Caso Fernando: Deputados se reúnem com embaixador russo, que vê situação de Robson como 'humanitária'

Preso há cinco meses na Rússia por acusação de tráfico de drogas e preparação para o tráfico, Robson de Oliveira, ex-funcionário do jogador Fernando ainda não tem testemunha oficial, mas políticos brasileiros se movimentaram para rentar resolver a situação brasileiro.

Em novo episódio do caso revelado pela TV Globo, deputados se reuniram com o embaixador russo Sergey Akopov em Brasília na última quinta-fiera. De acordo com a emissora, os políticos ouviram do diplomata que ele próprio iria cuidar do assunto pessoalmente junto ao governo do país europeu. Além disso, Akopov trata o tema como um caso humanitário.

"A sensação que tivemos do embaixador foi de muita franqueza e sensibilidade. Ele, em inúmeras vezes, repetiu: 'é um caso humanitário, temos um brasileiro humilde, que pela primeira vez pegou o avião'. Isso nitidamente mexeu com o embaixador”, afirmou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

Entenda o caso:

Em 9 de fevereiro deste ano, Robson e a esposa Simone embarcaram para a Rússia para trabalhar para o meio-campista Fernando, ex-seleção brasileira e que estava no Spartak Moscou, e Raphaela, a esposa dele. A pedido de Sibele, sogra do jogador, o funcionário Leandro entregou ao casal no aeroporto Tom Jobim, no Rio, três malas com encomendas para a família de Fernando.

Cerca de 18 horas depois, ambos desembarcaram no país europeu, no Aeroporto Internacional de Domodedovo, em Moscou. Minutos depois, foram parados por um funcionário do aeroporto que revistou as malas que levavam, as suas e as três com encomendas para a família do jogador.

Em uma destas três, entre várias outras coisas, estavam duas caixas do remédio Mytedom 10mg - cloridrato de metadona -, comprimido fortíssimo usado por quem lida com dores e também usado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína.

Problemaço: na Rússia, a metadona é considerada um entorpecente. O casal, sem falar nada de russo ou ao menos inglês, desesperou-se. Mas os dois avistaram William da Silva Sousa, o 'Rodela', estudante de Medicina em Moscou e espécie de 'quebra-galho' da família de Fernando. Ele fora buscar Robson e Simone no aeroporto.

O funcionário autorizou que 'Rodela' fosse até eles para ser uma espécie de tradutor. Simone, nervosa, mandou mensagens a Sibele, que de férias por Grécia e Itália com a família, respondeu a acalmando e explicando que tinha receita e que já a tinha enviado para 'Rodela'.

A receita existe mesmo, foi feita e assinada pelo médico Marcelo Tayah e está com a data de 26 de fevereiro deste ano. Para quem era o remédio, tarja preta? Para William Pereira de Faria, pai de Raphaela e, consequentemente, sogro de Fernando.

Ele usa a medicação para as crônicas dores que sente na coluna. O médico disse à Globo: "O senhor William é meu paciente desde 2017 e faz uso deste medicamente... A senhora Sibele me ligou dizendo que precisava dessa declaração para resolver o problema de um rapaz na Rússia..."

Alívio, mas só por alguns dias

Após 17 longas horas no aeroporto e de muita explicação, dada por 'Rodela', e desespero de Simone e Robson, o casal foi liberado, mas com o aviso de que a investigação sobre o motorista seguiria.

Ambos cuidaram da casa de luxo da família do jogador por 35 dias.

Em 17 de março, um domingo, Fernando e a família voltaram para Moscou, com os sogros Sibele e William juntos. Robson e 'Rodela' foram buscar todos no aeroporto em dois carros.

No dia seguinte, 18 de março, uma segunda-feira, os integrantes da família tomaram café juntos à mesa. Robson ajudava a esposa a lavar louça, quando Raphaela o chamou: "Vamos para sua primeira missão."

Missão: ser preso

Fernando, a esposa, Raphaela e o amigo 'Rodela' entraram no carro, e Robson o dirigiu com destino ao aeroporto, aquele mesmo no qual chegara vindo do Brasil. Lá, foram direto para a delegacia de polícia.

Em casa, Simone perguntou a Sibele o porquê de William, o sogro, não ter ido junto e ter levado a receita médica. A sogra respondeu que a filha sabia o que estava fazendo.

Por volta de 15h daquele dia, Robson falou com a esposa por telefone e já previa o pior: "Simone, acho que tá dando ruim aqui. Eu vou ficar preso!"

Ficou. De lá, saiu algemado algum tempo depois para a Unidade Penal de Kashira. Raphaela prometeu a Simone "que até quarta-feira isso será resolvido".

Sozinho. E abandonado?

Não foi. Fernando trocou o Spartak Moscou pelo Beijing Gouan em julho e foi com a família para a China. Simone voltou para o Brasil.

Robson segue preso, cerca de 20kg mais magro em relação a quando chegou a Moscou. Sem visitas de ninguém em nenhum momento: Simone não pode, por não ser casada legalmente com ele. As acusações contra o ex-fuzileiro naval são: tráfico internacional de drogas e preparação para o tráfico.

Simone, a mãe e o filho do motorista, à Globo, acusam Fernando e sua família de terem abandonado Robson. O advogado da família, Fernando Cassar, nega e garante que toda a ajuda possível foi oferecida.

Simone, que chorou em parte da entrevista, desabafou: "A proposta era para mim. E ele acabou indo junto comigo. E lá ficou. Como eu não queria ter conhecido essa família, meu Deus!"