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Imagine o que Trump vai achar: em lista negra americana, ídolo mexicano brinca com chance de virar presidente

Na lista negra do departamento de tesouro dos EUA, por suspeita de associação com cartéis de tráfico de drogas, Rafael Márquez está em alta entre seus compatriotas. Bem alta.

O defensor, de 39 anos, que está fazendo história na Copa da Rússia, como o quarto jogador, em todos os tempos, a disputar cinco mundiais, está sendo abraçado pelos mexicanos, que o querem para presidente da república.

O capitão até fez piada em sua conta no Twitter, postando uma montagem criada por torcedores. Muitos também tem oferecido ao ex-companheiro de Ronaldinho Gaúcho no Barcelona o cargo de presidente do Atlas, clube no qual ele joga no seu país natal.

“#rafaforpresident que tal?? 😂🙈🙊 o que acham?? 🤔 #4ctitud”, postou o jogador do Atlas, do México, que disputa sua quinta Copa na Rússia.

A postagem, que foi tanto para o Twitter quanto para o Instagram recebeu dezenas de mensagens de apoio.

Evidentemente, trata-se de uma brincadeira. Mas, apenas imaginar um encontro presidencial de entre Márquez e Donald Trump já é engraçado. Já imaginaram a dupla discutindo a construção do infame muro para separar as fronteiras?

Segundo informações do jornal NY Times, Márquez está na lista negra do governo sob suspeita de que teria ajudado cartéis mexicanos a lavarem dinheiro. Por essa razão, bancos e outras empresas de lá não podem ter qualquer tipo de relação com ele.

A inclusão gera situações insólitas para o atleta. Para chegar à Rússia, por exemplo, Rafa precisou ter arranjos à parte, já que não poderia constar na lista de passageiros de uma companhia aérea norte-americana.

Seu uniforme de treino não traz os logos de seus patrocinadores da seleção. A garrafa d'água em que ele bebe durante os jogos não tem o logo da Powerade. Suas entrevistas não podem ser feitas em frente aos painéis com os patrocinadores da Copa. Até mesmo seu alojamento na concentração é avaliado para saber se não há nele nada relativo aos patrocinadores.

Existe também uma recomendação velada para que ele não seja escolhido nunca o melhor campo, já que o troféu tem o logo da cervejaria Budweiser, com sede em território norte-americano.

E a pior parte: Márquez não está sendo pago por sua participação na Copa. Nenhum banco, mesmo aqueles que não são norte-americanos, quer ter qualquer tipo de contato com o jogador. Mesmo que estivesse recebendo, porém, sua situação mudaria pouco. Tanto nos EUA quanto no México, todas os seus bens e contas bancárias estão congelados.

Cooperação

Rafa nega todas as acusações e, por meio de advogados, declarou estar em total cooperação para esclarecer qualquer mal-entendido. Rafael Márquez ainda não foi indiciado criminalmente

A Federação Mexicana e a Fifa também estão oferecendo suas cooperações.

“A Fifa está ciente da situação envolvendo o jogador Rafael Márquez e está em contato constante com a Federação Mexicana de Futebol", disse a entidade em um nota oficial.

A Federação Mexicana também emitiu uma nota.

“Levamos à sério as ações dos EUA com o departamento de tesouro do EUA e estruturamos nossas operações na Copa de modo a não violar as ações legais dos EUA" disse a federação, que tem muitos negócios no seu vizinho mais ao norte.

À Fifa, a despeito da cooperação, resta uma última torcida: para que, em caso de um título mexicano, Rafa não seja o homem a levantar a taça.

Para uma entidade que quer limpar sua barra e ampliar sua influência na América do Norte, ter um homem em uma lista negra dos EUA no seu portfólio de imagens mais emblemática dos próximos quatro anos não é lá uma vantagem.