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Liverpool x Manchester United também é clássico dos brasileiros - para o bem e para o mal

Manchester United x Liverpool, a maior rivalidade do futebol inglês apresenta um cenário bastante distinto para brasileiros.

De um lado, Roberto Firmino e Alisson são dois dos principais jogadores da atualidade. Lucas Leiva virou ídolo, assim como Philippe Coutinho, que viu seu crédito diminuir por conta de sua transferência ao Barcelona. Dentro de campo, o meia revelado pelo Vasco foi inquestionável.

Do outro, Anderson, Fábio, Rafael, Kleberson e Rodrigo Possebon deixaram Old Trafford longe de serem considerados ícones na história dos Red Devills. Andreas Pereira ainda não conseguiu vingar após empréstimos, e Fred vem enfrentando dificuldades para jogar regularmente em sua primeira temporada, após ter custado 59 milhões de euros.

Manchester United e Liverpool enfrentam-se no Old Trafford, neste domingo, às 11h (de Brasília), pela Premier League, com transmissão da ESPN Brasil e WatchESPN

Por que isso acontece?

Glenn Price, setorista de Liverpool da ESPN

Há sempre um elemento de risco com transferências. Lucas Leiva, Roberto Firmino, Fabinho e mesmo Philippe Coutinho batalharam quando eles chegaram ao clube, mas foi concedido paciência a eles para mostrar todos os seus talentos e habilidades. Uma vez que tiveram isso, eles caíram nas graças dos torcedores do Liverpool. Lucas tornou-se um autêntico Scouser (cidadão de Liverpool), Coutinho poderia ter tido estátuas e Firmino é adorado. Liverpool, como cidade e clube, é bom para seus ídolos.

Todos os brasileiros atuais no clube desfrutam de uma relação extremamente próxima e são muito receptivos às novas caras. Isso obviamente ajuda com o período de adaptação a um novo país, clube e cultura.

No campo, o Liverpool é agraciado pelo fato de o assistente Pep Lijnders poder falar português fluente. Isso ajuda massivamente aqueles brasileiros que ainda não estão inteiramente confortáveis com o entendimento de conceitos táticos do time em inglês. Lijnders tem sido creditado com uma massiva ajuda para Fabinho se firmar no clube.

Manchester United e Liverpool fazem clássico recheado de canecos com 'duelo frenético'

Rob Dawson, setorista de Manchester United da ESPN

Brasileiros têm tido momentos mistos no Manchester United. Anderson teve períodos em que ele foi fantástico, o mesmo vale para Rafael. Outros, como Kleberson, veio com grandes expectativas, mas nunca realmente funcionou. A cultura no Manchester United deveria encaixar a jogadores brasileiros por conta do futebol ofensivo e do estilo. Isso, no entanto, demanda tempo para adaptação, o que estamos vendo com Fred agora. Ele é obviamente um bom jogador – você não joga pela seleção brasileira se você não é -, mas o futebol inglês pode propor desafios únicos. Victor Lindelof batalhou em sua primeira temporada no Old Trafford, mas agora joga regularmente. Não há razão pela qual Fred não possa fazer o mesmo.

João Castelo-Branco, correspondente da ESPN Brasil

Difícil dizer porque brasileiros não se deram bem no Manchester United. Os laterais gêmeos Rafael e Fábio da Silva em um momento eram muito queridos por Ferguson, e parecia que teriam um grande futuro. Rafael até que teve algum sucesso, jogou mais de 100 jogos pelo clube em 2012/13, era titular quando United foi campeão. Mas os cariocas acabaram não vingando.

Acho que no geral é questão de azar mesmo, nunca conseguiram trazer craques brasileiros. Por muito pouco não contrataram Ronaldinho Gaúcho quando ele foi do PSG para o Barcelona. Com certeza teria arrebentado.

Acabaram contratando Anderson, que mostrou apenas alguns bons momentos. Por que Kleberson não deu certo mas Gilberto Silva arrebentou no Arsenal? Fred ainda tem chance de se firmar no time, mas por enquanto ainda não está recebendo as oportunidades.

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Desempenho dos brasileiros em cada clube:

Manchester United

Fred: Começou a temporada como titular, mas não brilhou e não entrou em campo nas últimas sete rodadas da Premier League. Soma 15 jogos.

Andreas Pereira: Chegou em 2012 no United ainda na base e teve passagens por empréstimo por Granada e Valencia. Ao todo, soma 24 jogos pelo clube, sendo 11 na atual temporada.

Rafael: Tricampeão inglês e vice-campeão da Champions duas vezes, o lateral direito teve bons momentos no United - na temporada 2012-13, por exemplo, foi titular em 27 das 38 rodadas da Premier League. Somou 170 partidas pelo clube entre 2008 e 2015.

Fábio: Irmão gêmeo de Rafael, o lateral esquerdo jogou pelo clube entre 2008 e o fim de 2013, sendo emprestado uma vez ao Queens Park Rangers. Não teve o mesmo sucesso do irmão e jogou apenas 56 partidas pelo clube.

Rodrigo Possebon: O volante ficou no clube entre 2008 e 2010, sendo emprestado por um semestre ao Braga. Disputou apenas oito jogos pelos Red Devills.

Anderson: Foi campeão mundial, da Champions e de quatro edições do Inglês. Viveu alguns bons momentos, sobretudo quando atuou mais recuado. Porém, foi instável e não obteve o sucesso esperado. Foram 181 jogos e nove gols.

Kleberson: Campeão mundial em 2002, o meio-campista chegou com grande expectativa em 2003, mas não rendeu o esperado. Ficou duas temporadas e só disputou 30 jogos.

Liverpool

Lucas Leiva: O volante ganhou apenas uma Copa da Liga em dez temporadas no Liverpool, mas isso não impediu de ele ter se tornado um ícone no clube. Virou uma referência dentro e fora de campo. Foram 346 jogos

Fábio Aurélio: O lateral esquerdo não alcançou a idolatria de Lucas, mas teve um desempenho consistente nas seis temporadas em que jogou pelos Reds. Disputou 134 partidas.

Diego Cavalieri: Goleiro reserva entre 2008 e 2010, ele disputou apenas dez partidas.

Doni: Também foi goleiro reserva do time. Entre o meio de 2011 e o começo de 2013, disputou apenas quatro confrontos.

Philippe Coutinho: Nos cincos anos que defendeu o clube (2013-2018), virou uma referência técnica, viu sua carreira decolar de vez. Em 201 jogos, somou 54 gols. Não à toa, foi vendido ao Barcelona por iniciais 105 milhões de euros – valor que pode chegar a 142 milhões.

Alisson: Contratado por 62,5 milhões de euros nesta temporada, o goleiro titular da seleção brasileira tem atuado regularmente e caiu nas graças do técnico Jürgen Klopp e da torcida.

Fabinho: Outro reforço que chegou no meio de 2018, o versátil atleta demorou a começar a jogar por conta de um período maior de adaptação. Agora já está firmado entre os titulares.