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Champions League: Brahimi foi de garoto mimado que não sabia fazer gol a destaque do Porto

O Porto enfrenta a Roma nesta quarta-feira (06/03), no Estádio do Dragão, pelo segundo jogo das oitavas de final da Uefa Champions League, e precisa vencer por um gol de diferença para continuar vivo na competição.

Para isso acontecer, será necessário mais uma boa atuação do meia francês naturalizado argelino, Yacine Brahimi.

O atleta de 29 anos chegou ao time azul e branco em 2014, e conquistou dois títulos: o Campeonato Português (2017-2018) e a Supercopa de Portugal (2018).

“Ele é um menino que não me surpreende por estar dando certo. Nós jogamos juntos pelo Granada, em LaLiga, e ele me surpreendeu positivamente porque veio da França e ninguém o conhecia. O Brahimi foi muito importante para a gente se salvar do rebaixamento”, afirma Guilherme Siqueira, ex-Atlético de Madrid, que hoje está aposentado, ao ESPN.com.br.

“Às vezes, um time pequeno precisa de alguém assim que chame o jogo para ele. Fez muitas vezes isso naquela temporada. Nos salvamos com certo conforto graças a ele”, completa o brasileiro.

Na temporada 2014-2015, o Granada terminou em 15° lugar no Campeonato Espanhol.

Mesmo com destaque, uma questão sempre atrapalhou o futebol de Brahimi: o faro de gol pouco apurado. Em toda a sua carreira antes do Porto, o jogador havia marcado apenas 20 gols em mais de 150 jogos como profissional.

“Eu sempre falei para ele: 'Você é um armador, mas precisa chutar mais. Precisa melhorar seus números'. Ele chegava, mas fazia poucos gols. Por isso, o scout dele não era favorável", afirma Guilherme.

“Ele admita que isso acontecia mesmo. Existiam situações de chute, mas ele preferia dar o passe. Falei que ele precisava ser mais concreto e decisivo na última parte do campo”, aconselhava o brasileiro.

As dicas de Guilherme surtiram efeito. Após mais um ano no time espanhol, o argelino mudou de equipe.

“Ele foi assediado por muitos times naquela época, mas acabou escolhendo o Porto, que tinha um planejamento muito interessante para os jovens”, disse Guilherme.

Em 4 anos no Estádio do Dragão, o atleta avaliado em 26 milhões de euros (R$ 110 milhões), balançou as redes mais vezes do que em toda sua carreira anterior: 35 em 139 partidas.

Além dos conselhos dentro de campo, Guilherme também influenciou no comportamento do argelino fora das quatro linhas.

“Ele gostava de ser mimado, não gostava de ser contrariado. Quando era confrontado tudo era um problema”, afirma o ex-jogador. “Eu falava: ‘calma, não é bem assim’. Ele amadureceu muito nisso. Às vezes não era receptivo para opiniões contrárias e tudo tinha que ser do jeito dele. Se falasse algo que não concordava ele se alterava”.

“Os anos do futebol foram o deram um amadurecimento. Ele adquiriu isso trabalhando com jogadores experientes, como o próprio Casillas. Ele pegou muitos jogadores que o ajudaram nisso”.