A Suprema Corte espanhola sentenciou nesta segunda-feira nove líderes do governo separatista da Catalunha para cumprir entre dez meses e treze anos de prisão após os considerarem envolvidos diretamente na tentativa de rompimento com a Espanha em outubro de 2017, ou seja, envolvidos no "Procés" - nome dado ao processo de rompimento político.
Os dois times de mais expressão da Catalunha se manifestaram sobre o acontecimento de formas completamente diferentes.
O Barcelona emitiu uma nota oficial em suas redes sociais intitulada de "A prisão não é a solução", em que afirmam, baseados na "liberdade de expressão e o direito de decidir", que "da mesma forma que a prisão preventiva não ajudou a resolver o conflito, tampouco fará a prisão imposta hoje, porque o cárcere não é a solução".
Comunicado del FC Barcelona:
— FC Barcelona (@FCBarcelona_es) October 14, 2019
"La prisión no es la solución" pic.twitter.com/s3xSOO95RX
"O FC Barcelona, como uma das entidades de referência da Catalunha e de acordo com sua trajetória história, desde a defesa da liberdade de expressão e o direito de decidir, hoje, depois da sentença condenatória ditada pelo Tribunal Supremo com relação ao processo aberto contra os líderes cívicos e políticos catalães, manifesta que: do mesmo modo que a prisão preventiva não ajudou a resolver o conflito, tampouco fará a prisão imposta hoje, porque o cárcere não é a solução. A resolução do conflito que vive a Catalunha passa, exclusivamente, pelo diálogo político."
"Por isso, agora mais do que nunca, o Clube pede a todos os responsáveis políticos que liderem um processo de diálogo e negociação para resolver este conflito, que também deve permitir a liberação dos líderes cívicos e políticos condenados. O Barcelona manifesta também todo seu apoio e solidariedade às famílias dos que são privados de sua liberdade".
O Espanyol, por outro lado, se manifestou, em catalão, de uma forma diferente e neutra, afirmando que como "entidade puramente esportiva", "não representa os sentimentos, nem as posições pessoais de todos os seus sócios".
Comunicat oficialhttps://t.co/tGMVzYkQQ8#EspanyoldeBarcelona | #RCDE pic.twitter.com/iTE7kvTMyS
— RCD Espanyol de Barcelona (@RCDEspanyol) October 14, 2019
"De acordo à recente decisão do Supremo Tribunal sobre o chamado 'Procés', o RCD Espanyol de Barcelona declara o seguinte:
O clube é uma entidade puramente esportiva e, como tal, não representa os sentimentos, nem as posições pessoais e individuais de todos os seus parceiros, pois não poderia ser de outra forma. Além disso, reiteramos nosso respeito pelas decisões judiciais e lamentamos o sofrimento que, infelizmente, certas situações processuais podem gerar para pessoas, suas famílias ou sentimentos coletivos. Incentivamos todas as autoridades públicas a encontrarem soluções políticas e democráticas para essa crise social, por meio do diálogo, dentro da estrutura legal e do mais estrito respeito à legalidade".
Além das duas equipes, a Federação Catalã de Futebol também se posicionou e saiu em oposição às prisões. Em comunicado oficial, anunciou "a pausa de toda a atividade federativa, em solidariedade com os políticos e atores sociais catalães condenados e a suas famílias".
Para a entidade, a única solução também virá do diálogo, mas uma posição mais radical foi tomada: todas as partidas de futebol que seriam disputadas na Catalunha no dia de hoje, 14 de outubro, segunda-feira, foram suspensas, por conta dos "efeitos que a mobilização pode produzir, priorizando a segurança de todos".
Prisões
A Corte entendeu que os nove condenados estavam envolvidos em "inegáveis casos de violência" no evento há dois anos em que foi promovida uma tentativa de separação da Catalunha.
Porém, isso não foi suficiente para condená-los como culpados por "rebelião" - a pior acusação que enfrentavam. Os eventos não foram suficientes para "impor um efeito territorial de independência e derrogação da Constituição".
Os condenados foram considerados culpados por outros crimes, além do evento de 2017.
A maior pena foi imposta ao presidente da Esquerda Republicana da Catalunha, Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão por ser o maior representante do governo de Carles Puigdemont (ex-governante, condenado, que fugiu da Catalunha) à disposição da justiça espanhola.
Raül Romeva, Jordi Turull e Dorlors Bassa foram condenados a 12 anos de prisão por "anos de sedição e uso indevido de fundos públicos".
A ex-presidente do Parlamento, Carme Forcadell foi condenada a 11 anos e meio, enquanto Joaquin Forn e Josep Rull foram sentenciados a 10 anos e meio. Os líderes da Assembléia Nacional Catalã e da Òmnium (entidade que promove a disseminação da língua catalã), Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, foram condenados a 9 anos de prisão.
Santi Vila, Meritxell Borràs e Carles Mundó já haviam sido sentenciados, mas desta vez foram condenados por "desobedecer" a pena anterior que previa uma multa a ser paga diariamente no valor de 200 euros por 10 meses, totalizando 60 mil euros, além de um ano e oito meses de cárcere.
Na Corte, não foi descartada a possibilidade de um regime semi-aberto.
