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Favorito do presidente, Jardine é fã de Guardiola e formou geração de ouro no São Paulo

Após a demissão de Diego Aguirre, o novo técnico do São Paulo até o final deste ano será André Jardine, 39. Natural de Porto Alegre, ele tem como maior defensor o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que acredita que o jovem treinador tem condições de fazer um bom trabalho e prosseguir no cargo em 2019.

Jardine tem também o apoio de Raí, diretor executivo de futebol tricolor, que esteve reunido com Leco no último domingo, quando foi decidida a saída de Aguirre. Muitos conselheiros influentes do clube, que também pressionavam os dirigentes para mudarem o comando técnico, queria a promoção de Jardine.

O treinador está no clube do Morumbi desde 2015, quando chegou do Grêmio para comandar a categoria sub-20. Desde então ganhou destaque ao trabalhar jovens com talento e a empilhar uma série de títulos.

A estreia dele será justamente contra o time gaúcho, na quinta-feira, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. Faltam cinco partidas para o final e a missão é clara: colocar o São Paulo na fase de grupos da Copa Libertadores.

Pelo regulamento do Nacional, apenas os quatro primeiros asseguram vaga na fase de grupos. O quinto e o sexto da competição vão disputar o mata-mata preliminar do continental, algo que a diretoria quer evitar.

Outra missão será ajustar o vestiário, especialmente o meia Nenê, que é apontado pelos cartolas como pivô em uma crise de descontentamento com Aguirre --o que levou o uruguaio a ser demitido.

O fato é que se Jardine repetir um pouco do que fez na base são-paulino os torcedores terão motivos para festejar e elogiar a decisão da diretoria. Pelo time sub-20, ele conquistou sete títulos: Copa Ouro, bicampeonato da Copa do Brasil, duas Copas RS, Libertadores da América e Paulista. Tem ainda um quarto lugar na Copa Libertadores da categoria e um vice da Copa São Paulo de futebol júnior, estes dois últimos resultados ocorreram na atual temporada.

Além disso, nomes como David Neres, Luís Araújo, Militão, Lucas Fernandes, Toró e Shaylon (as principais revelações dos últimos anos) foram treinados por André Jardine e obtiveram grande destaque na base tricolor.

Até por isso, Jardine ganhou muitos defensores nos últimos anos dentro do São Paulo e teve todo um cuidado para não ser "fritado". Foi promovido ao departamento profissional no final de fevereiro deste ano como integrante fixo da comissão técnica para se ambientar. Em outubro, viajou para a Europa para fazer observações técnicas. Assistiu quatro jogos na Espanha (entre eles o clássico Barcelona x Real Madrid), um na Itália e outro na Inglaterra.

Aguirre foi um dos incentivadores para que Jardine adquirisse mais experiência.

Quem conhece Jardine diz que ele é adepto do trabalho de Pep Guardiola, técnico do Manchester City. Gosta de equipes que joguem com velocidade, troca de passes em direção ao gol, jogadas ensaiadas e nada de chutão.

Vida antes do São Paulo

Nascido em Porto Alegre, Jardine chegou a jogar nas categorias de base no Grêmio ao lado de Ronaldinho Gaúcho, mas não chegou a se profissionalizar como jogador.

Desistiu do futebol aos 15 anos, chegou a estudar engenharia civil e a trabalhar em uma construtora, mas acabou abrindo mão dessa carreira para trabalhar em uma escolinha de futsal.

Formou-se em educação física e começou a carreira de técnico com as categorias inferiores do Internacional, no qual ficou entre 2003 e 2013. No Beira-Rio treinou desde as categorias sub-10 até a sub-20, faturando 31 títulos.

Depois, passou pelo sub-17 e sub-20 do Grêmio, ajudando a revelar nomes como o volante Walace e o atacante Everton. Ele fez parte da comissão técnica permanente do time profissional e chegou dirigir a equipe profissional como interino antes de chegar ao São Paulo, em fevereiro de 2015, por intermédio Júnior Chávare.

Jardine teve oportunidade de comandar a equipe profissional por quatro vezes: diante de Santa Cruz e Botafogo (ambas pelo Brasileiro de 2016), além das vitórias sobre CRB (pela Copa do Brasil) e Red Bull (Paulista), após a demissão de Dorival Júnior, neste ano.