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São Paulo: Relembre fatos, personagens e grandes jogos do tricampeonato brasileiro do clube

Há exatos dez anos, o São Paulo derrotou o Goiás por 1 a 0, em Brasília, e conquistou o Campeonato Brasileiro pela terceira vez consecutivo. Um domínio jamais visto em um torneio nacional desde que o Santos de Pelé foi penta da Taça Brasil.

Um feito que consagrou e imortalizou na história tricolor nomes como Rogério Ceni, Miranda, Jorge Wagner, Dagoberto, Borges, entre tantos outros, assim como o técnico Muricy Ramalho.

No aniversário da conquista do último dos três brasileiros, o ESPN.com.br preparou um especial relembrando dez fatos marcantes naquela caminhada, dez personagens inesquecíveis e de partidas que merecem ser imortalizadas.

10 FATOS DO TRI

DEZ MINUTOS PARA O GRITO
Desde 1991 sem conquistar o Brasileirão, a torcida e os jogadores do São Paulo tiveram de aguardar ainda cerca de dez minutos no Morumbi (com 68.237 pagantes), após o empate com o Atlético-PR por 1 a 1, para soltar o grito de campeão em 2006. O motivo é que equipe dependia do resultado do Internacional, que acabou perdendo para o Paraná por 1 a 0, e o título foi confirmado.

SOBERANO
Nos três anos, o estádio do Morumbi foi um diferencial do São Paulo na conquista. A equipe fez 57 jogos e obteve 41 vitórias, 11 empates e 5 derrotas. Aproveitamento de 78,3%. O clube tricolor também foi “soberano” nos confrontos contra Corinthians, Palmeiras e Santos. Somou 69 pontos, com 21 vitórias, 6 empates e três derrotas. Aproveitamento de 76,6%. Vale lembrar que apenas na campanha de 2008 não enfrentou o time corintiano, que estava na Série B nacional.

TAÇA DAS BOLINHAS
Ao sagrar-se campeão em 2007, o São Paulo requisitou o direito de receber a Taça das Bolinhas, troféu oferecido pela Caixa Econômica aos campeões brasileiros a partir de 1975. Pela regra, o dono de forma definitiva do objeto seria o clube ganhador em três edições consecutivas ou cinco alternadas. O Flamengo sempre se considerou seu legítimo proprietário por ter obtido a quinta conquista em 1992. Mas nunca recebeu a taça porque o Sport, e não o Flamengo, é considerado pela CBF o verdadeiro campeão de 1987. O pedido do São Paulo para receber o troféu em 2007 reviveu essa novela e deu a outra, muito mais longa, e sem fim até hoje. A taça está em um cofre da Caixa, sem um dono oficial.

MURICYBOL
Foi a forma como aquele time ficou marcado por ter como principal estratégia ofensiva o “chuveirinho”. A associação mais natural são vitórias por 1x0, com gol de cabeça após cruzamentos. Mas era um pouco mais do que isso. Se fosse traduzido, o Muricybol teria de incluir defesa forte, time com muitos volantes e preferência por jogadores que saibam cruzar e altos. Alvo de críticas pelo estilo, Muricy Ramalho se defendeu ao sagrar-se tricampeão: “Quem quiser ver espetáculo que vá ao Teatro Municipal”.

INSPIRAÇÃO EM MASSA
Na reta final do Brasileirão de 2008, mais especificamente em 2 de novembro, os jogadores do São Paulo acompanharam o GP do Brasil de dentro do Morumbi antes de enfrentar o Internacional. Naquele dia, Felipe Massa podia ter se sagrado campeão mundial pela Ferrari por ter vencido a prova, mas, 700 m antes da chegada, Lewis Hamilton conseguir ultrapassar Timo Glock assumindo o quinto lugar, condição que lhe deu a taça daquela temporada. Muricy usou a corrida como motivação na preleção, dizendo aos jogadores que eles tinham que fazer a parte deles para não depender de ninguém. Resultado: São Paulo venceu por 3 a 0 e assumiu a liderança pela primeira vez.

MARKETING BOMBANDO
Naquela época, o São Paulo também dava exemplos fora de campo. Era o caso do departamento de marketing, comandando por Julio Casares. Várias ideias criativas cativaram os torcedores, como as camisas comemorativas pelas conquistas. Primeiro com a "4-3-3", isto é quatro títulos nacionais, três de Libertadores e três de Mundial. Depois, em 2007, virou 5-3-3. E finalmente, em 2008, 6-3-3. Também foi a fase do surgimento de programas de bom apelo para o torcedor, como o Batismo Tricolor (2007), o Passaporte Tricolor (2008) e a Embaixada Tricolor (2008). Nessa época, o clube também vendeu grama do Morumbi (2006) e pedaços das redes dos gols do estádio (2007). Todas iniciativas incomuns para a época e revolucionárias.

CAMPEÃO INDISCUTÍVEL
Das 114 rodadas de 2006, 2007 e 2008, o São Paulo esteve na liderança em 52. O campeonato que mais vezes ficou na primeira colocação foi em 2006, da 12ª até a 38ª edição. O time somou 230 pontos dos 342 possíveis (aproveitamento de 67,2%). A defesa tricolor também foi um dos pontos fortes naquele período. Em 2007, quando teve a melhor atuação, sofreu apenas 19 gols.

TRICAMPEÕES
O São Paulo é até hoje o único clube tricampeão consecutivo do Campeonato Brasileiro. O Santos tem cinco conquistas seguidas, mas da Taça Brasil. Ao todo, 45 jogadores estiveram em pelo menos um dos três títulos do São Paulo. Destes, apenas nove participaram das três conquistas. Foram Rogério Ceni, André Dias, Alex Silva, Miranda, Júnior, Aloísio, Richarlyson, Bosco e Reasco. O técnico no tricampeonato foi Muricy Ramalho.

ANOS DE FRUSTRAÇÕES
Campeão em 2005, o São Paulo estava obcecado em busca da quarta conquista do continental. No entanto, nos três anos em que foi o vencedor do Brasileirão, a campanha terminou de modo frustrante. Foi vice em 2006 (perdeu para o Inter no Morumbi e depois empatou no Beira-Rio), caiu nas oitavas em 2007 (o algoz foi o Grêmio) e nas quartas em 2008 (Fluminense).

CASO MADONNA
Ao tomar conhecimento de uma denúncia de tentativa de manipulação de resultado, a CBF substituiu o árbitro Wagner Tardelli do confronto entre Goiás e São Paulo, em Brasília, por Jailson Macedo Freitas. Na época, reportagem da Folha de S.Paulo publicou que dirigentes da Federação Paulista afirmaram que uma secretária do São Paulo telefonou para a secretária de Marco Polo Del Nero (presidente da FPF) a fim de entregar ingressos do show da cantora Madonna, no Morumbi, para convidados da federação. Na confusão, ficou entendido que um dos envelopes com ingressos era para Tardelli.

10 PERSONAGENS DO TRI

MURICY RAMALHO
O treinador regressou ao São Paulo no início de 2006 após uma passagem sem pompa entre 1994 e 1996 e com uma promessa feita a si mesmo: triunfar no clube de coração. Responsável por um sistema de jogo que privilegiava defesa forte, volantes duros e bolas alçadas para a área em excesso, ele conseguiu ser tricampeão consecutivo. Algo que apenas Rubens Minelli obteve de 1971 para cá, mesmo assim por clubes diferentes (duas vezes pelo Inter e uma pelo São Paulo). Muricy ainda se eternizou por forjar frases como: “Aqui é trabalho”, “Motivação é o salário na conta” e “Quem estiver melhor joga”.

ROGÉRIO CENI
O goleiro viveu sua melhor fase na temporada 2005, quando ganhou no mesmo ano Paulista, Libertadores e Mundial. Mas ela prosseguiu no tricampeonato brasileiro e Ceni teve papel importante, inclusive como líder do elenco. Além de garantir no gol, ele fez 19 gols nos 99 jogos do tri.

JORGE WAGNER
Não participou em 2006, ano em que defendeu o Internacional, mas foi muito importante em 2007 e em 2008. Ele era um dos responsáveis para que o Muricybol fosse eficiente. Eram lançamentos, passes, cruzamentos e até gols. Veio para ser lateral esquerdo, mas jogou como ala, meia e ponta-esquerda. Foi líder de assistências do nacional em 2007, com 15. Em 2008, repetiu a dose, com 11 assistências.

MIRANDA
Ele foi o substituto de Diego Lugano na zaga tricolor e não deixou os são-paulinos com saudade do uruguaio. Eficiente nos desarmes e nos passes, virou o titular absoluto da defesa. As boas exibições asseguraram ao jogador convocações para a seleção e uma negociação com o Atlético de Madri.

DAGOBERTO
Também não esteve em 2006, mas foi titular em quase toda a campanha de 2007 e 2008. Se entendeu bem com os companheiros de ataque (Leandro, em 2007, e Borges, nos dois anos). Fez sete gols no primeiro ano (em 29 jogos) e seis no seguinte (mesma quantidade de partidas).

RICHARLYSON
Richarlyson chegou ao São Paulo em meio a uma polêmica. Na época, no meio de 2005, ele estava praticamente acertado com o Palmeiras, mas de última hora preferiu ir para o clube do Morumbi. E não deve ter se arrependido, afinal, participou das conquistas do Mundial em 2005 e dos três Brasileiros. Não era titular absoluto, mas costumava aparecer com destaque, sendo bastante importante nas campanhas, com desarmes e até mesmo com alguns gols. Permaneceu no clube paulista até 2010, quando passou a conviver com críticas da torcida, principalmente as organizadas, se transferindo para o Atlético-MG.

ALOÍSIO CHULAPA
Mais um que chegou ao São Paulo às vésperas do Mundial de Clubes. E que rapidamente caiu nas graças da torcida, dando a assistência para o gol de Mineiro que garantiu o título aos brasileiros contra o Liverpool. Nos anos seguintes, se manteve bem e foi construindo uma relação cada vez mais forte com o clube de seu coração. Apesar de centroavante, nunca foi um grande artilheiro, mas não é por isso que não foi fundamental nos três títulos nacionais, dando passes precisos e sofrendo inúmeras faltas, o que propiciava o time a criar boas oportunidades, principalmente com Jorge Wagner e Rogério Ceni.

BORGES
Contratado em 2007, Borges participou de dois títulos Brasileiros pelo clube. No primeiro ano, passou a maior parte como opção no banco de reservas, mas mesmo assim foi um dos artilheiros do time, com sete gols. Em 2008, foi ainda mais fundamental. Com 16 gols ao longo da campanha, entre eles o gol que garantiu o título, contra o Goiás, o centroavante foi um dos símbolos da reação do São Paulo naquele ano, que chegou a ficar 11 pontos atrás do Grêmio e mesmo assim foi campeão.

HERNANES
Formado nas categorias de base do São Paulo, Hernanes não fez parte do grupo campeão brasileiro em 2006, já que estava emprestado ao Santo André. Um ano depois, porém, se firmou como titular absoluto da equipe, com as saídas dos titulares Mineiro e Josué. Em 2007, fez o primeiro gol no jogo que garantiu o título, contra o América-RN. Na temporada seguinte, foi ainda mais importante, se tornando peça-chave no setor de meio-campo atuando como armador e não mais como volante.

JUVENAL JUVÊNCIO
Um dos presidentes mais polêmicos da história do São Paulo, mas também um dos mais vencedores. Assumiu o cargo mais importante na política do clube em 2006, substituindo Marcelo Portugal Gouvêa. Sempre teve como marca registrada o estilo "boleirão", o que o aproximava muito dos jogadores, visto que costumava distribuir presentes a atletas que se destacavam e pagava os "bichos" dos jogos em dinheiro "vivo". Permaneceu como presidente até 2014, mas a essa altura já não dispunha do mesmo prestígio, principalmente entre os torcedores.

DEZ GRANDES JOGOS

CRUZEIRO 2x2 SÃO PAULO, 2006

Apesar de estar na liderança, o clube tricolor acabara de ser vice-campeão da Copa Libertadores e estava emocionalmente abalado. Uma derrota não o tiraria da ponta, mas deixaria os rivais colados e com moral. O Cruzeiro até abriu 2 a 0, mas aí Rogério Ceni fez tudo para evitar o revés. Marcou duas vezes (falta e pênalti) e ainda pegou uma penalidade. Resultado final, um empate com gosto de título para os são-paulinos.

SANTOS 0x1 SÃO PAULO, 2006

Líder sozinho do Brasileiro, o São Paulo chega na reta final tomando o cuidado para não vacilar. O clássico na Vila Belmiro e apontado por Muricy como um jogo de risco. A equipe toma os devidos cuidados e consegue um triunfo com direito a passe de calcanhar de Lenílson para Mineiro (o herói do Mundial de 2005) fazer 1 a 0 aos 29 do primeiro tempo. Foi pela 33ª rodada e vale lembrar que o Santos era o terceiro, ainda sonhando com a taça.

SÃO PAULO 1x1 ATLÉTICO-PR, 2006

Antepenúltima rodada, São Paulo com sete pontos à frente do Internacional. Mais de 68 mil são-paulinos vão ao Morumbi com expectativa de saírem campeões. Fabão abre o placar aos 25 minutos do 1º tempo. Título fica perto. Mas o Atlético-PR dificulta o jogo e, mesmo atrás do placar, é mais perigoso. Tanto que empata a 11 minutos do fim. A apreensão toma conta. O 1 a 1 não é ruim, mas a torcida depende de tropeço do Inter contra o Paraná para festejar. Todos ficam no estádio (jogadores idem, no gramado) esperando por dez minutos o final do jogo colorado. E celebram com o revés rival por 1 a 0. O time tricolor é (tetra)campeão.

CRUZEIRO 1x2 SÃO PAULO, 2007

A 13ª rodada reservou um duelo chave na campanha de 2007. Quarto colocado, o São Paulo enfrentou o Cruzeiro, terceiro, e time contra quem mais aprontou até hoje na história dos pontos corridos. Foi uma vitória importante e suada. A equipe saiu perdendo aos 33 minutos da etapa inicial com um tento de Leandro Domingues. Conseguiu empatar aos 5 do segundo tempo com Breno. Depois virou com Hernanes, com um golaço, aos 25. Ele pegou a bola no meio de campo, avançou quase até a entrada da área driblando um cruzeirense. Como havia muitos marcadores, ele recuou um pouco, cortou para a direita e chutou no ângulo.

BOTAFOGO 0 X 2 SÃO PAULO, 2007

Na 18ª rodada do Brasileiro de 2007, o São Paulo liderava a competição e encarou o Botafogo, segundo, dois pontos atrás e com um jogo a menos, no Maracanã. Após um primeiro tempo sem emoções, Alex Silva abriu o placar aos 18 minutos da segunda etapa, em um lance que caracterizou os três títulos sob o comando de Muricy Ramalho: a bola parada. Túlio ainda deixou o Botafogo com um homem a menos em campo após ser expulso. Leandro ampliou aos 27 do segundo tempo e fechou o 2 a 0 do Tricolor. O São Paulo abriu 5 pontos na liderança do campeonato e não saiu mais da ponta.

SÃO PAULO 3 X 0 AMÉRICA-RN, 2007

Ainda restando quatro rodadas para o fim do campeonato, o São Paulo colocou 69 mil pessoas no Morumbi diante do já rebaixado América-RN. Hernanes abriu o placar aos 38 minutos. Miranda, aos 4 do segundo tempo, e Dagoberto, aos 31, fecharam a conta para o time tricolor, que venceu o penta do Brasileiro em casa e confirmou o título mais soberano da dinastia.

SÃO PAULO 1 X 0 NÁUTICO, 2008

Muitos não acreditavam num tricampeonato consecutivo do São Paulo. E a partida contra o Náutico na 29ª rodada do Brasileiro daquele ano manteve o sonho vivo. O jogo foi complicado e um tropeço deixaria o Tricolor, que ocupava a quarta posição naquela altura, ainda mais distante da liderança. Hernanes, com um gol aos 37 minutos do segundo tempo, deu a vitória à equipe do Morumbi, e o São Paulo se manteve quatro pontos atrás do líder do Grêmio.

SÃO PAULO 3 X 0 INTERNACIONAL, 2008

Na 33ª rodada, o São Paulo atropelou o Internacional em casa por 3 a 0 com gols de Borges, Dagoberto e Hugo e assumiu a liderança do campeonato pela primeira vez. O time do Morumbi chegou aos 62 pontos e viu o Grêmio (60) empatar contra o Figueirense. Com mais de 54 mil pessoas no estádio, Hugo puxou a “Ferrari” na comemoração em homenagem a Felipe Massa, torcedor são-paulino que havia perdido o título mundial de Fórmula 1 horas antes de forma dramática para Lewis Hamilton em Interlagos.

PORTUGUESA 2 X 3 SÃO PAULO, 2008

Jogando pela primeira vez como líder do Brasileiro, o São Paulo foi até o Canindé e sofreu, mas venceu a Portuguesa em um jogaço por 3 a 2. O destaque da partida foi Borges, que marcou os três gols tricolores no jogo e deixou a equipe do Morumbi mais próxima do título.

GOIÁS 0 X 1 SÃO PAULO

Na última rodada do Brasileiro de 2008, o São Paulo foi até o Distrito Federal enfrentar o Goiás, que havia perdido um mando de campo. Podendo empatar para garantir o título, o Tricolor fez o gol da taça aos 21 minutos do primeiro tempo, com Borges, em impedimento. O Brasil era preto, vermelho e branco pela sexta vez.