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De Neymar, Mbappé e Cavani a Messi, Coutinho e Suárez: os melhores trios de ataque do futebol

“Dois é bom, três é demais” diz o velho ditado, mas quando se trata de futebol, três talvez seja o número mágico. Examinamos os trios mais potentes do esporte e o que faz cada um ser tão brilhante.

Barcelona: Os campeões do controle de bola

O que falta de estatura a esse pequeno trio, eles compensam muito bem com potência e brilhantismo individual. Seja dentro do Camp Nou ou em outros estádios da Liga ou da Champions, o monstro de três cabeças de Lionel Messi, Philippe Coutinho e Luis Suárez tem uma sintonia quase telepática que os torna capazes de aproveitar ao máximo até a mais congestionada das pequenas áreas.

Sua habilidade coletiva fica mais evidente em espaços apertados: cada um deles é melhor quando está cercado e parece sem opções. Existem poucos jogadores hoje com o domínio de bola igual ao do Messi; Coutinho joga melhor quando está encurralado, ou ele dá um drible para um passe rápido, ou fura uma defesa fechada com um chute que poucos jogadores tentariam. E tem o Suárez, sua movimentação sem a bola é quase impossível de acompanhar.

Eles não jogaram o máximo que podem muitas vezes nesta temporada, mas 2017-18 foi um resumo perfeito de sua telepatia, com 67 gols e 29 assistências em La Liga entre os três.

Liverpool: Os reis do espaço aberto

Este trio extraordinário triunfa em espaços abertos, em seu auge, quando lhes dão espaço para correr e contra-atacar uma defesa que tenta retornar rápido. Eles correspondem aos ideais de alta pressão de seu chefe, Jurgen Klopp, e estão aptos para aproveitar até as mais inofensivas roubadas de bola.

O que torna Mohamed Salah, Roberto Firmino e Sadio Mané tão mortais são sua velocidade e convicção com a posse da bola. Eles raramente atrapalham o caminho um do outro, levando os oponentes à exaustão ao usarem o campo inteiro. Firmino é seguramente o maior alvo do jogo, apesar de não ter o tamanho e a força de um grande centroavante; sua prendida de bola, movimentação sem a bola e assistências criam espaço para que seus companheiros de ataque aproveitem as oportunidades.

Salah é um clássico ponta invertido, entrando pelo lado direito com facilidade de criar oportunidades de chute. Mané é um ponta natural, fica perto da linha lateral e ganha do seu adversário na corrida por fora ou no talento com os pés por dentro. Eles ganham sem a bola no meio de campo também, pegando times no contra-ataque e ganhando de linhas de impedimento em finalizações simples.

Na temporada passada, Salah teve o melhor ano da carreira e foi indicado ao Ballon d’Or, o maior beneficiário da agressividade do Liverpool em roubadas de bola e rapidamente dando o passe para os três jogadores do ataque, que raramente desperdiçaram uma chance de gol. Dito isso, eles têm uma fraqueza, já que furar defesas bem formadas não é sua especialidade. O trio precisa de espaço para trabalhar; times que se fecham e ocupam a pequena área obrigam outros jogadores do Liverpool a serem decisivos no meio-campo. Mas com espaço, esse trio de ataque é incomparável.

Manchester City: Os assassinos da grande área

Parece quase injusto apontar o trio Raheem Sterling, Leroy Sané e Sergio Agüero quando todo o time de Pep Guardiola é tão brilhante ao dominar os adversários. Mas a verdade é que esses três em especial são os mais aptos a dar o último toque. Seu forte não é tanto a criação de chances, mas a finalização.

A evolução de Raheem Sterling para se tornar um dos melhores atacantes do mundo tem sido inegável, especialmente sob o comando de Guardiola. Seja dando um lançamento profundo para ligar uma jogada ou usando a velocidade para quebrar uma linha de impedimento, seu poder vem de sua velocidade de pensamento e execução. Seja dando o primeiro passe no ataque ou finalizando, o entendimento de jogo de Sterling é excelente, principalmente quando pensamos que ele só tem 23 anos.

A velocidade e potência de Leroy Sané dão trabalho aos adversários. Apesar de não ter aparecido sempre entre os titulares nos últimos 12 meses, sua habilidade de criar chances em qualquer cenário faz dele um jogador difícil de marcar. Veja seu gol contra o Liverpool em janeiro de 2018: isolado na lateral esquerda e com pouco tempo para controlar um passe longo e alto, uma matada no peito lhe deu tempo de olhar para a área, cortar para o pé esquerdo e finalizar de um ângulo incrivelmente difícil. Receber a bola longe do gol não é um problema para Sané por sua habilidade e confiança pra entrar na pequena área.

E tem o Sergio Agüero, um dos melhores finalizadores do jogo e o pontuador de muitos dos ataques perfeitos do Manchester City. Sua movimentação constante torna quase impossível marcá-lo; ele vai se movimentar por todo o campo de ataque para abrir espaço para os outros ou criar um ângulo pra si próprio. Isso, combinado com sua capacidade de estar onde a bola vai parar, o fez se tornar o artilheiro do clube e a nona pessoa na história da Premier League a marcar 150 gols. Ah, e ele fez isso em tempo recorde, comparado com lendas como Wayne Rooney, Alan Shearer e Thierry Henry, atingindo a marca com 218 jogos.

Paris Saint-Germain: O time de estrelas

Se você acha injusto os times da Ligue 1 terem que lidar com Neymar, Kylian Mbappé e Edinson Cavani, bom, você está certo. É um trio constrangedoramente prolífico para o campeonato francês, mas o mais notável é como três mega-estrelas em seus clubes anteriores conseguiram se adaptar e trabalhar como uma unidade funcional, sem deixar o ego atrapalhar muito.

Dado o impressionante início de temporada do PSG, 13 jogos no campeonato, 13 vitórias, houve gols e assistências suficientes para todos os titulares e nenhum mais do que os três atacantes. Mbappé tem 11 gols e quatro assistências em nove jogos do campeonato, Neymar não está muito atrás com 10 gols e cinco assistências, enquanto Cavani, o atacante mais "tradicional" dos três, tem oito gols em oito jogos.

Eles tiveram mais dificuldade para causar um impacto semelhante na Liga dos Campeões até agora nesta temporada, mas a combinação de habilidades e estilo torna impossível pará-los toda semana contra praticamente todos os adversários.

Tottenham: O super-grupo

Este não é o triunvirato de ataque convencional comparado com os outros acima, mas o que seria dos Spurs sem Dele Alli, Christian Eriksen e Harry Kane? Apenas Kane poderia com razão ser considerado um jogador de futebol de primeira linha, mas a beleza da tripla ameaça do Tottenham é que eles se complementam perfeitamente. O estilo e trabalho feito com Mauricio Pochettino é tão exigente que os três jogadores sabem exatamente o que fazer e onde se encontrar no campo de ataque.

A visão e a atuação de Eriksen no meio-campo são bem equilibradas pelo dinamismo e habilidade de Alli, com Kane dando o toque final ou trabalhando incansavelmente por todo o campo para roubar a bola ou segurar o jogo para trazer os companheiros de equipe para o ataque. É uma mistura perfeita. Precisa de mais provas? Repare quando um dos três não está em campo. A porcentagem de vitórias dos Spurs na Premier League com os três em campo desde a primeira temporada de Alli (2015-16) é de 64%; durante esse mesmo período, quando pelo menos um deles está faltando, esse percentual cai para 50%.

Conclusão: o sucesso do Tottenham se deve muito a esse super-grupo.