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Joelinton, ex-Sport, virou o jogador mais caro da história do Newcastle: 'Estou preparado'

Contratado por 44 milhões de euros (R$ 185,2 milhões) pelo Newcastle nesta janela de transferências, Joelinton fez apenas 38 partidas profissionais pelo Sport antes de sair do Brasil. O atacante de 22 anos foi um dos destaques do Hoffenheim na última temporada e chegou a jogar a fase de grupos da Champions League pela equipe alemã.

Pouco mais de um ano após sair do futebol austríaco, o jovem chega à Premier League em busca de ascensão para sua carreira.

"Houve uma proposta no início do ano, quando eu estava de férias, mas o Hoffenheim resolveu não aceitar, pois contavam comigo para o resto da temporada. Mas nessa janela eles vieram muito fortes, e aí acabou se concretizando. É um sonho se realizando, de disputar um dos campeonatos mais fortes do mundo. Encaro com naturalidade e com muita vontade de fazer o meu melhor", disse, ao ESPN.com.br.

Contratação mais cara da história do time inglês, o brasileiro sabe que terá que provar dentro de campo seu valor.

"Sei que terá uma pressão maior por tudo o que envolveu a negociação, mas sei que estou preparado para essa chance que estou tendo. Me preparo para esse desafio desde que saí do Brasil. Mas sozinho não se chega a lugar nenhum, e o grupo é muito unido", elogiou.

Joelinton fez 11 gols em 35 partidas na última temporada. O atacante recebeu a camisa 9, que pertenceu por muitos anos ao ídolo Alan Shearer, um dos maiores artilheiros da história da Premier League.

"É uma honra e uma responsabilidade muito grandes por tudo o que envolve a maior idolatria da torcida. Ele me desejou boa sorte e vou fazer de tudo para dar conta do recado", afirmou.

O Newcastle foi o primeiro time inglês a ter um brasileiro em seu elenco. Em 1987, o atacante Mirandinha foi contratado do Palmeiras e permaneceu por duas temporadas.

Vizinho de engenho

Joelinton Cassio Apolinário de Lira nasceu na cidade de Aliança-PE e morava ao lado dos engenhos e da usina de cana-de-açúcar. Seu pai trabalhava na Paraíba e passava somente os finais de semana com a família.

"Meu pai nunca deixou faltar nada para gente. Com meus 12 anos eu vendia cachorro-quente e pastel com a minha tia. Nunca precisei fazer outras coisas e gostava muito de jogar futebol", afirmou.

Ele fez uma peneira no Sport e foi morar no alojamento do clube. O atacante subiu aos profissionais em 2013, mas só estreou no ano seguinte.

"Foi uma emoção enorme e a realização de um sonho. Estreei em um clássico na semifinal na Copa do Nordeste no estádio do Arruda. Estava bom para gente, estávamos ganhando e com um jogador a mais. Atuei uns 10 minutos na partida. Fomos para a final e depois viramos campeões", contou.

Ele ainda voltou aos juniores depois disso e só se firmou de vez na equipe principal nas últimas sete rodadas do Campeonato Brasileiro.

"Meu primeiro gol foi no jogo contra o Fluminense na Arena Pernambuco, era meu terceiro jogo no Brasileiro. Empatamos por 2 a 2 e joguei bem. Nem sei te explicar a sensação de ter balançado as redes", recordou.

"Fiz alguns bons jogos, mas oscilei bastante por ser jovem. O [técnico] Eduardo Baptista sempre falava para ter calma que iria passar por aquilo. Ele me ajudou demais. Tenho muito carinho e sou grato ao Sport que me abriu as portas", agradeceu.

Após fazer apenas cinco partidas pelo Nacional, o jogador foi vendido ao Hoffenheim, da Alemanha, em uma transação que rendeu R$ 7 milhões.

"Eu tive algumas sondagens de clubes no Brasil, mas nunca chegou nada concreto. Quando veio a chance de ir para Alemanha eu pensei muito se era a hora certa. Mas sempre gostei de desafios e resolvi encarar. Era o melhor para mim e minha família", explicou.

Auxílio de Firmino

Antes de decidir seu destino, Joeltinton teve uma conversa importante com Roberto Firmino, que foi destaque na equipe alemã e atualmente defende o Liverpool.

"Ele me falou que era um grande clube com estrutura boa e que o começo foi difícil para ele por causa do clima e idioma. Mas com o tempo eu ia superar se trabalhasse forte", disse o atleta.

Por atuar na frente e pela nacionalidade, o atacante sofreu um pouco com as comparações. "Às vezes falavam que era o ‘novo Firmino' por causa disso, mas tinha que explicar que ele tinha feito a história dele e jogado muito bem, não tinha nada a ver. Disse que minhas características são diferentes das dele dentro de campo e que iria batalhar por meu espaço", analisou.

A primeira temporada no futebol alemão foi difícil para o centroavante, que atuou em apenas uma partida. "Foi um ano mais de adaptação. Joguei só cinco minutos contra o Schalke 04. Aprendi muito, foi bom também", garantiu.

Fora de campo, ele sofria um pouco para conseguir fazer as atividades de um cidadão comum. "Para comer era bem difícil, pedia uma coisa e vinha outra (risos). Depois aprendi umas palavras e deu certo", relatou.

"Eu ia cortar o cabelo tive que ir a três cabeleireiros diferentes. Eu e o Vargas [ex-atacante do Grêmio] não conseguíamos cortar do jeito que gostávamos. Daí, não ficava bom e éramos zoados pela galera", riu.

Como teve pouco espaço no Hoffenheim, Joelinton foi emprestado por uma temporada ao Rapid Viena para pegar mais experiência, chegando à Liga Europa.

“Acho que os dois anos que passei atuando no Rapid Viena foram importantes para que eu evoluísse tanto como profissional, como pessoa também. Amadureci muito e aprendi muito taticamente tendo essa experiência para que pudesse voltar ao Hoffenheim com uma bagagem e uma melhor noção do que é o futebol europeu”, contou.

O brasileiro usou a experiência adquirida no período para se firmar como titular e virar destaque na Alemanha.

“Foi um momento especial e uma sensação de que o trabalho na Áustria foi realizado com sucesso”, disse.

Além de voltar mais maduro, Joelinton conseguiu quebrar a barreira da comunição, que o atrapalhou na primeira passagem pelo país. Isso ajudou a deslanchar na Bundesliga na temporada passada.