Paulo Nobre, ex-presidente do Palmeiras, renunciará nesta quinta-feira ao seu cargo no CD (Conselho Deliberativo) do clube, segundo apurou a ESPN.
Nesta quinta, às 20h (de Brasília), ocorrerá a votação do "caso Blackstar" em reunião extraordinária do CD. A tendência é a suspensão de Genaro Marino, ex-candidato à presidência do clube, por um ano, pelo fato de ter levado a suposta proposta da empresa às mãos do mandatário Maurício Galiotte para avaliação. A oferta de patrocínio, no fim das contas, era falsa e baseada em documentações irregulares do banco HSBC, como mostrou investigação conduzida pelos palestrinos.
Na votação, também devem ser dadas advertências a Paulo Nobre, José Carlos Tomaselli e Ricardo Galassi, que faziam parte ou eram aliados da chapa de oposição na última eleição, e participaram do processo de apresentação da Blackstar e seu representante, Rubinei Quícoli, a Galiotte.
De acordo com uma carta enviada em 18 de fevereiro ao presidente do CD, Seraphim Del Grande, porém, Nobre afirmou que renunciará ao seu cargo, independentemente do resultado da sindicância do "caso Blackstar".
"Fiquem à vontade para chegarem às conclusões que forem convenientes aos interesses dos senhores, e tão logo termine essa sindicância e suas eventuais consequências, estou me retirando oficialmente deste Conselho Deliberativo, uma vez que não sinto mais a menor motivação em militar na política do clube e, como Conselheiro Vitalício, não posso simplesmente me licenciar. Então, que outra pessoa, mais atuante, possa ocupar o meu lugar e melhor servir a Sociedade Esportiva Palmeiras", escreveu Nobre, no documento ao qual a reportagem teve acesso.
Ou seja: mesmo que a votação termine com a absolvição de todos, o que também é uma possibilidade, Nobre renunciará ao seu cargo de qualquer forma.
A leitura da carta será feita por Del Grande aos membros do Conselho na noite desta quinta-feira, como mandam as regras.
O Verdão, por sua vez, atenderá o desejo de Nobre e lhe concederá a licença pedida no documento.
Paulo Nobre foi presidente do Palmeiras de janeiro de 2013 a dezembro de 2016. Durante sua gestão, a equipe foi campeã da Copa do Brasil em 2015 e do Campeonato Brasileiro em 2016.
Atualmente, ele está afastado da vida polícia do Alviverde e cuida de seus negócios próprios, ao mesmo tempo em que se dedica à sua grande paixão: as corridas de rali.
RELEMBRE O 'CASO BLACKSTAR'
Enquanto o Palmeiras negociava a renovação com a Crefisa, após a conquista do Campeonato Brasileiro, a Blackstar, empresa supostamente sediada em Hong Kong, ofereceu ao clube uma oferta de parceria que girava em torno de R$ 1,4 bilhão por um acordo de 10 anos.
Após investigação sobre a companhia, porém, o Verdão acusou o fundo de falta de credibilidade e ainda de apresentar documentação falsa com emblema do banco HSBC, encerrando negociações.
As acusações fizeram o empresário Rubinei Quícoli, que se apresentava como representante da Blackstar, disparar mensagens com palavras de baixo calão, chamando Maurício Galiotte de "patético" e ironizando o título da Copa Rio de 1951.
Depois disso, a misteriosa proposta de Hong Kong passou a ser investigada pelo Conselho palmeirense, que montou, no início de 2019, uma sindicância para apurar as responsabilidades dos envolvidos no caso.
O que é fato é que Genaro Marino, durante sua campanha eleitoral, protocolou a proposta de patrocínio da Blackstar ao Palmeiras.
Paulo Nobre, que era seu apoiador, é apontado como responsável por apresentar a empresa a Marino.
