora depois de um mês. Em 2008, fiquei uma semana no Inter e fui dispensado. Em 2008, fui ao Paraná fazer um teste, gostaram de mim e passei. Fiquei por lá por dois anos antes de ir ao Desportivo Brasil, que pertencia à Traffic.

Como você foi parar no Standard Liège, da Bélgica?
Eu fui muito bem na minha segunda Copa São Paulo de juniores pelo Desportivo Brasil. Eu fui artilheiro do time e chegamos às quartas de final. Depois disso, eu vi meus colegas saindo para outros time e eu fiquei. O meu empresário, João, foi com o pessoal do Standard Liège ver um jogo do sub-20 e gostaram de mim. Fiz um contrato de um ano de empréstimo.

Como foi o período na Bélgica? Conte as histórias mais diferentes que viveu por lá?
Era tudo novo para mim porque foi minha primeira vez fora do país. O inverno de lá era muito frio. Fiz 22 gols pelo time B, fui artilheiro do time e campeão. Tive algumas chances no time principal e foi ótimo porque aproveitei bastante.

Você sofreu um acidente que cortou um pedaço da orelha. Como fez para se recuperar disso?
No inverno quando não está nevando fica uma camada muito fina de gelo em cima do chão. Precisa ter muito cuidado, muitos hospitais atendem pessoas que sofrem este tipo de acidente. Eu estava mexendo no meu celular, me distraí e caí. Eu bati o rosto chão, quebrei o braço e cortei um pedaço da orelha. Fiquei um mês e meio parado. Foi um período difícil porque perdi a chance deles me comprarem. Estava indo muito bem, mas perdi tempo...

Como surgiu o Estoril? Por que não jogou por lá?
Quando soube que o Standard Liège não ia me comprar, meu empresário me trouxe algumas coisas. Eu não queria voltar ao Brasil naquele momento. Como o Estoril pertencia à Traffic e eu trabalhava com eles, foi mais fácil. Ele me indicou e fui para lá, mas nunca tive destaque. Fiz uma pré-temporada e me emprestam ao Beira-Mar para jogar a Segunda Liga. Fui bem e fiz 9 gols em meia temporada. Voltei para pré-temporada, mas fiquei no banco. Depois, me empestaram ao Feirense para jogar a Segunda Divisão. Fiquei o ano todo, fiz 16 gols no torneio (18 no total) e ficamos em terceiro na competição, quase subimos. Quando voltei, fiquei novamente na reserva e não aguentava mais porque nunca tinha oportunidades de jogar.

Como foi parar em Angola?
Foi aí que o Rec. Libolo ficou interessado em mim. Eu não parei para pensar muito bem. Como estava desesperado para jogar, eu aceitei a proposta. Somente quando eu cheguei lá que vi, mas não poderia fazer nada. Tive que cumprir meu contrato. Foi um período muito difícil da minha profissão, mas como experiência de vida foi espetacular. Eu vi muitas coisas e cresci bastante.

Dê exemplos do que viu...
A cidade que eu morava era uns 500 quilômetros de Luana e só tinha o futebol. Era um condomínio onde moravam os jogadores, o estádio e o resto era só aquela situação toda. Miséria, pessoas passando dificuldades... Era complicado viver por lá. A gente fazia o que podia para tentar ajudar as pessoas. A gente tinha que viajar por sete horas de ônibus até Luanda e as estradas eram muito ruins. Se o jogo era mais longe, precisávamos ir até Luanda e ainda pegar um avião. O estrangeiro que vai para lá ou faz um esforço muito grande para ficar e entender o país ou vai embora.

Você ainda voltou ao Estoril antes de ir ao Paços de Ferreira...
Depois que acabou meu empréstimo, eu coloquei na cabeça que precisava fazer algo diferente. Eles não me queriam, e eu também não queria ficar por lá. Fui ao Paços de Ferreira, que já conhecia de jogar contra e ouvia falar que era um clube bem organizado. Eu coloquei na minha cabeça que precisava jogar sempre e mudar minha carreira. Eu cheguei em janeiro de 2017 e os titulares faziam bastante gols. Tive que esperar, mas treinei muito forte e não desanimei. Faltando seis jogos, o Élton se machucou e eu fiz três gols, joguei bem e o clube viu que poderia confiar em mim. Provei para mim mesmo que poderia jogar bem e ajudar.

Voltei cheio de esperanças de que seria o meu ano. Foram contratados outros jogadores e não fui titular outra vez. Mas eu não desanimei e trabalhei bem. As coisas aconteceram. Faltando 10 jogos para acabar a temporada, eu entrei contra o Porto e fiz dois gols. Teve uma mudança de pensamento do treinador, virei titular e fiz 8 gols. Me destaquei bastante e vieram os clubes fazendo sondagens. Infelizmente nós caímos contra o Portimonense, eu me lesionei com dez minutos e não pude ajudar.

Como foi depois?
Eu fiquei esperando para ver se seria vendido ou não, mas eles não queriam me vender. O treinador disse que precisava de mim para jogar a Segunda Liga. Foi difícil mentalizar isso porque o Sporting tentou me levar. Eu pensava: ‘Poderia estar no Sporting agora, mas estou na Segunda Liga de novo’. Mesmo assim, eu trabalhei forte e fui bem. Quando o Sporting me contratou eu era artilheiro e líder do campeonato.

Sporting, Benfica e Braga te queriam. Por que você optou pelo Sporting?
Tive uma proposta real do Benfica e uma sondagem do Porto. Junto com meu empresário eu escolhi o Sporting porque pensei que aqui teria muito mais chances de jogar. O Benfica tinha Jonas, Seferovic, João Félix e seria difícil jogar. Aqui por mais que o dono da posição fosse o Bas Dost, um ídolo do clube que fez 90 gols em três anos, mas era só ele. Foi uma escolha acertada porque tive chances de jogar, fazer gols, mostrar minha qualidade e ganhar títulos.

Você foi apontado como alvo do Flamengo. Chegou a receber algum contato? Se sim, por que ficou no Sporting?
No começo desta temporada, logo que o Jorge Jesus foi para lá, o Flamengo fez uma sondagem para o Sporting. Perguntou valores para alguns representantes meus, mas não houve uma proposta oficial. Acho que ele tinha outros alvos. O valor que o Sporting pediu eu acho que o Flamengo não poderia ou não queria pagar. Mas eu fiquei tranquilo também. Defender o Flamengo seria um honra enorme, mas fico feliz de estar no Sporting que é um clube grande. Estou tranquilo e feliz. O que tiver que acontecer será sem pressa...

Chegou a receber convite para defender a seleção de Portugal? Aceitaria jogar?
Se eu receber o convite um dia seria uma honra. Mas não fico pensando nisso. Eu só quero dar andamento no meu trabalho bem aqui no Sorting. Essas coisas acontecem sem a gente planejar, o futebol tem muita surpresa.

Fale da sua relação com seu irmão Fabinho, que jogar no profissional do São Paulo? Sonham em jogar juntos?
Ele só seguiu as pisadas lá de casa. Nossa família sempre foi envolvida com futebol e gostava de jogar. Eu comecei muito cedo e ele seguiu meu caminho porque sempre adorou jogar. Hoje, ele está no São Paulo e já estreou no profissional. Fico feliz demais de ver o sonho dele se realizando. Eu tenho muita vontade de jogar com ele ou contra. Seria muito bom pelos nossos pais que se esforçaram tanto para que fôssemos jogadores. Será um presente para nossa família! Seria espetacular. Isso ainda vai acontecer.