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Joel Santana critica inhaca de Messi, fala sobre 'titês' e dá conselho para Neymar

Aos 70, Joel Santana está acompanhando a Copa América, mas não está gostando. Em entrevista para a ESPN, o treinador criticou o nível dos jogos e das seleções que participaram do torneio. Ainda analisou o desempenho de Messi, deu conselhos para Neymar e brincou até com o "titês", a forma como Tite fala em suas entrevistas coletivas para a imprensa.

"Estou achando o nível muito fraco. Algumas seleções que eu dava como favoritas, como Uruguai, Colômbia e Argentina, que são as principais, mais o Chile que caiu na semifinal, não chegaram. Isso está dando um certo favoritismo ao Brasil", disse Joel.

Sem trabalhar como técnico desde a passagem pelo Boavista em 2017, mas trabalhando cada vez mais como "garoto-propaganda", Joel atendeu a reportagem em Copacabana, no restaurante Pigalle, do amigo Carlão e um QG dele para encontros desse tipo.

"Aqui é meu lugar favorito", disse Joel, que chegou sorridente, com uma camisa azul, óculos escuros e reconhecido pelos fãs.

Ao iniciar a entrevista, brincou: "Pode ir direto ao ponto. Eu falo o que o povo quer ouvir".

Confira a entrevista com Joel Santana

ESPN - Tem gostado do nível da Copa América?
Joel Santana: Para falar a verdade, estou achando o nível muito fraco. Algumas seleções que eu dava como favoritas, como Uruguai, Colômbia e Argentina, que são as principais, mais o Chile que caiu na semifinal, não chegaram. Isso está dando um certo favoritismo ao Brasil, que não começou tão bem assim, vem conseguindo os resultados e esses resultados e essa oportunidade o credenciaram à condição de ser campeão. Não estou dizendo que vai ser, mas está credenciado. O nível está fraco.

ESPN - Algumas pessoas se decepcionaram com o futebol da Argentina, principalmente. E você?
Joel Santana: Não sei quem falou isso, mas não concordo. A Argentina vem mal há muito tempo. Não foi surpresa para ninguém. O Messi vem jogando mal há muito tempo. Também não foi surpresa para ninguém. O último jogo até acho que ele foi um pouquinho melhor do que ele vem fazendo dentro da seleção. Não estou falando o que ele faz no clube dele. No Barcelona ele faz tudo e já ganhou tudo. Mas ele tem uma inhaca quando está na seleção que as coisas não se resolvem.

ESPN - E o futebol da seleção brasileira?
Joel Santana: O jogo da seleção foi contra o Peru. Foi o jogo que o time desenvolveu aquele futebol que nós estamos com vontade de ver. Foi um futebol agressivo, um futebol com jogador de talento, uma equipe em grupo, uma defesa muito bem postada. Eu vejo que toda a equipe que tem uma defesa bem postada chega.

ESPN - Vê o Brasil como favorito para o título da Copa América?
Joel Santana: Para nós que passamos muito tempo dentro do futebol, o futebol é um esporte que nem sempre o favorito vence porque tem um sistema totalmente diferente. No vôlei ganha o favorito, no handebol ganha o favorito, no basquete ganha o favorito. Em todos os outros esportes o favorito geralmente ganha. O futebol é diferente. Você não pode bater o martelo. Tem 99,9% de favoritismo. Isso não existe. Não vale nada. Na última quarta-feira, o Chile era dado como favorito contra o Peru, mas foi surpreendido por um forte sistema de marcação. Não soube sair e perdeu de três. E aí?

ESPN - Mas será um peso para o Brasil ver o Peru sair campeão domingo, não?
Joel Santana: Eu já vi coisas no futebol que você não acredita, cara! Eu tenho 50 anos de trabalho. Vinte foram como jogador e 30, como técnico. O Brasil já perdeu Copas incríveis. Uma mesmo você não era nem nascido, que foi no Maracanã, em 1950, para os uruguaios. Teve aquela [1986] que perdeu nos pênaltis com Zico e Sócrates. Perdemos uma na Espanha [1982] com um time praticamente imbatível. Eu já perdi jogos incríveis. Já ganhei jogos incríveis. No futebol, é hora, é momento. Se seu time tem talento e está em um bom momento, ele vai ganhar. Mas chega lá, a coisa desanda, você não encaixa de novo, bom aí vai tudo para o quiabo.

ESPN - O que tem achado do Brasil sem Neymar? Dá para falar que a seleção achou um jeito de jogar sem ele?
Joel Santana: Eu gosto muito do Neymar, mas às vezes ele se envolve em cada besteira. Ele é diferenciado e é claro que toda seleção sente falta do craque. A nossa sente também. Vamos parar com esse negócio só porque agora vem ganhando. Não! Craque é craque e morre aí. Mas ele não precisa se envolver com tanta besteira que está se envolvendo. Ele é craque suficiente, jogador suficiente e ídolo suficiente da torcida. E isso prejudica ele. Você sabe que o futebol, como tudo na vida, você tem de mostrar um ser dentro e o mesmo ser fora de campo. Até porque você tem um público que acompanha e você tem de representar bem esse público. Torço por ele para caramba.

ESPN - A Copa América tem recebido críticas pelo uso do VAR [árbitro de vídeo]. Qual a avaliação do Papai Joel?
Joel Santana: O VAR moralizou o futebol. É isso. Ele mostra o que está certo e o que está errado. Se o cara está impedido, está impedido. Se a bola bateu fora do gol, ela bateu fora do gol. Hoje o futebol é muito rápido. Não dá para você acompanhar com o olho tudo o que acontece. Só acho que demora muito tempo [para tomar uma decisão] e a arbitragem não dá o tempo que ficou parado [nos acréscimos]. Se parou cinco minutos, dá cinco minutos. São ajustes. O VAR moralizou o esporte. Todos os esportes têm lances duvidosos. O tênis, o basquete, o vôlei. Não dá para perder um jogo por que não sabe se a bola bateu na linha o fora. Os outros esportes usam o recurso em vídeo para esclarecer os lances. Por que o futebol não vai ter?

ESPN - Não te incomoda nem mesmo quando um time faz o gol e precisa esperar a confirmação pelo VAR?
Joel Santana: Primeiro tem de ser o que está acontecendo corretamente. Corretamente, dentro da lei, ele vai e corrige. Dá o gol ou volta o gol. O importante é o que é certo prevalecer.

ESPN - Joel Santana que sempre foi bem humorado gosta do jeito do Tite falar, o "titês"?
Joel Santana: Cara, o negócio é cada um com seu cada um. É o jeito dele. Vou endireitar o jeito dele? Ele tem quase 60 anos. Vou eu falar que ele tem de mudar? É o jeito dele. Quem quiser aceita, quem não quiser não aceita. Ele é de um jeito. Eu sou de outro. Mourinho tem o jeito dele. Guardiola tem o dele.