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Dois meses na estrada e 6.000 km: peruanos relatam aventura em um Fusca para ver Copa América

O Sol ainda não tinha nascido na madrugada do domingo 17 de maio, quando os amigos Kent Samaio, 31, e Henry Urrunaga Diaz, 31, acordaram, pegaram as mochilas e despediram-se de quem levantou para vê-los. Era quase 4h quando a dupla, desacreditada por alguns, bateu as portas do Fusca branco e partiu para uma grande aventura: atravessar a América do Sul rumo ao Brasil.

O objetivo era chegar ao país para assistir a seleção peruana jogar as primeiras partidas da Copa América. A primeira delas em Porto Alegre, em 15 de junho. Três dias mais tarde e a 1.564 km, contra a Bolívia, no Rio de Janeiro.

Depois de centenas de estradas percorridas e muitos perrengues, eles cumpriram a missão.

"No começo não tínhamos nada. Nem carro. Nem habilitação. Nem dinheiro. Mas fizemos um pouco de tudo. Juntamos dinheiro, compramos o carro e aprendemos a dirigir na estrada. Rodamos em média 400 km por dia", afirmou Kent, que é administrador.

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Hace dos años que deseaba con todas mis ganas hacer algo así, y el año pasado trabajé con todas las fuerzas y energías puestas en este proyecto, se veía muy lejano, honestamente, pensé que no llegaría. Este año volví de Nueva Zelanda con un solo propósito: hacer este sueño realidad, ¡y acá esta amigos!. . Les presento a @kentzama, la única persona que atracó manejar un vochin del 76 brasileño, alrededor de Sudamerica, y a mi, @hurrunaga, impulsor de este hermoso proyecto de viaje llamado Resiliencia. . Resiliencia es la capacidad de doblarse sin partirse, de sobreponerse a las dificultades, de encarar, aprender y reinventarse, este será nuestro motor de viaje. Y algo que quiero contarles, y que estamos muy felices de hacerlo, es que durante esta etapa del viaje vamos a recaudar fondos para @vidawasiperu, una ONG que está construyendo el primer hospital especializado en cancer infantil en el Perú, y Sudamerica. Poco a poco le iré contando más sobre esta asociación, y como pueden ayudar. . Por ahora, estamos alistando todo que en unas horas estamos saliendo, y estamos súper nerviosos, y muy emocionados. . Es el viaje de nuestras vidas, y gracias a la tecnología, los vamos a llevar con nosotros, primera parada: Santiago de Chile #Sudamerica #Peru #Lima #Vocho #Concho #Resilentos

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Cultivando uma amizade que teve início na Copa de 2014, no Rio de Janeiro, a dupla alimentou também o desejo de voltar ao Brasil para ver a Copa América, especialmente a seleção peruana.

“Mesmo sem termos nada, ele topou e iniciamos o projeto. Criamos um perfil nas redes sociais e um canal no YouTube", disse Henry, que é formado em comunicação social. Tudo que a dupla faz ele registra nas redes sociais: Instagram, Facebook e YouTube.

O Fusca, por sua vez, veio mais tarde. Kent e Henry compraram um veículo quase abandonado. Modelo 1976, branco. O carro recebeu algumas pequenas melhorias e a viagem começou.

"Ele mais econômico, mas confiável e mecanicamente mais simples. Era perfeito para nós que não sabíamos nada. Apelidamos ele de Concho -- porque Conchudo em espanhol significa 'sem vergonha'. Ele é sem vergonha. Vai para lá, vem para cá", brincou Henry.

Ao todo, foram quase 1.500 dólares para a dupla (cerca de R$ 5.739). Para compor o dinheiro, uma série de saídas. Além das economias de ambos, venderam alpargatas e camisas customizadas, e ainda se mostraram um tanto brasileiros, vendendo caipirinhas por R$ 6.

Perrengues e surpresas

O pontapé inicial para a viagem foi em 17 de maio. A dupla percorreu toda a costa do Peru e chegou ao Chile três dias depois. O primeiro perrengue, entretanto, não tardou para aparecer.

"O Fusca é um carro diferente. Depende do dia, do clima e principalmente do vento para não superaquecer o motor”, explicou Henry. “Não tem água no motor. Ele depende do ar. Se você dirige muito rápido em um clima quente, o motor pode 'explodir'”.

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¡Lo que se veía muy lejos hoy lo vimos de cerca! Cumplimos nuestra primera meta de pasar los mil kilómetros, de hecho, ya hicimos 1248 para ser exactos, ¿y el carro?, Concho es pura candela, ha respondido a la perfección, perdimos unos neblineros y olvidamos cosas en hospedajes, pero nosotros y Concho seguimos enteros. . Todos los días nos despertamos sin saber que va a pasar, o que vamos a aprender, todos los días tenemos que superar cosas, y lo estamos disfrutando. . Hoy llegamos a Tacna, y agradezco todo el amor recibido por parte de ustedes, grandes mensajes de aliento para contrarrestar el cansancio diario, sabíamos que iba a ser duro, pero parar en medio de la carretera a empujarte tu sardina enlatada producto peruano lo paga con creces. Que día feliz es hoy para nosotros, y espero que también lo sea para ustedes. 1248 kms menos para llegar al objetivo, Brasil esperamos que ya vamos, resilentos, pero seguros. #CopaAmerica2019 #Tacna #Vochileros #Concho #Lima #Viajes @movistardeportesperu #Sudamerica #Fusca #ConchoLife

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Foi justamente o que aconteceu quando eles iniciaram a travessia de Huara, um dos desertos mais secos e quentes do mundo.

"Tivemos de chamar um serviço de reboque, retornar à fronteira, na cidade peruana de Tacna, para reparos. Perdemos seis dias da nossa viagem", disse Kent. "Na verdade, ganhamos seis dias de experiência", brincou Henry, para risada de ambos.

Com o carro novamente pronto para encarar a estrada, a dupla voltou para as pistas. Passaram por Iquique, Tocopilla e La Calera. Depois, iniciaram a travessia dos Andes. No território argentino, cruzaram as cidades de Mendoza, Córdoba, Santa Fé, Paraná e Corrientes.

"Entramos no Brasil por Uruguaiana. Chegamos em Porto Alegre um dia antes do Peru estrear na Copa América. Conseguimos ingressos e assistimos o empate com a Venezuela, na Arena do Grêmio”, recordou Henry.

Dali, viajaram para o Rio de Janeiro, passando por Florianópolis, cidades do Paraná e São Paulo.

Já em terras cariocas, conseguiram ingressos com outros amigos peruanos e assistiram a vitória por 3 a 1 sobre a Bolívia, no Maracanã.

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Hace una semana logramos hacer lo que parecía imposible hace un mes: llegar a Río y disfrutar a pleno de la Copa America. Este viaje es completamente diferente a los que alguna vez hice, o hicimos, estamos -los dos- muy lejos de nuestra zona cómoda, jamas habíamos hecho algo así en nuestras vidas, porque siempre dudamos de nosotros mismos, no solo por ignorancia nuestra, sino también por influencia de los demás. . Desde que salimos de Lima, hemos recorrido 6000mil kms, reventado un motor, cruzado los andes, dormido en estaciones de gasolina, duchado en estaciones de servicio, comimos 20 latas de atún y 50 panes. . Todo esto lo hemos hecho por primera vez, pues no nos quedaba otra. Ahora en Rio pusimos un bar en la parte delantera de Concho, y ha sido un suceso -felizmente- para nosotros. Hace mucho tiempo que no hacía algo por primera vez, y ya había olvidado la sensación de frustración y miedo que te da, pero ya ven, acá seguimos vivos, yendo a la partidos, disfrutando del invierno carioca, y comiendo todos los días. Es un buen día para estar agradecidos, solo quiero que me contesten una pregunta: ¿cuando fue la última vez que hicieron algo por primera vez? #Concho #TeamConcho #viajes #sudamerica #resilentos #CopaAmerica2019 #Brasil #RiodeJaneiro #Lapa #rj

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"Decidimos ficar aqui e curtir um pouco da nossa viagem", disse Kent.

A dupla não contava com a classificação do Peru para final e ainda teve nova surpresa negativa.

"Deixamos o Concho na rua na Lapa e dormimos em um local próximo. Um dia quebraram o 'quebravento' [vidro lateral da porta] e roubaram documentos, algumas roupas, objetos que vendemos, um pneu reserva e até as nossas bebidas", disse Kent.

O amigo, por sua vez, prefere lembrar de outras experiências. "Foram tantas pessoas que nos ajudaram com gasolina, comida, local para dormir ou comprando nossas coisas. Imaginar uma viagem como esse é muito estressante, mas quando você começa as coisas acontecem e tudo se torna agradável", disse Henry.

A aventura da dupla está perto do fim. Será concluída no domingo, quando Brasil e Peru jogarão pela final da Copa América, no Maracanã.

"Peru chegou à final sem expectativas. Se ganhar, será maravilhoso. Se perder, tudo bem. Vai ter festa também. E depois voltamos para Lima, descansamos alguns meses e vamos iniciar um novo plano: dirigir com Concho até os Estados Unidos", disse Henry.