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Ao pagar maior parte do salário de Goulart no Palmeiras, time chinês terá menos dinheiro para investir

Ao negociar Ricardo Goulart com o Palmeiras, o Guangzhou Evergrande pretendia ganhar espaço no elenco abrindo mão de um jogador que recupera-se de lesão e também diminuir a folha salarial. Mas a negociação concluída na última terça-feira não deixou a equipe com tanta folga para investir.

O motivo é que a equipe chinesa concordou que o Palmeiras pagasse exatos 20% do total do salário do meia-atacante, que recebia R$ 3 milhões por mês. Ou seja, o clube alviverde ficará responsável por arcar com R$ 600 mil mensais, conforme mostrou a ESPN Brasil.

Considerando que o empréstimo de Goulart é válido até o final da temporada, a "economia" que o Guangzhou terá em salários será em torno de R$ 7,2 milhões. Somando o restante do pagamento, que será feito pelos chineses, o gasto final corresponde a R$ 28,8 milhões.

Não sobrou muita verba que permita o Evergrande investir em um jogador do mesmo quilate de Goulart. E a equipe sabe que está de mãos atadas porque a Associação Chinesa de Futebol introduziu recentemente regras bem rígidas, estipulando tetos para salários e para gastos com o futebol - uma espécie de fair play financeiro.

Por exemplo, o clubes da elite não podem gastar mais do que US$ 174 milhões (cerca de R$ 650 milhões) em contratações nesta temporada.

Os salários também foram limitados. Jogadores chineses que assinaram contrato em 2019 não podem receber mais do que US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 5,48 milhões) por ano. A medida ainda não afeta diretamente jogadores estrangeiros que aceitem jogar no país.

A Associação Chinesa também determinou que a folha salarial total de cada clube da primeira divisão não deve exceder 65% do gasto total que essa equipe terá durante a temporada.

Todas as medidas já têm reajustes programados para os próximos anos com o intuito de frear os gastos desmedidos desde que o futebol local foi reinventado.

Diante desse cenário, uma questão bem óbvia é: por que um clube toparia emprestar um jogador e arcar com mais da metade dos salários?

Para responder, a reportagem consultou o empresário indonésio Joseph Lee, dono da Kirim Soccer, conhecido por ter feito a ponta da maioria das transferências entre Brasil e China.

"Por que um clube empresta seu jogador praticamente de graça? Eu te respondo com outra pergunta: por que um clube aceita tratar um jogador que não é seu de graça?", rebateu Lee.

"Foi o que o Palmeiras fez quando ofereceu suporte para o Ricardo Goulart se recuperar da cirurgia no joelho e voltar a jogar. Ricardo tem um salário alto e não faria sentido o Guangzhou ficar com um jogador parado, ocupando uma vaga no elenco, sem perspectiva de jogar logo", continuou.

"Se o Palmeiras recuperar Goulart, o Guangzhou também ganhará. O empréstimo tem a opção de compra [12 milhões de euros, ou cerca de R$ 50,8 milhões]", complementou.

Goulart está clinicamente recuperado do procedimento realizado em seu joelho direito no ano passado, e já vinha treinando na Academia de Futebol antes mesmo do acerto com o Palmeiras. No entanto, ele ainda precisa acertar sua parte física, e o departamento médico prevê mais um mês.

O cálculo é que ele esteja em condição de jogo no final de fevereiro ou início de março.