Até a partida contra o Shimizu S-Pulse, na semana passada, duas coisas nunca tinham acontecido ao atacante Anderson Lopes: fazer quatro gols em um jogo só e cair num fosso depois de balançar a rede.
A alegria dele pelo segundo gol na partida foi tanta, que Anderson saiu correndo alucinado para comemorar. E, ao se deparar com a placa de publicidade, não teve dúvida: apertou o passo, pegou impulso, saltou e... caiu de uma altura de 2,5 metros, mais ou menos.
"Ficou dando choque depois, durante o jogo e, na hora, doeu. Depois, passou", conta ao ESPN.com.br. entre risos, o atacante do Consadole Sapporo, da J. League.
"A sorte foi que eu caí em pé e depois escorreguei. Se tivesse caído de mau jeito, poderia ter me machucado mesmo", diz Lopes. "E a imagem correu o mundo!", diverte-se o atacante.
"O goleiro deles ainda me falou: 'eu acho que você só fez quatro gols porque caiu no fosso'", revelou Lopes que, como não se machucou, acredita que a permuta foi até justa.
Neste domingo (17), o Consadole Sapporo foi derrotado pelo Kashima Antlers por 3 a 1 e Anderson anotou o gol de sua equipe. Com seis pontos em quatro jogos - duas vitórias e duas derrotas - o time é o atual décimo colocado do campeonato. O FC Tokyo, com dez, lidera.
Agora com cinco gols, Anderson Lopes segue como artilheiro máximo.
EM CASA
A alegria na partida, que ainda se intensificou com a anotação de mais dois gols, totalizando quatro, casa perfeitamente com o que jogador revelado pelo Internacional, ex-Athletico Paranaense, sente nesta volta ao Japão, depois de uma temporada no FC Seul, da Coreia do Sul.
"Aqui no Japão é bom demais, rapaz. Eu achava que a Coreia seria semelhante, mas foi um erro, me arrependi", revela o jogador, que já havia atuado pelo Sanfrecce Hiroshima entre 2016 e 2017.
Na nação vizinha, Lopes achava que iria encontrar uma atmosfera semelhante à do país nipônico. Mas se deparou, segundo ele, com frieza por parte do povo e estafe do clube, bem como um futebol bem diferente do que aquele com que estava habituado.
"No Japão, os caras fazem de tudo para você não se estressar com nada, só pensar em jogar. Na Coreia, já é meio cada um por si, ninguém te ajuda a resolver nada, não. O povo não é muito acolhedor, caloroso", afirma.
"O futebol também é bem diferente. É basicamente força. Os caras lá só querem que você corra e dê porrada, corra e dê porrada. É só isso", diz. "No Japão, a tática e a técnica são mais importantes. O campeonato é bem melhor", diz ele.
O Consadole Sapporo de Anderson, comandado pelo sérvio Mihailo Petrovic, por outro lado, atua num estilo de jogo à la Fernando Diniz, de acordo com o jogador.
"Não tem chutão. É valorização da posse de bola, troca de passes, um esquema mais refinado", diz ele, que foi treinado pelo agora técnico do Fluminense em sua passagem pelo Furacão.
Foi no Furacão também que ele conheceu Lucas Fernandes, seu parceiro de ataque no clube de Sapporo.
A opinião positiva sobre o Japão também é partilhada pela família do jogador, que está para chegar.
"A minha família ama aqui. Minha filha até chorou quando soube que ia ter que sair da escola", diz ele, sobre a garota de 12 anos que fala japonês e está bem contante de saber que não deve sair do Japão antes de 2022, já que o contrato de Anderson com o clube é de três temporadas.
"Tem uma Disneylandia em Tóquio, que é bem pertinho daqui", conta o jogador, talvez explicando um pouco do amor da filha pelo país.
SELEÇÃO E ALEXANDRE PATO
Apesar de muito jovem, Anderson Lopes, se puder decidir, não sai mais do Japão. Tanto é que já pensa em se naturalizar para poder atuar pela seleção local.
"Como eu falo um pouco de japonês, o pessoal sempre comenta que eu deveria me naturalizar e disputar uma Copa do Mundo", revela. "Eu, se puder, nunca mais saio daqui", diz ele.
Parte desse sonho talvez de dê pelo fato de ele saber que seleção brasileira é um sonho distante. "É difícil, né?", diz ele, que foi colega de categoria de base do goleiro Alisson, do Liverpool, e de Fred, do Manchester United, convocados por Tite para o Mundial disputado na Rússia em 2018.
"Os dois eram muito gente boa", afirma.
Embora admirador do atacante Robinho, o encontro no mundo do futebol de que Lopes se recorda com mais carinho foi com outro ex-jogador da seleção.
"Eu me lembro de quando Alexandre Pato foi visitar a gente lá no Inter", conta. "Eu tinha uns 16, 17 anos, e ele já era do Milan, então, deu uma impressionada", conta. "O mais legal é que ele já tinha um nome no futebol e tratou a gente com normalidade, brincou com todo mundo", diz.
No dia seguinte, Anderson voaria para Recife, onde visitaria a família. E, quando desembarcou no Rio para a conexão, quem também estava lá era Pato.
"Eu lá, todo tímido, sem saber se ele ia se lembrar de mim. E ele já veio conversando, brincando, ofereceu ajuda para embarcar e tal, muito gente fina", diz.
