De um lado, um clube grande e com a dor de quem passou oito anos na terceira divisão nacional; do outro, um técnico ainda dando seus primeiros passos na profissão, tentando buscar um grande trabalho após não conseguir vingar no clube em que é ídolo máximo.
Foi assim que Fortaleza e Rogério Ceni deram as mãos para construir uma belíssima história de redenção nesta temporada. O primeiro grande objetivo foi alcançado neste sábado, quando a equipe bateu o Atlético-GO por 2 a 1, fora de casa, e confirmou matematicamente o acesso à Série do Campeonato Brasileiro, com quatro rodadas de antecedência.
Dessa forma, o clube, que completou 100 anos de existência há menos de um mês, retorna à elite após 13 anos.
O time disputou a Série A pela última vez em 2006, quando terminou na 18ª posição e caiu ao lado de Ponte Preta, São Caetano e Santa Cruz. Os tricolores quase retornaram à elite já em 2007, ficando na quinta colocação.
No ano seguinte, foi o primeiro time fora da zona de rebaixamento da Série B, mas não conseguiria evitar a queda em 2009. O calvário da equipe seguiria com sete temporadas na terceira divisão nacional. Em quatro oportunidades, 2012, 2014, 2015 e 2016, flertou com o acesso, caindo nas quartas de final – só os semifinalistas subiam. Na oitava temporada, conseguiu a promoção com o vice-campeonato.
Já em 2018, o time começou a temporada sem o técnico do acesso à Série B: Antônio Carlos Zago foi para o Juventude. A tarefa de comandar a equipe no ano de seu centenário ficou sob responsabilidade de Rogério Ceni. Dois gigantes queriam voltar ao destaque.
O ex-goleiro havia começado sua carreira de treinador no começo de 2017, dirigindo logo o São Paulo. A passagem durou até julho, quando foi demitido após uma derrota para o Flamengo, pela 11ª rodada, que deixou o time tricolor na zona de rebaixamento.
Antes disso, a equipe paulista fora eliminada na primeira rodada da Sul-Americana para o Defensa y Justicia, da Argentina, nas quartas da Copa do Brasil para o Cruzeiro e na semifinal do Paulista para o Corinthians. No total, foram 37 jogos, 14 vitórias, 13 empates e dez derrotas, o que resultou em um aproveitamento inferior a 50%.
A oportunidade no Fortaleza começou com o vice no Estadual, após duas derrotas para o rival Ceará na decisão. A frustração logo daria lugar à alegria na Série B do Brasileirão, na qual a equipe foi dominante, abrindo com nove jogos de invencibilidade (sete vitórias e dois empates). Desde a segunda rodada, a única jornada em que não esteve no topo da classificação foi a quarta. Uma campanha inquestionável, sobretudo para um time que vinha de uma divisão inferior.
O Fortaleza chega embalado para a elite do futebol brasileiro, e Rogério Ceni só dá argumentos para ser considerado uma das promessas da nova safra de treinadores do país.
