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Motorista preso de Fernando, ex-Spartak Moscou, diz: 'Tenho um neto que nem conheço, espero que tenham consciência'

Algemado e abatido, Robson Nascimento de Oliveira, que foi para a Rússia para ser motorista do jogador Fernando, volante do Beijing Guoan, que na época estava no Spartak Moscou, falou pela primeira vez desde que foi preso ao ser acusado de tráfico internacional de drogas por entrar com remédios proibidos no país.

"Eu não sabia que os remédios estavam na mala, até porque eu recebi a mala já no aeroporto, do motorista deles", afirmou em entrevista ao GloboEsporte.com.

O motorista afirma que recebeu a mala que pertencia a Willian Faria, sogro do atleta, já no aeroporto e lacrada. Robson "só embarcou" e o pesadelo começou quando desembarcaram no aeroporto de Demodedovo, em que a polícia russa descobriu os remédios.

"Espero que eles tenham consciência do que está acontecendo, que tem um pai de família, um trabalhador. Já perdi quase um ano de vida.Tenho um neto que não conheço ainda porque eu estou aqui. Espero que eles tenham consciência disso e que possam fazer alguma coisa para mudar essa situação", afirmou o homem de 47 anos, pai de dois filhos e avô de um neto.

Robson relembra que em seu primeiro contato com a polícia, foi liberado após três horas, mas retornou no dia seguinte e foi avisado de que não poderia deixar o país pelos próximos trinta dias.

Neste meio tempo, trabalhou normalmente para a família. Inclusive, buscou o sogro de Fernando no aeroporto, mas ninguém tocava no assunto.

"Eu não sabia que estava indo para a delegacia, aliás, eu soube dentro do carro já. Inclusive, eu estava dirigindo o carro", relembrou Robson sobre quando estava a caminho de sua prisão preventiva. Em resposta, Raphaella, esposa de Fernando, afirmou que avisaram o motorista de que estavam indo até a delegacia. A esposa de Robson também nega que os dois saberiam do destino.

"Eu não recebi maus tratos, mas sou chacota porque eu não falo a língua, todo mundo olha para mim e ri", é a única coisa que conta sobre os dias na prisão.

"A gente está falando de um jovem pobre de Nova Iguaçu preso injustamente, sem nada ter feito, indo buscar emprego. É disso que se trata. Ele está preso nesse momento, em condições que a gente não conhece. Nitidamente abalado. Pode ficar preso 5 anos, pode ficar preso 10 anos, por um crime que não cometeu. Isso não é um problema da família dele, isso não é um problema dele, é um problema de todos os brasileiros", afirmou o advogado que representa Robson, Olímpio da Silva Soares.

O sogro, Willian Faria, se prontificou, sob contrato, de prestar "todas as informações" necessárias sobre o uso do remédio. "Acredito que eles não vão se omitir de nenhum tipo de informação porque eles não estão mais aqui, então para eles não tem nenhum problema", afirmou o delegado.

A esposa de Robson, que não o podia visitar na cadeia porque não são oficialmente casados, viu as imagens da reportagem e ficou assustada com a aparência do marido. Relembrou, também, que todos os meses envia mensagens para Raphaella, Fernando e para a sogra do jogador. Porém, todos visualizam as mensagens e não as respondem.

"Não vejo a hora disso tudo acabar e ele voltar aqui para a família dele", finaliza.