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Por que Rafa Márquez ser escolhido o melhor de um jogo da Copa será pesadelo para Fifa e patrocinadores

A Fifa terá um problemão se o zagueiro Rafa Márquez, lenda da seleção do México, for eleito o melhor em campo na partida deste sábado contra a Coreia do Sul, pela 2ª rodada do grupo F da Copa do Mundo, em Rostov.

O atleta, que tornou-se na Rússia o 4º a participar de cinco edições de Copa do Mundo, atualmente está na lista negra do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, por suspeita de associação com cartéis de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Portanto, pelas leis norte-americanas, nenhuma marca do país pode ser associada à sua imagem, o que criou situações inusitadas no Mundial de 2018.

Para chegar à Rússia, por exemplo, Rafa precisou ter arranjos à parte, já que não poderia constar na lista de passageiros de uma companhia aérea dos EUA.

Seu uniforme de treino não traz os logos de seus patrocinadores da seleção. A garrafa d'água em que ele bebe durante os jogos não tem o logo da Powerade. Suas entrevistas não podem ser feitas em frente aos painéis com os patrocinadores da Copa. Até mesmo seu alojamento na concentração é avaliado para saber se não há nele nada relativo aos patrocinadores.

E a pior parte: Márquez não está sendo pago por sua participação na Copa. Nenhum banco, mesmo aqueles que não são norte-americanos, quer ter qualquer tipo de contato com o jogador.

E mesmo que estivesse recebendo, porém, sua situação mudaria pouco: tanto nos EUA quanto no México, todas os seus bens e contas bancárias estão congelados...

Mas a Fifa estará em uma verdadeira sinuca de bico se o veterano for eleito o melhor em campo em algum jogo desta Copa.

Afinal, o prêmio é patrocinado pela cervejaria Budweiser, que é... Dos Estados Unidos!

Ou seja: no caso dele ter que aparecer para a coletiva de imprensa e responder as protocolares três perguntas como Man of the match, ainda não se sabe que tipo de malabarismo a entidade que comanda o futebol mundial vai fazer.

Afinal, como resolver uma situação em que Márquez não pode aparecer ao lado do logo da Budweiser, mas ao mesmo tempo o logo da Budweiser não pode ficar escondido por ser um patrocinador oficial da Copa-2018?

Na única entrevista que deu até agora na Rússia, na zona mista após a vitória sobre a Alemanha, em Moscou, o ex-jogador do Barcelona tentou fugir dos assuntos espinhosos e apenas comentou a felicidade de igualar o recorde de jogar cinco Copas.

"Este será meu último Mundial e estou muito contente de ter chegado a cinco Copas do Mundo. Mas o mais importante é não ficar pensando em mim, e sim em fazer história com o México aqui", afirmou.

Em campo, ele provavelmente não dará entrevistas, já que, para isso, a Fifa terá que esconder as logomarcas de Visa, Coca-Cola, Budweiser e McDonald’s, todos dos Estados Unidos.

Haja dor de cabeça.

COOPERAÇÃO

Rafa Márquez nega todas as acusações e, por meio de advogados, declarou estar em total cooperação para esclarecer qualquer mal-entendido. O jogador da seleção mexicana ainda não foi indiciado criminalmente.

A Federação Mexicana e a Fifa também estão oferecendo suas cooperações.

“A Fifa está ciente da situação envolvendo o jogador Rafael Márquez e está em contato constante com a Federação Mexicana de Futebol", disse a entidade em um nota oficial.

A Federação Mexicana também emitiu uma nota.

“Levamos à sério as ações dos EUA com o departamento de tesouro do EUA e estruturamos nossas operações na Copa de modo a não violar as ações legais dos EUA" disse a entidade, que tem muitos negócios no seu vizinho do norte.

À Fifa, a despeito da cooperação, resta uma última torcida: para que, em caso de um título mexicano, Rafa não seja o homem a levantar a taça...