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Coutinho foi descoberto por avó de amigo e teve mulher como primeira treinadora

Duas mulheres foram importantes para que Philippe Countinho tivesse a chance de ser o que é hoje, titular e destaque da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia.

Quando tinha cinco anos, os pais de Coutinho ouviram os conselhos da dona Didi, avó de um coleguinha dele, e o matricularam na escola de futsal do Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército. Ela observara o garoto jogando no condomínio, viu potencial e imaginou que ele poderia ter futuro.

O local onde ele foi matriculado fica até hoje no Rocha, na zona norte do Rio de Janeiro, mesmo bairro onde o meia foi criado e passou toda a infância.

Lá, Coutinho conheceu a segunda mulher importante em sua história no futebol: Ana Maria. Ela foi a primeira técnica dele. Foi por um período curto, é verdade. Menos de um mês dizem os envolvidos. De qualquer forma, foi ela quem guiou e orientou o menino naquele início.

"Quando o Coutinho tinha cinco anos o pai dele o trouxe até mim, fizemos a ficha de inscrição dele. Fui eu quem conversei com o pai e abri as portas para ele ficar na escolinha, mas a primeira técnica foi a Ana Maria. Ela me incentivou a criar a categoria chupetinha [até seis anos] e se propôs a treinar o time. Ficou aproximadamente um mês", disse Gilberto Guará, militar reformado e até hoje coordenador do futsal no Clube dos Sargentos.

A participação de Didi e Ana Maria foi decisiva para o início da história de Coutinho no futebol.

E é até surpreendente que as únicas lembranças que restaram de Ana Maria foram as palavras ditas por Guará e duas fotos nos arquivos do clube (abaixo). Nem mesmo o sobrenome ou uma ficha como colaboradora do clube foram guardados.

Para dona Didi o destino foi um pouco mais duro. Ninguém sabe o paradeiro dela. A participação dela nessa história também é pouco conhecida. Ao menos ela tem o reconhecimento do próprio Coutinho, como no trecho abaixo, que foi retirado do antigo site oficial do jogador.

"Seu Zé Carlos e dona Esmeraldina, que deixaram a Bahia para criar os filhos no Rio de Janeiro, sempre deixaram Philipinho muito ligado à bola. O mais curioso é que o então menino de seis anos foi descoberto, quem diria, pela avó de um amigo. Isso mesmo. Depois de uma "pelada" disputada na quadra do condomínio onde morava, no Rocha, zona norte do Rio de Janeiro, dona Didi percebeu que o garoto tinha futuro com a bola nos pés e resolveu alertar os pais sobre o talento do menino".

INÍCIO DE TUDO

Coutinho foi matriculado no Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército do Rocha em junho de 1998. Depois de um mês treinando deixou a categoria recreativa e passou para a competitiva. Foi parar nas mãos do seu segundo treinador: Afisio Brisio, ex-preparador de goleiros do Vasco.

"Eu fui o treinador dele logo depois. Acompanhei aquele início de carreira e depois o segui. E tinha uma coisa... quando ele queria resolver o problema do time, ele pegava a bola e ia [passando pelos rivais] e fazia o gol com uma baita facilidade", disse Brisio.

"O que mais me impressionava e que ele levantava a cabeça e tocava rápido. Ele comandava a equipe na quadra. Sabe? 'Toca aqui, passa aqui, recebe ali'. Ele colocava os meninos na cara do gol e já saia para o abraço. Era muito habilidoso mesmo tendo cinco, seis anos".

Quem também ficou muitas vezes de boca aberta foi Gilberto Guará. Ele não chegou a dar treinos para Coutinho nas quadras do Clube dos Sargentos, mas conversava muito com o menino e com os pais. Para ele, a orientação era e é parte importante na formação do jogador.

"Ele nunca mudou a personalidade dele. Isso foi algo que nunca precisei repreender. Ele sempre foi muito humilde. Ficava ao lado dos pais, calado. Ele deixava para se transformar em quadra. Chegou a chamar tanta a atenção que começou a aumentar o público nos jogos. As pessoas vinham ver os treinos, os jogos".

O carinho é tanto que Guará quer colocar o nome de Philippe Coutinho na quadra de futsal do Clube do Subtenentes e Sargentos do Exército.

"Acredito que ele não irá negar nosso pedido. Indiretamente ele vai estar ajudando muitas crianças que se espelham nele", disse Guará.

DO ROCHA PARA BARCELONA

A trajetória de Philippe Coutinho no Clube dos Sargentos foi rápida. Menos de um ano depois ele foi convidado para fazer testes no time de futsal da Mangueira e acabou aprovado em março de 1999. Disputou a Liga de Futsal do Estado do Rio de Janeiro federado pelo time e foi campeão e artilheiro.

O desempenho promoveu outra rápida mudança na vida dele. Um observador do Vasco viu o garoto e o convidou para jogar futsal pela equipe cruzmaltina. Ele topou e em 2000 já estava nas quadras de São Januário. Foi campeão novamente da Liga Futsal carioca e encantou os dirigentes.

No final de 2002, ele já estava treinando campo. Juntou-se ao time profissional em 2008, quando foi negociado com a Inter de Milão, da Itália. Ficou no clube cruzmaltino até 2010, quando mudou-se definitivamente de país e iniciou no futebol europeu.

Depois foi para o Espanyol e para o Liverpool, de onde foi vendido ao Barcelona no início deste ano por 125 milhões de euros (hoje, R$ 569 milhões).