No Twitter, ele demonstra ter amor e orgulho do Palmeiras. Mas também reclama dos gols perdidos por Borja. Critica a falta de vontade de jogadores, quando julga ser o caso. Condena atitudes como a cusparada de Deyverson em Richard. E xinga.
Em outras palavras, apresenta o típico comportamento de torcedor nas redes sociais. A única diferença é que, quando criticado, ou quando alguém indaga se ele faria melhor, Osmar pode postar vídeos de gols seus com camisa do Palmeiras para avaliação de quem pergunta.
Recentemente, quando um seguidor lhe disse "você era ruim, mano", Osmar, de bate-pronto, mandou: "Mas fazia gols".
Foram 30 em 67 jogos (28 vitórias, 18 empates e 21 derrotas), para ser preciso, somando Libertadores, Brasileiros, Copas do Brasil e Paulistas. Inclusive em clássicos contra Corinthians, São Paulo e Santos - sem mencionar os anotados contra gigantes como Flamengo e Fluminense, entre outros, durante dois períodos: 2004 a 2005, e 2007 a 2008.
Aos 38 anos, o ex-jogador do Palmeiras vem se tornando um personagem cada vez mais conhecido pelos torcedores nas redes sociais, mesmo entre os que não o viram jogar.
Algo justo para quem tem média 0,45 gols por partida - quase um gol a cada dois jogos. E que acha que poderia, até hoje, estar somando algarismos nessa estatística.
Mais um ruim que dava alegria https://t.co/N2lClsfwRR
— Osmar cambalhota 9 (@OsmarAzevedo4) 12 de março de 2019
"Eu posso não ter a mesma idade do Borja e do Deyverson, mas, na vontade e no físico, não deveria nada a eles", garante o jogador, que garante estar em forma. "Daria para disputar a posição, sim, com certeza", afirma.
"Pô, eu não desperdiçava chance. Aprendi isso vendo um filme do Pelé em que ele falava que o atacante não pode perder chance, porque não sabe se terá outra", explica.
"Cada bola que vinha, era concentração máxima. Eu sempre encarava cada bola como a única do jogo. Por isso, fico maluco quando vejo jogador desperdiçar gol", diz o jogador.
Para deixar a pontaria em dia, Osmar costumava treinar finalizações depois que o treino acabava.
"Chegar em um time grande não é o maior desafio. O difícil mesmo é você se manter e fazer história. Eu tinha que estar preparado", explica.
Se os planos de Osmar tivessem dado certo, era para ele estar agora pensando em se aposentar pelo seu clube de coração. Dele e do pai Adão, que morreu três meses antes de o jogador assinar contrato com o Alviverde.
Deyverson vai ter mais uma oportunidade , Agora aproveite , não seja uma pessoa sem caracter , a oportunidade está aí, eu critiquei porque você foi infantil, mais futebol tem de sobra, e claramente dentro de campo rende muito mais que o Borja.
— Osmar cambalhota 9 (@OsmarAzevedo4) 24 de fevereiro de 2019
"Ele falava que eu devia me esforçar para jogar no Palmeiras um dia. E eu dizia 'ih, pai, mas esse sonho tá longe'. Eu olhava para o campo e via Zinho, Evair, Edmundo. Não tinha como. Mas aí, as coisas foram acontecendo. E, um dia, deu certo", conta.
Antes, porém, Osmar castigou o clube do coração. Pela Copa do Brasil de 2004, que viria a conquistar com o clube do ABC, Osmar anotou dois dos 7 gols feitos pelo Ramalhão nos empates por 3 a 3 (em Santo André) e 4 a 4, no Palestra Itália, nas quartas de final do torneio.
"Meu pai também não viu, faleceu um pouco antes", conta o jogador, que atualmente procura um clube, depois de ter atuado pelo Mogi Mirim em 2018.
CALOU MARCOS
Osmar desembarcou na Academia de Futebol em agosto daquele ano sob desconfiança.
"Tem isso na boleiragem. Quando o cara chega e só jogou em clube pequeno, o pessoal fica com o pé atrás", diz Osmar.
"O Marcos veio falar comigo: 'contra mim, você sempre foi um leão. Quero ver a favor...'", conta Osmar.
Na estreia, contra o Fluminense, dois gols. "E o Marcão: 'Ah, isso aí e sorte, estreia. Quero ver para frente, como vai ser", conta.
No segundo, contra o Atlético-MG, em Minas, mais um. "Mesmo assim, o Marcão não dava o braço a torcer, ficava tirando sarro".
No terceiro, contra o Internacional, novo gol. "Bom, eu agora eu não falo mais nada", disse Marcos, na época, conta Osmar, entre risos.
Viria ainda um quinto, contra o Vitória, na rodada seguinte. No fim do Brasileiro, Osmar somaria onze gols anotados com a camisa do clube.
Pra você ter ideia muitos criticaram a saída do deyverson eu fui contra a saída, mais não fui conivente com a atitude daquela ocasião. É acho.ainda que o deyverson tem muito futebol pra mostrar
— Osmar cambalhota 9 (@OsmarAzevedo4) 12 de março de 2019
A rápida adaptação ao clube deveu-se muito ao técnico Estevam Soares.
"Quando eu cheguei, ele me disse para jogar como eu jogava no Santo André, não mudar nada, que ele assumiria a bronca. Eu fiz e deu certo", revela Osmar.
Osmar teve com paceiros bons meias e colegas de ataque. No Palmeiras, fez um bom duo com Ricardinho. E recebia passes de Correa, Pedrinho, Magrão, Lúcio e Diego Souza - o original, formado na base alviverde, não o jogador do Botafogo.
"A cobrança era grande demais naquela época. O torcedor tinha mais acesso à gente e vinha cobrar na base da porrada, mesmo", conta ele. "Hoje, o jogador é mais blindado", diz.
Mas, em 2004, o Palmeiras foi ganhando força e se aproximando da ponta. E o time começou a acreditar que poderia chegar ao título.
"Em time grande é assim. Se começa a ganhar força, vai ganhando confiança, a torcida vem junto", diz ele. Com 79 pontos, o Palmeiras ficou na quarta posição daquele Brasileiro que teve 24 times - a dez pontos do campeão Santos e a três do terceiro São Paulo.
SEM BRIGAR COM O HOMEM (EDMUNDO)
Osmar voltou ao Palmeiras em 2005 para disputar o Paulista e a Libertadores. Na competição continental, marcou contra os três adversários na fase de grupos - Santo André, Deportivo Táchira e Cerro Porteño.
O Palmeiras debicou na competição, eliminado nas oitavas de final pelo São Paulo. E Osmar começou a peregrinar, emprestado pelo Palmeiras. Foi primeiro para o Grêmio. Depois, para o Morellia, do México, onde ficou por apenas um ano.
"Meu objetivo ali era ficar o máximo possível. Percebi que meu espaço no Palmeiras ia se reduzir e, como tinha o sonho de jogar uma Copa, pensei que se fosse bem, poderia me naturalizar e atuar pelo México".
Mas o sonho se interrompeu após uma temporada. Osmar foi então para o Oita Trinita, do Japão. Mais uma vez, veio a ideia de ficar por lá muito tempo.
"Tudo lá é muito bom, mas acabei ficando pouco", conta ele. Na volta, ele foi para o Fortaleza, antes de retornar para o Palmeiras e voltar a brilhar.
Quando torceu o joelho, contra o Flamengo, no Maracanã, pela primeira rodada do Brasileiro de 2007, Osmar era vice-artilheiro do time no ano, atrás de Edmundo - somava 10, contra 15 do Animal. No Paulista, vazou Santos e Corinthians, inclusive.
"Mas ele batia todos os pênaltis", pondera. "No Paulista, foram 5. O artilheiro fez 14. Se eu tivesse batido, seria artilheiro também", diz o jogador, que jamais perdeu um pênalti pelo Palmeiras.
Sou torcedor como qualquer outro tudo oque consegui deve ao palmeiras ,mais isso não significa que tenho que ser conivente com as situações .E realmente é obrigação. https://t.co/hzXu7iImxx
— Osmar cambalhota 9 (@OsmarAzevedo4) 12 de março de 2019
"Na preleção, o Caio Júnior sempre falava: 'se pintar um pênalti, bate o Edmundo ou o Osmar'. Só que só ele batia", conta o jogador, entre risos.
"Aí, teve um jogo e teve um pênalti. Edmundo pegou a bola e bateu", conta. O camisa 7 falou que, se pintasse outro, Osmar bateria. Pois veio o segundo penal e Osmar já foi pegando a bola. Só que Edmundo pediu para bater de novo e disse: 'Deixa eu bater, eu preciso'", conta.
"Pô, se ele, com 37 anos, milionário precisava, imagina eu, com 27, no primeiro time grande", gargalha Osmar que, a despeito dos pênaltis, era e ainda é amigo do ídolo de Palmeiras e Vasco.
"Um dia fui falar com o Caio, para ele trocar a ordem. Em vez de falar 'Edmundo ou Osmar', fala 'Osmar ou Edmundo', pô!".
No que o técnico respondeu: "Rapaz, eu até preferia que você batesse, mas se eu falo isso, caio eu, cai você, cai a minha família toda", diverte-se Osmar. "Deixa ele lá, não vamos brigar com esse homem, não", recomendava o treinador.
"Ele era um cara sensacional, muito educado", diz ele sobre Caio Júnior, morto no acidente com o avião da Chapecoense, em 2016. na Colômbia.
Osmar ainda voltou ao clube no fim do ano, depois de se recuperar. Em 2008, fez parte do grupo campeão paulista. Mas não teve mais chances com Vanderlei Luxemburgo e acabou negociado com o Vitória.
Em 2009, voltaria uma última vez ao Palmeiras, só que para o time B.
"Eu fiquei muito chateado, porque tinha ainda capacidade de disputar posição no time principal", diz Osmar. "Mas futebol acontece muito mais fora do que dentro do campo. A parte política conta demais", diz.
ESTOU VIVO
Osmar está atualmente sem clube. Jogou Paulista (A-3) e Brasileiro pelo Mogi Mirim (Série C) em 2018. Mas o clube paralisou suas atividades neste ano.
Enquanto a oportunidade não vem, o jogador vai navegando nas redes sociais e interagindo com seguidores.
"Eu recebo muito mais carinho do que críticas", afirma ele, que é pai de um casal de gêmeos.
Voltar a trabalhar não está sendo fácil.
"O problema é que os caras acham que você vai chegar e fazer chover. E não é assim. As condições dos times que me oferecem contrato não são as que eu mereço, também", diz.
Morando em um sítio em Marília, interior de São Paulo, com a mãe o padrasto, onde tem um campo de futebol, o atacante treina todo dia para manter a forma e quer voltar a jogar.
"Estou vivo, pô!", finaliza o Cambalhota, entre uma twittada e outra.
